Lista de Poemas
DESCASO
Por não comer
Mas jamais vergonha em não partilhar
Tuas insanas farturas
Mesmo assim não é triste
Apenas talvez resista
E resistir às vezes é digno e direito
Por ser difícil entender
Quão indigno é o que se assiste
Desse lamentável avaro abandono
Meu país não inveja
Apenas padece e rasteja
Enquanto houver tua gula
E despreparo
VIRTUALMENTE
Que a ternura aflora
Que as mãos se encontram
Braços se tocam
Coração dispara
Aquele momento
Que a gente espera eternamente
Como este agora
Então, beijar teus olhos
Seria simplesmente apaixonante
Docemente instigante
Sei que sentes
Ainda que distante
Virtualmente
AVENTURAR-SE
Justamente porque na vida
A vida toda é simples aventura
Dessa mistura de presente e passado
Ai de quem não aventurar-se
Antigamente achava eu que o futuro
Fosse o imensamente distante
Hoje sei que o bastante vivido
Nada fora senão um ilhéu no arquipélago
Das circunstâncias do meu mar de anos
Tudo o mais são respostas que eu encontrar
IMPUBLICÁVEL
Como escrevessem poemas na face dos lábios
Enquanto passeassem desapercebidos
Por entre os pelos encaracolados
Fazendo carinhos ritmados
Encravando as unhas riscando as coxas
Entremeando as mãos alisando os seios
Extasiando sozinha como quem conquistasse
A síntese do prazer encimado de estrelas
Contento-me em pensar que me sonhas
DOCEMENTE
Não se deixam tornar poesia
Insistem em não rimar
Destoam do bojo da ideia
Fogem arredias da palavra onomatopoese
Não aceitam não estar entre pontos espaços e virgulas
Há mesmo quem se feche para a fantasia
Deteste o incrível figurativo
Eu vivo poetando imaginativo
Dentro das tuas pupilas
Cultivando pétalas ao sol da meia noite
No claro vão do olhar da tua janela
Esperando que teus lábios desejosos
Me beijem docemente os olhos todos os dias
EXISTO
Não sei se é verdadeiro
Pensar no existir às vezes é omisso
Seria como remeter a um início
O que se encerrou sem ter princípio
E principiou-se por ter sumido
Às vezes penso que posso
O que não é permitido refletir
Aquilo que se imagina sentir
Por unicamente pensar existir
Sem nenhum fundamento
Cabível dentro do pensamento
Por isso sigo as regras dos mortais
Ou seja, vivo entre possíveis rituais
Que me fazem pensar que se penso
Logo sinto e vivo um pouco mais
NADA
Onde o rio se deita
E solícito escorre
De repente sou a margem
Que delineia o córrego
E o líquido esbarra e some
De repente sou a praia
Perfeita de espumas
E a maré consome
De repente sou a pedra
Que esbarra as ondas
E desvia os ventos
De repente não sou nada
Nem ponte nem margem nem praia nem pedra
Sou apenas fonte onde a agua medra
DISFARCES
Se a mentira inventa olhares
Impossível dissimular o tremor
Se o suor aflora da fronte
Impossível camuflar a ansiedade
Se o corpo todo interage
Impossível esconder as palavras
Se os lábios balbuciam e entreabrem
Impossível esquecer os caminhos
Se os passos buscam os rastros
Impossível reter a saudade
Se o coração inquieto espera
Impossível separar as razões
Do amor que em si revela-se
Desnecessário negar os disfarces
Quando a paixão se aclara
ABSOLUTAMENTE
Quando já evidente
Seja absolutamente
Humano ou místico
Do oceano vê-se somente a superfície
Do infinito
Aquilo que o olho enxerga à frente
Cru ou verdadeiramente artístico
Somos o engano da aparência
Quando achamos que o belo
Docemente deixa de ser feio
E a feiura traduz-se
Por desconforto impertinente
Conceituamos por beleza
O que nos apreende
E repreendemos na grandeza
O que recusa o absurdamente
Se mal acreditamos no real
Que dirá deus de nossa mente!
ECLIPSE
Há um universo feito de páginas
Repletas de palavras e espaços
Completas por estrofes e versos
Dos poemas que te faço
Das poesias que se alojam
Nas historias que te conto
Nas canções em que te canto
Nos salmos que te dedico
Nas loas que te proclamo
Quando te declamo e recito
Silencio, balbucio ou grito
Entre a luz e o lusco-fusco
O breu e o crepúsculo
Mostras-te face a face
Tu te revelas e eu te escuto
Comentários (2)
Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.
quantas verdades com perfeição!
Paulo Sérgio Rosseto nasceu em Guaraçai, SP, na manhã de 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina. Seus irmãos são Fátima Aparecida e Delermo de Jesus. Em 1966 seu primeiro poema (MEU CACHORRINHO) foi publicado no Jornal da Cidade (Folha de Guaraçai), destaque de um concurso de escritores mirins promovido pela escola local que frequentava.
A familia Rosseto muda-se para Selvíria/MS em 1968 e em 1970 mudam-se para a Cidade de Três Lagoas, também no MS. Entre 1974 e 1981 estudou nos colégios internos Salesianos de Araçatuba/SP, Campo Grande/MS, São Carlos/SP e Alto Araguaia/MT. Ainda em 1981 retorna para Três Lagoas. Casou com Soraya em 1984, com a qual tem dois filhos (Thais e Yuri).
Reside na Cidade de Porto Seguro/Bahia desde 1988.
Em Três Lagoas estampava seus poemas no Jornal do Povo, tendo publicado em 1982 o Livro O SOL DA DOR DA TERRA; em 1984 O Livro MEMORINHA - POEMAS INFANTIS e em 1985 o Livro ATO DE POEMA E UMA CANÇÃO e 1986 AMOROSIDADE.
LIVROS RECENTES:
CRÔNICAS ABERTAS - Poemas - 2018
DOCES DOSES de POESIA - Aldravias - 2018
VERSOS de VIDRO e AREIA - 2019
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - 2019
LÁ PELAS TANTAS DA VIDA - 2019
FAZENDA HAICAIS - 2020
ABELHINHA PEQUETELLA - 2020
POETA ENTRE COLUNAS - 2020
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - Vol.2 - 2020
NAS ASAS DAS HORAS - 2020
BULBOS diVERSOS - 2021
SONETOS ESQUISITOS PARA NINAR MOSQUITOS - 2021
BORDEJAR - 2021
PLENO ESTADO DE POESIA - Poemas Reunidos Até Aqui - 2021
Membro da ALB - Academia de Letras do Brasil - Cadeira 18 - Seccional Porto Seguro/Ba.
Membro da ALSPV - Academia de Letras Sociedade dos Poetas Virtuais - Cadeira 38.
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