Lista de Poemas
SOBRE O TEMPO
Paulo Sérgio Rosseto
Desconfia que algo diferente acontece
Pensa ainda ser moço apesar dos noventa
Consegue flanar sobre o tempo como antes
Apesar de que por tantos modos é verdade
Tem perdido o interesse e a esperança
Desconfia trazer os passos mais lentos
A memoria lerda que nem lembra o que sente
As mãos inábeis e maneiras desconexas
Porções de amor escondidas nas gavetas
A cama imensa onde consigo ninguém deita
Olhos que não mais evitam mostrarem-se aflitos
Aflições que admoestaram e se foram
Mas deixaram o peso preso aos ombros
Arqueados dos reparos e conflitos
Palavras praticamente inaudíveis ao vento
Que ao invés de serem ditas ficam presas no ventre
Se há grito nem ouve e se escuta não chora
Quando chora disfarça a lágrima que rola
Depende de ti que lhe venha ao encontro
Que lhe põe no leito e dele se levante
E abra os braços e entre eles se encontre
Apesar dessa desconfiança
Nada mais lhe espanta nem entedia
O que lhe resta é rir dessa comédia
@psrosseto
SEGREDOS QUE NÃO CONTO
Nenhum deles te confesso
Peço somente que se advinha-los
Não me revele que sabes
Pois não saberia esconde-los
Muito menos guardar
De mim mesmo que os conheces
Mas se quiseres publica-los
Antes mesmo que mova os lábios
Ou os teus gestos conta-los
Basta recostar o rosto à janela
Todos lerão nos teus olhos
Deixarão de serem segredos
Mas eternamente serão nossos
ACESAS
Paulo Sérgio Rosseto
A lua acesa assim
Radiante única densa
Desejosa aquarela
Você praia de areia
Restinga e capim
Espuma da onda
Aureola
Eu pedra do mar
Encharcado da luz
Dos teus olhos
Fotografando as cores dela
Suave brisa
Noturna canção
De beleza rara
Duas paixões: tu e ela
@psrosseto
REPLETOS
A vida
Tão intensamente
Colados
Que nem precisamos
Estar juntos
Pra nos sentirmos
Mais pertos
Completos
Refletidos
Tocados
Repletos
INFINDÁVEL
Velas içadas fartam-se aos doces ventos
Passeiam destemidas em suas profundezas
Sentindo livre o suave sabor de navegar.
Quando cruéis noites de inverno castigam
Necessito corrigir o rumo, tornar preciso
O equilíbrio exato entre as ondas e o cais
Ou ante as calmarias que a tudo desligam.
Sigo assim solitário em ti recitando a loucura
Entre não retroceder ou arriscar a deriva
Parecendo infindável e eterna a procura.
Marujo, a um só tempo capitão e timoneiro
Sou eu o leme, a ancora, o casco e a estiva
Dessa indelével nau da qual sou passageiro.
ESTROFES
Recolher palavras e dispor
Uma a uma em cada verso
Peneirar ideias
Externar sentimento
Desenhar emoção
Passa ligeira impressão
De que ainda haverá
Melhor poesia
A qualquer momento
Ah esse exercício incessante
Sem explicação ao perfeito
Torna-se vício
Escrevo e esqueço
Depois releio e me encanto
Por isso atrevo a continuar fazendo
Cada poema que faço
DESCALÇA
Nessa casa tão vazia
Em que você pisa descalça
Chama suas verdades
E você entedia
O sofá por onde deita
A cama em que namora
Hoje vai estar sozinha
Pela vidraça da janela
Seu olhar sai e passeia
Tudo de você me procura
Tudo em você me anseia
Porque sabe que a distância
Vigio os teus segredos
E você adora
PERDIDAMENTE
É delicadamente tatuar no peito
Todas as maneiras de ser romântico
Dividindo o amor intensamente
Entregar à flor o brilho de um sorriso
Recostar felicidade onde houver choro
Construir sonhos de paz em plenitude
Recolocar a esperança onde preciso
Reacender e reviver cada momento
Buscar discernimento e maturidade
Mantendo-me eternamente menino
Ser instrumento e som dessa necessidade
De me enamorar por ti a cada novo vento
Perdidamente amando-te a todo instante
ENGANO
Grita dos confins
Voz que chama
Que declama
Benfazeja voz
Que pelo universo
Espalha-se
Mesmo que paciente ecoe
Tao perto de mim
Eis evidente o despreparo
Engano do meu ser:
Embora insista achar
Que Tua presença
Seja só um vento lá fora
Provas-me a crer
Às vezes não ouço nítida
Por entender que moras além
Dos interesses que mantém
O pouco que consigo escutar
Para bem sobreviver
Mas dobro-me
Sempre que meu espírito canta
Ou minha hora chora
PENSANDO
Cajá, uvas, pêssego, kiwi, melão
Leite condensado ou açúcar
Ligeira e repetidamente batidos
Dentro desse cristalino quinto copo
A essa hora de sábado
Recostado num sofá
Pensando
Pensando
E pensando-te
Que me põe vermelho
Senão essa cubica e lisa
Pedra de gelo
Comentários (2)
Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.
quantas verdades com perfeição!
Paulo Sérgio Rosseto nasceu em Guaraçai, SP, na manhã de 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina. Seus irmãos são Fátima Aparecida e Delermo de Jesus. Em 1966 seu primeiro poema (MEU CACHORRINHO) foi publicado no Jornal da Cidade (Folha de Guaraçai), destaque de um concurso de escritores mirins promovido pela escola local que frequentava.
A familia Rosseto muda-se para Selvíria/MS em 1968 e em 1970 mudam-se para a Cidade de Três Lagoas, também no MS. Entre 1974 e 1981 estudou nos colégios internos Salesianos de Araçatuba/SP, Campo Grande/MS, São Carlos/SP e Alto Araguaia/MT. Ainda em 1981 retorna para Três Lagoas. Casou com Soraya em 1984, com a qual tem dois filhos (Thais e Yuri).
Reside na Cidade de Porto Seguro/Bahia desde 1988.
Em Três Lagoas estampava seus poemas no Jornal do Povo, tendo publicado em 1982 o Livro O SOL DA DOR DA TERRA; em 1984 O Livro MEMORINHA - POEMAS INFANTIS e em 1985 o Livro ATO DE POEMA E UMA CANÇÃO e 1986 AMOROSIDADE.
LIVROS RECENTES:
CRÔNICAS ABERTAS - Poemas - 2018
DOCES DOSES de POESIA - Aldravias - 2018
VERSOS de VIDRO e AREIA - 2019
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - 2019
LÁ PELAS TANTAS DA VIDA - 2019
FAZENDA HAICAIS - 2020
ABELHINHA PEQUETELLA - 2020
POETA ENTRE COLUNAS - 2020
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - Vol.2 - 2020
NAS ASAS DAS HORAS - 2020
BULBOS diVERSOS - 2021
SONETOS ESQUISITOS PARA NINAR MOSQUITOS - 2021
BORDEJAR - 2021
PLENO ESTADO DE POESIA - Poemas Reunidos Até Aqui - 2021
Membro da ALB - Academia de Letras do Brasil - Cadeira 18 - Seccional Porto Seguro/Ba.
Membro da ALSPV - Academia de Letras Sociedade dos Poetas Virtuais - Cadeira 38.
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