Lista de Poemas
AMOROSIDADE
A quero em mim
Singelamente pudica e audaz
A quero em mim
Como se nada soubesse e tudo escondesse
Segredos mentiras beleza
A leveza do seu corpo metido em êxtase
Assim a quero em mim
Vem
Pois quero tê-la em mim
No despojamento da alma que ama e traz amor
Aquela que descompromissada se dá umedecida
Absolutamente amante desperta sensações
De navegar voando e voar parada
A quero em mim
Assim, assim
Amada
Sou sua castidade, sua prescrição
Não há maior paixão, tara
Dá-me alucinada seu folego, sua maldade
Faça-se em mim
Assim, assim
NOITE APRESSADA
Experimentando o frio da madrugada
Sem qualquer barulho, sem zoada
Protegido e deitado sobre a colcha macia
Descontraído à espera do novo dia
Há quem não tem as suas noites assim normais
Como tenho eu o privilegio em tê-las
Há quem sofre nas macas dos hospitais
Há quem perambula abandonado pelas ruas
Há quem corre fugidio por quintais
Há quem roube e assassine sem preceitos
Há quem treme sem cobertas e sem leito
Há quem cace bandidos pelas matas
Quem mata em desespero e suicide
Há quem sonhe poder sair a trabalhar
Há quem lute com seus próprios preconceitos
Quem chore por um amor perdido e desfeito
Minha noite passa lerda ao teu lado
Em plenitude e completa harmonia
Ainda que não percebas que existo
Porque sei que apressada é a fantasia
Dos meus sonhos te velando acordado
APEGO
Traduziriam talvez pequena parte
Do zelo que aprendi a dedicar-te
Desde que convivemos
Sigam os sonhos adiante
Como tem seguido a sina
Cumpra o sol o seu destino
Reacendendo incontáveis dias
Passaremos pela vida fortalecendo
Dividindo alegrias bons momentos
E nas frágeis horas de tormentas
Estaremos inquebráveis
Enfrentando os ventos
Amo-te assim secreta e cegamente
Nesse particular e delicado apego
OS TEUS OLHOS
Me veem iluminado
Mas olho aqui dentro
E tudo está escuro
Pardo
Cercado por um muro
Adentro-me
Desencontrado dessa luz
E cego assim
Não me enxergo
Tateio
Embaraçado em virgulas
Tua piedade no entanto
Insiste renovar-me
Resgata meu cansaço
Mostrando insistente
Generosamente
Meu ser em teus braços
Teus silenciosos olhos
Na verdade
São donos de mim
PROSSIGO
Um pouco acima dos fios
Resvalando nas pontas das árvores
Rasantes sobre telhados
Em algazarras pelas janelas
Brincam de voar no centro do sol
Em círculos similares
Sem pedir licença pela barulheira
De tanto vê-los assim acesos
Voa também o meu pensamento
Além do peso da consciência
Sobre as nuvens da ignorância
Enquanto espalham-se à beira da fonte
Uns continuam voando sem parar
Prossigo a pensamentar
DIA A DIA
Acaricia teu ego
Seja um pensamento
A lembrança de um vivo momento
A presença de um sentimento
De uma saudade macia
Dessas que te põe perdida
De vontade de perder-se novamente
E quando estiver assim envolta em pura poesia
Dê-se ao consentimento da eterna delícia
Agarrada a si mesma
No íntimo contentamento
Digno das soberanas deusas
Ou da mulher que labuta e enfrenta a lida
Como qualquer pessoa dia a dia
Assim conseguirá saborear primorosas horas
Deliciadas ainda que na reclusa solidão
E se divididas com alguém que te apraz
Poderão talvez ser igualmente intensas e vividas
Abençoadas por também estarem sendo repartidas
Experimente embriagar-se de toda maneira
DESAPRUMO
Do quarto do banho
Desaprumo
Caio de cima do muro
Saio por ultimo sem eira
Separo-me do teu corpo
Minha meta do teu rumo
Primeiro
Embora nem queira sair
Parto irrequieto
Ofegante
Te levo assinada
Na alma sobre a linha
Em duas vias
Uma tua
E outra minha
BANHO DE CHUVA
Saltitar poças após qualquer chuva boa
Molhar-se na salseira mansa
Encharcar no aguaceiro de final de tarde
Coisa de criança, brincadeiras da adolescência
Que permanecem na memoria
Corríamos na velocidade das enxurradas
Melados de lama, cantando feito pássaros
Correndo pelo barro revolvido
Pisando descalços o capim ensopado
Balançando galhos
Roubando as flores molhadas no jardim
Nascia uma fina sintonia
Entre nossa liberdade e alegria
E as nuvens
Encantada meninice que inocentemente fluía
Sem explicação
Agora temos medo da molhaceira
Qualquer molhadela nos põe tensos
Presos à pressa, broncos com a agua a escorrer
Que não passa e não nos deixa passar
Andar, caminhar, correr
Nos esquecemos de morrer
De rir largados na chuva
Tão disforme e aguada tornou-se nossa vida
PLENO
Esqueceu a minha porta
Vagou torta pela rua
Esnobou
A minha companhia
Visitou outras moradas
Alimentou certas paixões
Desencontradas
Fez do triste a alegria
Do alegre a nostalgia
Encantou enamorados
No sereno olhando a lua
Misturou os sentimentos
Revelou certos segredos
Bebeu vinho
Deu rizadas
Fez insônias pela madrugada
Enquanto eu pleno de versos
Serenamente dormia
DELÍRIO
Cheiro intenso que perfuma a sala
No bulbo do lírio que ainda hiberna
Quero o talo verde da seiva
O pólen que a abelha leva
Do filete mundo afora
Quero agora ser estame
Teu particular androceu
Ser teu céu e teu encanto
A preguiça que te espalha
Sereno que te orvalha
A palha que preserva teus grãos na relva
Tua selva e teu jardim
O teu vaso de carpelos
Os germes que lambem teus brotos
Tuas hastes os teus pelos
Densa cera de tuas folhas
Cada cílio de tuas pálpebras
E apenas por mera sorte
Ser por um doce orgulho
A ousadia do delírio
Quando prazerosamente
Tua vontade me molha
Comentários (2)
Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.
quantas verdades com perfeição!
Paulo Sérgio Rosseto nasceu em Guaraçai, SP, na manhã de 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina. Seus irmãos são Fátima Aparecida e Delermo de Jesus. Em 1966 seu primeiro poema (MEU CACHORRINHO) foi publicado no Jornal da Cidade (Folha de Guaraçai), destaque de um concurso de escritores mirins promovido pela escola local que frequentava.
A familia Rosseto muda-se para Selvíria/MS em 1968 e em 1970 mudam-se para a Cidade de Três Lagoas, também no MS. Entre 1974 e 1981 estudou nos colégios internos Salesianos de Araçatuba/SP, Campo Grande/MS, São Carlos/SP e Alto Araguaia/MT. Ainda em 1981 retorna para Três Lagoas. Casou com Soraya em 1984, com a qual tem dois filhos (Thais e Yuri).
Reside na Cidade de Porto Seguro/Bahia desde 1988.
Em Três Lagoas estampava seus poemas no Jornal do Povo, tendo publicado em 1982 o Livro O SOL DA DOR DA TERRA; em 1984 O Livro MEMORINHA - POEMAS INFANTIS e em 1985 o Livro ATO DE POEMA E UMA CANÇÃO e 1986 AMOROSIDADE.
LIVROS RECENTES:
CRÔNICAS ABERTAS - Poemas - 2018
DOCES DOSES de POESIA - Aldravias - 2018
VERSOS de VIDRO e AREIA - 2019
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - 2019
LÁ PELAS TANTAS DA VIDA - 2019
FAZENDA HAICAIS - 2020
ABELHINHA PEQUETELLA - 2020
POETA ENTRE COLUNAS - 2020
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - Vol.2 - 2020
NAS ASAS DAS HORAS - 2020
BULBOS diVERSOS - 2021
SONETOS ESQUISITOS PARA NINAR MOSQUITOS - 2021
BORDEJAR - 2021
PLENO ESTADO DE POESIA - Poemas Reunidos Até Aqui - 2021
Membro da ALB - Academia de Letras do Brasil - Cadeira 18 - Seccional Porto Seguro/Ba.
Membro da ALSPV - Academia de Letras Sociedade dos Poetas Virtuais - Cadeira 38.
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