Lista de Poemas
SAUDADE
Simplesmente uma ausência
Dessas que a gente ganha
Quando se desmancha
Aquilo que a gente sonha
Na verdade é saudade
Dessa que se instala e apossa
Dói e continua doendo
Arrasta-se por um tempo sem fim
E permanece corroendo
Nem dá tempo de pensar
Quando vê já está sofrendo
Às vezes demora passar
Mas não seria solidão
E sim somente ausência
RECOMEÇO
Cumprindo apaixonado
Quando derreto ao olhar teus olhos
Encantado ao ouvir o canto
Lírico intenso da tua voz
Adolesço ao sentir teu cheiro
Cumpro o que ordena o ímpeto
Dispenso as formalidades
Que me prendem
Aos teus mistérios insanos
Flutuo vendo tua beleza
Lembrando que remoço
Porque volto sempre ao começo
E te repito e recomeço
NOITE LENTA
Que não estás
Que não vens
Que não sabem por onde deitas
Demoro eu a perceber
Que a solidão me desfaz
Arrebenta-me
Intranquiliza e me aquebranta
Mas sabemos que não precisamos
Tocar-nos para estarmos completos
Tão repleta é nossa sintonia
Abraço-te na distancia e te envolvo no abraço
Que só existe no lado interno do peito
Deixe que as horas lerdas se sucedam
E que a noite lenta retarde meu sono
Assim mais e mais te sonho
E te imagino tão perto
A ponto de estar em ti
Apesar do abandono
ATÉ O ULTIMO INSTANTE
De esquecer essa saudade
Voltar àquela esquina
Acostumar-me a estar sozinho
Escalar outros encontros
Arriscar por novos ritmos
Jogar fora velhas folhas
Ilegíveis e sem nexos
Deletar fotografias
Revisar alguns escritos
Retornar lá no começo
Desfazer tolas manias
Repensar certas bobagens
Não ser tão intolerante
Deixar de ser inocente
Enfrentar minhas fraquezas
Resistir aos teus encantos
E se nada for possível
Danem-se fatos e mundo
Disfarço essa tristeza
Saio à tua procura
Até o ultimo instante
DETALHES
Mínimas porções que parecem insignificantes
Que o tempo se encarregaria de guardar e resguardar
Em cantos mínimos da memoria
Mas a você digo com intensa naturalidade
Que até parece estar recompondo detalhes
E revivendo determinados momentos
Assim trocamos impressões cotidianas
E vamos confessando e nos aprendendo
E nos apaixonando por nossa própria historia
PENSAS E SENTES
Que gostas de ouvir de minha boca
Da fragrância do perfume que te inebria
Da cor que te atrai
Aroma que te desperta
Dos pontos que te põe ansiosa
Quando minha mão te toca
Dos teus gostos refinado
Teus desejos mais secretos
Tua fé inabalável no deus que acreditas
Tuas doces vaidades
Tuas doses de alegria
Conheço-te tão própria e intrínseca
Com tal e qual intensidade
Além do que de mim mesmo saiba
Pelo que pensas e sentes
Amo-te cara poesia
PEDAÇOS DE MIM
Damos a entender que estamos alquebrados
Divididos ao meio, prostrados e tortos
Fadados ao desterro, condenados e em desespero.
Não são estes os pedaços de mim que desejo evidentes
E sim os de contentamento e profusa exaltação.
Bem aventuradas partes do meu ser quando trazem contentamento
Bem aventurados momentos do meu tempo que produzem alegrias
Bem aventuradas as horas do meu dia que constroem otimismo
Bem aventurados os olhares que transmito, os silêncios que distribuo
Bem aventuradas as palavras que propalo, as ideias que espelho
Bem aventurados os segredos que te conto para teu discernimento
Bem aventuradas as lições que retribuo quando aprendo o que ensinas
Bem aventurados os apelos que te faço para que também melhores
Bem aventuradas as paixões vivenciadas escolhidas como pérolas
Bem aventurados todos os nossos encontros e os diálogos que mantemos
Sejam benignas as porções que me reparto
Os fragmentos e estilhaços que por mim tocam teu ser
As frações que te alcançam e complementam
As fatias que se somam aos prazeres que te acrescem
Porque és parte
Somamos pedaços
Unindo ao todo o que nos torna então inteiros
E POR VEZES
Discordo eu
Do que pensas
Porque tenho
Os meus próprios
Conceitos
É teu direito
Entender como queiras
Desde que a mim
Me respeites
Por bem querer-te
Com ternura
Te respeito
MENININHAS
Dão-se as mãos
Pulam amarelinha
Cantam modinhas
Balançam na gangorra
Passam anel
Se escondem escondem do mundo
Jogam peteca e bola de meia
Contam estrelinhas
Lambem a lua
Tomam sorvete com caramelo
Lambuzam-se de chocolate
Lacrimejam
Ardem de lampejos
Beijam-se carinhosamente quando se veem
Entrelaçam os olhares
Solfejam cada uma das notinhas
Recitam as letras do alfabeto
Assim fazem nossas menininhas
Dos olhos quando se cruzam
Loucas de desejos
TODO MUNDO SABIA
Milho assado na brasa
Churrasco ‘fogo de chão’
Torresmos na frigideira
Queijo coalho sobre a grelha
Peixe na telha e arroz de suã
Na lenha acesa do fogão
- Dessas nossas gulosas manias
Todo mundo bem sabia
Do vinho nobre junto à lareira
Nossas mãos aquecendo-se
Sobre a leve pálida chama
Crepitando na escuridão ;
Das modas cantaroladas
Soladas ao violão
Vigiados por estrelas
Beijos de lábios molhados
Bebericando enluarados licores
Nas noites de cantoria
- Das nossas doces estripulias
Todo mundo já sabia
Dos corações apaixonados
Olhos felizes namorando
A volátil fissura de enamorar
Pela noite inteira lambuzados
Todo mundo até sabia
O que ninguém entenderia
Seria explicar o que hoje se espalha
Que tudo aquilo que ardia
Foi tão só fogo de palha
Comentários (2)
Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.
quantas verdades com perfeição!
Paulo Sérgio Rosseto nasceu em Guaraçai, SP, na manhã de 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina. Seus irmãos são Fátima Aparecida e Delermo de Jesus. Em 1966 seu primeiro poema (MEU CACHORRINHO) foi publicado no Jornal da Cidade (Folha de Guaraçai), destaque de um concurso de escritores mirins promovido pela escola local que frequentava.
A familia Rosseto muda-se para Selvíria/MS em 1968 e em 1970 mudam-se para a Cidade de Três Lagoas, também no MS. Entre 1974 e 1981 estudou nos colégios internos Salesianos de Araçatuba/SP, Campo Grande/MS, São Carlos/SP e Alto Araguaia/MT. Ainda em 1981 retorna para Três Lagoas. Casou com Soraya em 1984, com a qual tem dois filhos (Thais e Yuri).
Reside na Cidade de Porto Seguro/Bahia desde 1988.
Em Três Lagoas estampava seus poemas no Jornal do Povo, tendo publicado em 1982 o Livro O SOL DA DOR DA TERRA; em 1984 O Livro MEMORINHA - POEMAS INFANTIS e em 1985 o Livro ATO DE POEMA E UMA CANÇÃO e 1986 AMOROSIDADE.
LIVROS RECENTES:
CRÔNICAS ABERTAS - Poemas - 2018
DOCES DOSES de POESIA - Aldravias - 2018
VERSOS de VIDRO e AREIA - 2019
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - 2019
LÁ PELAS TANTAS DA VIDA - 2019
FAZENDA HAICAIS - 2020
ABELHINHA PEQUETELLA - 2020
POETA ENTRE COLUNAS - 2020
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - Vol.2 - 2020
NAS ASAS DAS HORAS - 2020
BULBOS diVERSOS - 2021
SONETOS ESQUISITOS PARA NINAR MOSQUITOS - 2021
BORDEJAR - 2021
PLENO ESTADO DE POESIA - Poemas Reunidos Até Aqui - 2021
Membro da ALB - Academia de Letras do Brasil - Cadeira 18 - Seccional Porto Seguro/Ba.
Membro da ALSPV - Academia de Letras Sociedade dos Poetas Virtuais - Cadeira 38.
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