Lista de Poemas
INOCÊNCIA
Se as bocas que em outras bocas deliciam-se
A tua e a minha imaginam-se juntas
Se as mãos ausentes não se tocam
Acalmam-se porque se entendem íntimas
Se os olhos somem na volúpia dos passos
Encontram-se nos olhares radiantes
Importante amor quando amar significa
Suprimir qualquer distância oculta
Inocente seria acreditar ser esta busca
Um derradeiro poema destes escritos
Continuam feitos entre verdades absolutas
Atrevidos, perfeitos e intimamente nossos
DISPERSO
O rumo que me toma independente da escolha
A forma que abraça desde que abençoe e acolha
O que trago de caule mas também do fruto
Que se molha da mesma chuva que escorre do galho
Que encharca a raiz após ter lavado a folha
E se a semente seguir o destino da enxurrada
Em algum momento tenha abrigo no colo da terra
Podendo ser planta e também florir e frutificar
E alimentar uma nação ou somente um pássaro
Mas que ao matar a fome cumpra-se essa missão
De ser simples ao ser intensa mesmo que dispersa
***Do Livro EM ESTADO DE POESIA - 1ª Ed. - 2019***
MINHA CASA DE PALAVRAS
Qualquer ideia pode soltar as telhas
Um sentimento destravar as portas
Entreabrir janelas, rebuscar as letras
O meu lar é feito de reversas paredes
Decoradas de verbos sempre no infinito
Sobre alicerces que sustentam vocábulos
Despreocupados de quem os vai conceituar
Pelos cômodos espalhados pensamentos
Mesas e cadeiras em forma de estrofes
Das torneiras escoam argumentos
Que enxaguam o desnecessário de cada poema
Meu ofício está na insistente feitura
Daquilo que o ócio e o amor chamam poesia
Deito-me sobre a gramatica prática e crua
Acoberto pelo beneplácito da tua leitura
E quando introspecto posso suar alegrias
E quando alegre remoer intensas tristezas
E apesar das claras e evidentes transparências
Secretas são as paixões habitadas nessa moradia
***Do Livro EM ESTADO DE POESIA - 1ª Ed. - 2019***
PERSEVERANÇA
Sempre me reparte ao meio
Se leva uma parte contente
A outra parte desconexa
Se descontenta, desleixa
E se deixa perplexa, desconecta
Torna-se um suplicio
Essa metade sem a outra
Uma banda faltando um lado
Incompleta sem um pedaço
Meia face da face inteira
A parte que segue chora
A metade que fica sente
Contentam-se com o que possa
Dissimular a ausência
E quando regressa festam repletas
De resto é perseverança
NO VISGO DAS CERAS
Deveria descrever as dores
Das palavras estranhas
Nos diversos momentos
Em que nascem os poemas
São de estanho estes versos
Rusticamente feitos à mão
Frutos do aço que entalha a madeira
Lâmina dentada recortando a pedra
Que se torna lápide inerte
Pois as intenções decompõem-se
Com os cegos dias estranhos
Porem os sonhos e apegos
Perpetuam-se sem ser perpétuos
Embalados no visgo das ceras
Ainda que esfarelem os amores
Ficam as boas ou más lembranças
Coladas pelas esperas
É TUDO SOBRE VOCÊ
Toda a neve do mundo se tornarão cores
A aurora de cada dia terá diferentes brilhos
Um por um entardecer escorrerá mais puro
Todos os caminhos serão mais curvos
Porque nas sinuosidades das voltas
Colheremos livres flores no entorno dos retornos
Engana-se que o amor faz vínculo com a estrada reta
Paixão alguma enceta a lógica do concreto
Coração nenhum é discreto quando apaixona
Nem compassado bate quando de saudade enche
Amar alguém é entender de si próprio e dar-se
Afoito intenso propenso impetuoso e poeta
Arremetendo ao futuro a estação presente
É tudo sobre você o que escrevo e sinto
Cada verso e poema desse livro aberto
Desnecessário explicar minha alma feminina
Bem sabes que são todos teus meus versos
***Do Livro POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - 1ª Ed. - 2019***
SINA
Roça as tranças negras
Sobre o peito do velho mar
Que desperto em ondas
Arrepia a pele límpida
Desejoso de amar
Assim surgem os dias
Que contamos com as cigarras
Depois do cantar
Assim vão-se os anos tolos
Curtidos nas lágrimas salgadas
Dos oceanos do olhar
Se tristes ou alegres
Depende o navegar
TRAÇOS
Há o risco da paixão
Nem curvo nem reto
Curto, nada entrecorta
Mal começa se emenda
Longevo dura uma vida
Sozinho na palma aberta
É desenho discreto
Fechada se mistura
Ao do destino, futuro, sorte e utopia
Quando as mãos se alcançam
A gente abraça a alma
Quando postas
Se tocam em oração
Enquanto nossas palmas colam
Essas linhas ou traços de poesia
Entrelaçam-se, acrescem e jamais se soltam
Por serem simples, livres e tão nossas
Essas mãos
PECADOS
Paulo Sérgio Rosseto
Eu no princípio
Pouco antes do merecedor descanso
Recobri o planeta de verdes horizontes
Então Deus desarvorado
Achando que o que fiz ser bom porém exagero
Empenhou-se nas intermitentes derrubadas
Abrindo incríveis clareiras por toda a terra
Dividindo continentes em países e estados
Alqueires em cidades e quintais em terreiros
E vendo Ele as glebas nuas e cinzas das queimadas
Espalhou gramíneas e bois nas grandes paragens
Canaviais pelo meio das matas desoladas
Milho soja algodão café e o nada nas imensas aragens
Eucaliptos em quantidade modificando as paisagens
Asfalto e concreto sem controle e piedade
Justificando abastecer a usura dos mercados
Agora me acorda Ele
Implorando restituir o antigamente...
Oh senhor meu Deus agora é tarde
Vire-se com seus pecados!
@psrosseto
INTENSAMENTE
Somos apenas versões
Das suas fartas maneiras
Quando adolescemos amantes
Rejuvenescemos amando
Vivenciando as sagas diversas
Das paixões às vezes prósperas
Às vezes às avessas
Por isso sou forte
Nessa intensa façanha
Em busca de amar intensamente
E vulnerável quando amo às pressas
Desconheço enfim uma fórmula expressa
Cada um empreende no ritmo do amor
A própria inexperiência desde que generosa
Se minha amada é essa minha singular cantiga
Sou eu a sua valsa
Comentários (2)
Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.
quantas verdades com perfeição!
Paulo Sérgio Rosseto nasceu em Guaraçai, SP, na manhã de 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina. Seus irmãos são Fátima Aparecida e Delermo de Jesus. Em 1966 seu primeiro poema (MEU CACHORRINHO) foi publicado no Jornal da Cidade (Folha de Guaraçai), destaque de um concurso de escritores mirins promovido pela escola local que frequentava.
A familia Rosseto muda-se para Selvíria/MS em 1968 e em 1970 mudam-se para a Cidade de Três Lagoas, também no MS. Entre 1974 e 1981 estudou nos colégios internos Salesianos de Araçatuba/SP, Campo Grande/MS, São Carlos/SP e Alto Araguaia/MT. Ainda em 1981 retorna para Três Lagoas. Casou com Soraya em 1984, com a qual tem dois filhos (Thais e Yuri).
Reside na Cidade de Porto Seguro/Bahia desde 1988.
Em Três Lagoas estampava seus poemas no Jornal do Povo, tendo publicado em 1982 o Livro O SOL DA DOR DA TERRA; em 1984 O Livro MEMORINHA - POEMAS INFANTIS e em 1985 o Livro ATO DE POEMA E UMA CANÇÃO e 1986 AMOROSIDADE.
LIVROS RECENTES:
CRÔNICAS ABERTAS - Poemas - 2018
DOCES DOSES de POESIA - Aldravias - 2018
VERSOS de VIDRO e AREIA - 2019
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - 2019
LÁ PELAS TANTAS DA VIDA - 2019
FAZENDA HAICAIS - 2020
ABELHINHA PEQUETELLA - 2020
POETA ENTRE COLUNAS - 2020
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - Vol.2 - 2020
NAS ASAS DAS HORAS - 2020
BULBOS diVERSOS - 2021
SONETOS ESQUISITOS PARA NINAR MOSQUITOS - 2021
BORDEJAR - 2021
PLENO ESTADO DE POESIA - Poemas Reunidos Até Aqui - 2021
Membro da ALB - Academia de Letras do Brasil - Cadeira 18 - Seccional Porto Seguro/Ba.
Membro da ALSPV - Academia de Letras Sociedade dos Poetas Virtuais - Cadeira 38.
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