Escritas

Lista de Poemas

RAZÕES

Quisera medir o desconforto da tristeza
Mas desconheço a unidade mais exata
Que se aproximasse ao torpor que no peito
Se instalara

O volume das razões aprisionadas
Pelo tempo que levara equalizando
Os estragos que essa dor fizera

Leia em minha cara as letras tortas
Estampadas pela testa recoberta

Impossível mácula desnecessária
Improvável lágrima que chora
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A XÍCARA

Gole a gole seca a xicara
Do café degustado
Servido à língua
Sorvido pelos lábios
Entre olhares dispersos
Sorrisos e frases amenas
Nas horas pequenas
Entre um movimento e outro

Assim consumado
Restam vestígios e rastos:
No fundo desenhos na borra marrom
E pelas bordas da boca
Tênues marcas do batom
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AO PESCADOR

Não é porque caminhas vago sobre as aguas
Que um dia nelas não possas mergulhar
Explorar as profundezas oceânicas
Entender o fluxo imerso das marés
Onde tramitam as revoltas correntezas
E todas as incertezas castas dos mares.

Aprender no vai e vem das brutas ondas
O jeito manso de lamber suas areias
Romper as pedras todas e as fortalezas
E respeitar os frágeis cascos dos veleiros
Singrando mansos ao sabor dos raros ares.

Dê piedade aos humildes pescadores
Que tem amor às longínquas águas infindas
Torna branda a imensidão que os castiga
E que não morram de saudades das paixões
Nem enlouqueçam distantes de suas valsas.
Mergulhe a fé intensa em seus corações
E traga-os vivos aos braços dos seus amores.

Amém!
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PENSO

Penso ser doce o beijo
O quanto suave é tua fala
Terno o olhar que emana
Das belas meninas dos teus olhos.
Penso ser denso o perfume
Colado à tua pele nua
Ou envolta por tecidos leves
Teus segredos avivados
Recobertos pelas rendas.

Penso que a morna agua te banha
Recontando em teus ouvidos
Segredos divagando ideias
Que te põem intimamente acesa.
Penso que te delicias
Sobre a cama intensamente
E se pudesses lembrarias
Com vontades deste tolo.

Penso ser tão macio
O instante da tua ânsia
E de pura nostalgia
Os delírios do teu cio.
Penso pois pensar permite
Tê-la assim pelos meus sonhos.
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TOMA-ME

Se te sentires indefeso sem rumo pelas sombras
Excluído até das sobras e restos da madrugada

Se vierem os lamentos pesados sobre os teus ombros
E entre escombros pisares sobre pontas de estilhaços

Se as mentiras se apegarem à tua mente oprimida
Comprimindo tua ansiedade escravizando tua vida

Se em desalento o desencontro desfolhar teu íntimo
Sem ritmo teu coração perder os sentimentos

Deixa que a poesia te faça lembrar de mim
Não espera outro dia amanhecer sem fim
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O menino pisa descalço o meio fio
Corpo ferido
Corpo fedido
Corpo frio
Desprotegido e só

O corpo é pisado na calçada
Quando deitado
Quando amoitado
Quando açoitado
Atingido e só

O quando escalpelado na rua
Não insiste
Não existe
Não resiste
Fustigado e só

O só simplesmente desmanchou-se
No meio fio
Na calçada
Na rua
Desprotegido atingido fustigado
E só
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ENQUANTO POSSO

Os meus olhos se deitam
Sobre tua leve beleza
E dormem o sono daquele que se realiza
Vendo a neblina ondulando horizontes
Ao longe
Muito longe inacessível
No topo das serras e montes

Assim distante todas as cercas somem
Não existem divisas
Nem há limites
Apenas distâncias no bojo dos vales
E tudo o mais que a paz precisa
Para coexistir presente
Entre a liberdade e a mente

Aquele bom lugar existe
Tão perto de mim e longínquas
São as possibilidades
Que tenho de tê-lo

Nada é meu nem nosso
E sim passageiro
Por isso durmo meu olhar sereno
E sonho o paraíso
Enquanto posso
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Corre

Corro atrás daquilo que preciso aprender
Aprendo bem aquilo que pretendo ensinar

Deixo o mundo renascer ao redor
Certo de que fazer o bem
Alivia o respirar
Propicia enxergar maravilhas

Guardo para um dia especial
Destemido de que acabe se usar
Ou aguardo apenas por guardar;
Lembro-me de que tudo vence
É finito e que a validade
Vem estampada na testa
Em todas as situações

Não temo as armas que trago

Vivo e faço a festa
De resto ajeito o quanto desprendo
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COM A SAUDADE

Ao coração dê alento
Aos olhos o brilho de outros olhos
Ao tempo alimento para que não desgaste

Ao amor entrega-te cegamente
Enquanto permanecer vibrante
Qualquer excitante emoção renovada

Se houver rotina muda de rua
Dobre outra esquina
Sente outros ventos

Pela beleza reúna os canteiros
Misture as flores dos vários jardins
Em uma só quadra

Emende as ruas que der
Até o outro lado do mundo
Depois retorne pela mesma estrada

Mas com a saudade
Não faz nada ainda que doa
Por ser necessário sofrer
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PERMITA-SE

As rosas não são iguais
Não por não serem todas rosas
As melodias são distintas
Não pelos arranjos nem pela poesia
As palavras diferem-se
Não somente por possíveis ignóbeis significados
Os mundos são dispares
Porem nunca pela distancia entre si

Mesmo as dores similares
Divergem-se caso a caso
Os pensamentos variam
Não por serem mínimas ou incríveis ideias e ideais
Dos sentimentos cada um torna-se único
Apesar dos mesmos conceitos

Tudo tem e traz
Sua própria digital e raiz
Que aglutina distingue caracteriza denomina
Motiva conceitua e particulariza

Há quem creia ser nobre
Há quem ache vulgar

Pouco importa
Permita-se feliz
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Comentários (2)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2026-01-02

Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.

Rodrigo Marques
Rodrigo Marques
2017-11-27

quantas verdades com perfeição!