Escritas

Lista de Poemas

PRECISO IR CONTIGO

Preciso ir contigo
A qualquer lugar que nos caiba

Aonde a gente saiba devagarinho passar
Sobre as bem-vindas ondas das horas
Passear por amareladas alas de sol
Ouvindo os apelos de qualquer lugar
Sentir as moléculas da alma fresquinha
Respingarem bailando alegres em névoas e bolhas
Alisando a saudade pelas pernas

Quero simplesmente e de verdade
Passear de mãos dadas agora
Aonde a gente vá e volte
Muito além dos sustos das superfícies
E juntos na emoção amiga do afeto

Que dentro ou fora esse passeio seja imenso
Que juntos seja pleno
E perfeito enquanto intenso
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SOU EU

Todo dia ando
Perdidamente em busca de mim
Porque sei que buscando-me
Nesta incessante aventura
Arrisco encontra-la
Em minha procura

Será bonito vê-la íntima
Generosa infinita
Gerando uma estrela

Bonita tua silhueta
Bela o que à vida estás trazendo
 
O mundo te aguarda
Mas silenciosamente sou eu
Quem te busca aguarda e espera
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ENCARACOLADOS

Quero morar sob um teto
Coberto pelos fartos fios
Dos teus cabelos dourados

Quero deitar recobrindo meus olhos
Com os cheirosos fios suaves
Dos teus cabelos dourados

Quero perder-me em tua face
Cercada pelas mechas brilhantes
Dos teus cabelos dourados

Quero beijar tua fronte
E morder teus lábios vermelhos
Entre teus cabelos dourados

Quero amarrar os meus sonhos
Às tranças charmosas longínquas
Dos teus cabelos dourados

Quero desnudar os teus seios
Camuflados pela orla rosada
Sob os teus cabelos dourados

E quando molhar seca-los
E quando despentear escová-los
E quando embolar penteá-los
E quando soltos prendê-los
E quando presos solta-los
Cheirosos entre meus dedos

Quero alisar teus cabelos
Imaginando teus pelos
Aloirados macios pequeninos
Encaracolados
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SUTIL

Sou tão lascivo quanto pressupunha
O sentimento do sutil amor que insiste
Em tornar-me ausente por ser volúvel
E libidinoso sendo ser por si inconsistente

Nem triste enquanto sonhador inveterado
Nem apavorado pela impossibilidade
Em não saber esperar o tempo reverso
Quando de amar em vão tenha me curado

Sei que ser poeta é estar só entre escolhas
Se livre entre pensamentos sem juízo
Escravo das vontades levianas diferentes

Sou essa releitura misturada de aprendiz
Brincando sério com amores aparentes
Inconformado das escolhas como amante
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MEUS GRANDES AMIGOS

Meus grandes amigos
No entorno do esquife certamente mentirão
Aos anjos:

- Deveria ele ter estado mais à mesa
Ter tido mais apego à avareza
Ainda mais parceiro da luxuria
Vivido com um pouco mais de raiva
Ter sido além com a inveja
Desfrutado melhor do ócio e da preguiça
E mais parceiro da soberba

Então dissimulado e sem pecado
Permanecerei passivo absorto
Sem esboçar sequer um sorriso
Fazendo-lhes cara de morto
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INTENSO

Nosso coração é pulsante sobrado
Dividido em dois pavimentos
Interligados por degraus assimétricos
De uma escada pensa
Onde nossos espíritos habitam
Cercados de intensidades

Pelo térreo se espalham, cozinham
Trabalham, produzem, descansam
Junto aos alicerces e raízes
Do quintal florido murado

E lá por cima
Do assoalho e sobre a cama
Amam, sonham, meditam, repousam
Reservando às janelas da alma
Os valores que nossas vidas compensam

Por isso vivemos apaixonados
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UM ABRAÇO

Desejo a sombra da árvore
De uma copa que recolha meu cansaço
Abrigue meus silêncios
Sossegue e seque o suor dos meus braços
Refaça esse ser que morre e canta
E renasce em seu próprio canto

Nem precisa sementes fruto e flores
Basta-me a sombra e talvez pássaros
Pousados entre folhas e galhos
Espiando meus sonhos
Inspirando meus ânimos
Para novos passos
 
Preciso a sombra da árvore
Como quem deseja um abraço
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AVENTURA

O que será mais intrigante
Mais densa e intensa e bonita
A vida a morte ou o mar?

Diante do universo da vida
Nos achamos imensos
Mas de tão bela e infinita por vezes tememos

Perante os mistérios da morte
Nos vemos instigantes
Mas de tão indefesos e improváveis quedamos

Da beira do mar tão gigante
Que tanto renasce quanto arrebata
Apenas enxergamos a superfície da espécie

Assim continuamos partícipes da aventura
Sorrindo o riso de quem navega
Chorando a morte de quem parte
Aplaudindo o choro de quem nasce
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DESENHOS

Embora  raie  o  dia  nos  tons  da  íris
Por  vezes  não  enxergo
A  cor  maior  que  azuleja
O  matiz  do  firmamento

Claro  azul  do  jeans  nos  retratos  das  estrelas
Azul  ainda  verde  e  maduro  da  fruta
Raios  do  fogo  do  momento  da  boreal  aurora

Imagine  fossem  também  azuis
O  rude  asfalto  e  as  rampas  dos  telhados
A  noite  azul  escura  refletiria  surreais  desenhos
E  a  neve  azul  em  lava  escorreria  exata  pela  terra

Seriam  ainda  azuis  os  reflexos
Dos  meus  sonhos
Nos  ciscos  dos  teus  olhos
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QUANDO OUÇO O VENTO

Quando ouço o vento
Zunir em uivo desmedido
Intempestiva palavra sibilante
Cantas ao meu ouvido
Sopras sentido e alento à vida
Compreendo que me tomas

Sentir o ar na pele
Arfar o mesmo ar no peito
Respirar é pontual sentimento
Da intensa grata ação
Da certeza de estar vivo

Enquanto respira e venta
Segue esse veleiro
De casco navegado e bruto
De asas quase recolhidas
Mas ainda içadas e acesas
Pelo infinito viril oceano

Até que eu timoneiro
Entenda que não mais navegue
Rume-o ao estaleiro
Antes que se desmantele
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Comentários (2)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2026-01-02

Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.

Rodrigo Marques
Rodrigo Marques
2017-11-27

quantas verdades com perfeição!