Lista de Poemas
IMPETUOSO
Diante da tua beleza
Pois quando te percebo me sinto trêmulo
Como a bandeira que tremula ao vento
Presa ao próprio pêndulo
De um único fio do teu cabelo
Eu sou teu artífice e vértice
Tu a hélice que impulsa além da bússola
Que me prende e norteia ao curso
Íntimo que em mim navega
Carrega-me e me refaça
Doma meu ímpeto a conter-se
Ou desnuda se embriaga comigo
Do mesmo beijo voraz do vinho
Vertido da mesma taça
CEGUEIRA
Olha-me com mais cautela
E se duvidares do que te aconselho
Pergunte de mim ao meu espelho
Te dirá verdades
Que talvez não estejas preparado a entende-lo
Se te apresento insossa
Foge dos teus preconceitos
E por certo e direito de imagem
Teus conceitos suprimem
O que entendes por beleza
E se teu crítico olho não enxerga
As razões que a ti me põe feia
Abandona a nave que transponde
Os espaços chochos da tua cegueira
Depois ria do que vires
Das graças que te roeram sem saber onde
A PALAVRA
Um olhar de qualquer cara
Alimenta guarnece e acalma
Mas a palavra efervesce da língua
Porque nasce do pensamento
E explode da garganta única
Esplendida quando arrebata
Intensa porque arrebenta
Intrínseca quanto a navalha
Que presa por entre os dedos
Desliza mansa na face
E delicadamente ceifa
Separa e corta da alma
O pelo da pele morna
E a identidade dura da cara
Já sem olhos risos e boca
No espectro da carne morta
Que a maquiagem escorre e desmascara
A palavra desnuda a máscara
Do involucro da vaidade
Assim se apodrece e renasce
Enquanto a idade anseia
A vida semeia o solo
E a gente floresce e passa
EXPERIENTE
Paulo Sérgio Rosseto
Tua unha tatua
Teu nome em minha pele nua
Rabisca irregulares traços
Pelo dorso e pelos braços
Crava aferrada em meu peito
Além dos pelos
Além dos poros
Além da epiderme
Já na carne
Por entre as veias no sangue vertente
Depois teu lábio assopra e a língua lambe
E enquanto se lambuza experiente
E o lóbulo da tua orelha mordo
Simplesmente acordo
DEVIDAMENTE
Fingindo-se revestido
Porém sem enganar-se
Por já estar devidamente
Preparado e amadurecido
Diante da própria vida
Ama-la é despir-me para abraça-la
Da mesma forma que a sinto despida
Quando te tornas grata
Por alçar-me a ti
E eu a ti por alcança-la num abraço
Enquanto a gente ama
Sonha-se o quanto possa
ÚNICA
Tão generoso e perfeito
Desnecessita do contato interposto
Pois quem se desmancha é a alma
Muito além da física atitude
De quaisquer pressentidos toques
Habituais de quem ama
Nossos predicados unem gostos
Completam as vontades
Afinidades reveladas
Prazerosos desejos
Sublimando os sentidos
Tu me queres eu te preciso
Necessitas-me enquanto replica
A sonoridade que identifica-nos
E torna a ausência obsoleta
Quando desmistifico-te
Sinto-me única e completa
REPETE
Entre meus dentes
Mordisca-lo com os lábios levemente
Sentindo o cheiro do tímpano
E com a úmida ânsia
Sentir o gosto da cera
Meus olhos vendados por teus cabelos
Roçando ardendo minha testa
E o coração acelerando
Saltitante fazendo festa
E a língua peregrina e certa
Massageando mergulhando insensata
Qualquer detalhe que nos toma
Demarca infinitamente
O que a gente busca descobre e gosta
E depois relembra marca e repete
AMANTES
Lado a lado
Juntos no pensamento espelhados
Bailando enamorados
No momento do brinde ao vinho
Na hora do café singular
Mansos detalhes espalhados
Pela casa
Sobre a mesa e a cama de cada um
Onde disfarçam fingindo desapercebidos
Que amam
Independentemente de estarem ou não
Sendo amantes e amados
O CHEIRO DA TUA PELE
Único e diferente
É esse amável carinho
Que nos envolve e fica assim
Impregnado entre a gente
Instado e sobreposto
À flor dos nossos poros
Em meio à penugem rala
Regado a raro balsamo álamo
Avivado e ávido
Está nosso apelo
Roçando-nos indulgente
Levo-te comigo imponente
O odor da tua pele entranhado
E deixo envolto contigo
O calor do meu corpo
Em cerdas no travesseiro
Para que sintas meu cheiro
TÃO LONGE E PERTO
Desconhecido mistério da razão
Que vive tão longe quanto um átomo
Ou tão incontrolável e perto
Feito a vastidão das areias
Deserto e solidão do apego noturno
Vocábulos descritos tatuados
Injetados nas veias
Reservados em talhas de madeira
Adormecidos pela noite inteira
Fazer amor contigo
É sorver velhos vinhos
Enquanto escondidos anseiam
Quando revelados embriagam
Se provados incendeiam
Comentários (2)
Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.
quantas verdades com perfeição!
Paulo Sérgio Rosseto nasceu em Guaraçai, SP, na manhã de 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina. Seus irmãos são Fátima Aparecida e Delermo de Jesus. Em 1966 seu primeiro poema (MEU CACHORRINHO) foi publicado no Jornal da Cidade (Folha de Guaraçai), destaque de um concurso de escritores mirins promovido pela escola local que frequentava.
A familia Rosseto muda-se para Selvíria/MS em 1968 e em 1970 mudam-se para a Cidade de Três Lagoas, também no MS. Entre 1974 e 1981 estudou nos colégios internos Salesianos de Araçatuba/SP, Campo Grande/MS, São Carlos/SP e Alto Araguaia/MT. Ainda em 1981 retorna para Três Lagoas. Casou com Soraya em 1984, com a qual tem dois filhos (Thais e Yuri).
Reside na Cidade de Porto Seguro/Bahia desde 1988.
Em Três Lagoas estampava seus poemas no Jornal do Povo, tendo publicado em 1982 o Livro O SOL DA DOR DA TERRA; em 1984 O Livro MEMORINHA - POEMAS INFANTIS e em 1985 o Livro ATO DE POEMA E UMA CANÇÃO e 1986 AMOROSIDADE.
LIVROS RECENTES:
CRÔNICAS ABERTAS - Poemas - 2018
DOCES DOSES de POESIA - Aldravias - 2018
VERSOS de VIDRO e AREIA - 2019
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - 2019
LÁ PELAS TANTAS DA VIDA - 2019
FAZENDA HAICAIS - 2020
ABELHINHA PEQUETELLA - 2020
POETA ENTRE COLUNAS - 2020
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - Vol.2 - 2020
NAS ASAS DAS HORAS - 2020
BULBOS diVERSOS - 2021
SONETOS ESQUISITOS PARA NINAR MOSQUITOS - 2021
BORDEJAR - 2021
PLENO ESTADO DE POESIA - Poemas Reunidos Até Aqui - 2021
Membro da ALB - Academia de Letras do Brasil - Cadeira 18 - Seccional Porto Seguro/Ba.
Membro da ALSPV - Academia de Letras Sociedade dos Poetas Virtuais - Cadeira 38.
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