Lista de Poemas
SUAVEMENTE
Passeiam pelas teclas
Soa nos sons da alma
Uma grata sinfonia aberta
Interpretando a partitura da calma
As claves e as notas bailam nas pautas
Meu coração pulsa incerto
As tuas mãos me tocam e apertam
Com a precisão e suavidade de quem se deita
Em delírio sobre o peito de uma orquestra
Se saio sensível retorno preciso
E quando impreciso desnudo-te porque necessito
Ainda deve haver algum batom em teus lábios
Como há nos meus a vontade de um beijo
Mesmo lavados pelas impossibilidades
Escrevo este poema em teu corpo
Risco e rabisco com os dedos as linhas
Suavemente enquanto recito em teu ouvido
Porque sou sensato e não insensível
E a resposta reside nos teus sonhos
***Do Livro EM ESTADO DE POESIA - 1ª Ed. - 2019***
ORGULHOSO
Acreditava que a pedra da marina
Todo dia emergia
E lhe vinha dizer bom dia
E depois de secar-se ao sol
Dourar seus musgos e arrefecer
Mergulhava de vez e se escondia
Até novo tempo acontecer
Essa mulher conta agora à filha
Que a pedra de Taperapuan continua
Brincando de se amoitar na maré
Em sua íntima baía
E eu pai e avô mentiroso
Para sempre rirei orgulhoso
Dessa nossa fantasia
***Do Livro EM ESTADO DE POESIA - 1ª Ed. - 2019***
PELOS MARES
Tenho medo dos mares
Mesmo assim toco meu barco
Nele embarcado
Surfando estranhas águas
Vivo a vida à flor da pele
Enquanto remo essa galé
Desbravo meu mediterrâneo
Ainda que por rumo errôneo
Mas o que é o certo senão
Um conceito mero e caro
E absolutamente leviano
O que seria a ancoragem
Uma vaga entre as ondas
Um risco a qualquer plano
Vêm os ventos ou se calam
Continuo velejando
Esses males não me abalam
***Do Livro EM ESTADO DE POESIA - 1ª Ed. - 2019***
ESPUMAS
Diante dos olhos teus
Nada é senão mera espuma ilusória
Embarcada em falsa onda em movimento
Espuma desnecessária que circunda
Os cascos das embarcações aos gritos
Espuma fictícia que explode da raia
Quando a agua lambe os pés ou a pedra
Espuma sem noção que se envereda
Por um segundo filtrada pela praia
E ainda assim de tão desprotegido
Vive insignificante sem se desmanchar
Existe incompleto perdura e persiste
Porque o sentido da palavra é a densidade do infinito
E a ilusão do poeta desse tamanho do mar
***Do Livro EM ESTADO DE POESIA - 1ª Ed. - 2019***
PEÇO UM ABRAÇO
E se concordar não disfarce
Abrace
O abraço pode ser o alvoroço do pecado
Porém inefável é a versão mais plural de Deus
Ele alcança dois corações em estado de graça
E os molda e zela como se a sorte os selasse
Mas se houver ausência
Deixa que o silêncio replique
Pense como se fosse e sentisse
Pode ser ao deitar-se
Ou se acordar e lembrar-se do desejo meu
Que lhe abraçasse antes que dormisse
Deixa que esse sonho nos enlace e embale nos braços
Como se a um passeio levasse
Abraçar faz a saudade cingir um só espaço
Porque cada abraço é uma prece
Onde amar acontece
***Do Livro EM ESTADO DE POESIA - 1ª Ed. - 2019***
HÁBITOS DIGITAIS
Paulo Sérgio Rosseto
Quando chegar aquela carta que você diz ter escrito
Talvez eu não saiba mais ler um manuscrito
Acostumado que estou aos novos hábitos digitais
É possível que não decifre sua caligrafia
Ainda que cuidadosamente grafada com tinta azul
Cujas letras arredondadas já nem me dizem nada
Incrível como há também a possibilidade antes remota
De não lembrar em sentir o cheiro do sedutor perfume
Que por certo você irá aspergir por entre as pautas
E não enxergar as margaridas e corações pintados de rosa
Desenhados ao longo das margens do alvo papel
Cuidadosamente dispostos além das estrelinhas de seis pontas
Junto à carta virá também tua foto com uma flor no cabelo
Cuja dedicatória no verso dirá que eternamente me amas
E talvez eu não saiba mais entender dessas tramas ultrapassadas
E ao lado da enamorada assinatura nem me recorde em resguardar
Antes que meus olhos despertem dessa desventura louca
Um beijo do vermelho batom sagrado fruto da tua boca
@psrosseto
***Do Livro EM ESTADO DE POESIA - 1ª Ed. - 2019***
APAVORADO
Que deixando o livro fechado
A Tv desligada, o jornal dobrado e mudo o rádio
Cala a aquecida voz na madrugada
Ainda que dure somente a ingerência
De um pensamento ligeiro mal expandido
Rápida no querer de amar será essa parceira
Voraz em continuados movimentos
Prazerosa e audaz sempre estará a experiência
Que nos toma por companheiros de viagem
Quanta bobagem há debaixo das plumas
Desse pavão apavorado
Tomado de vertigem e medo
Porque logo mais o dia nasce
E deixará de ser cedo e pardo
***Do Livro EM ESTADO DE POESIA - 1ª Ed. - 2019***
O QUE É SER POETA
Deixa fluir sem formatar
As palavras virão desesperadas
Pedindo licença para entrar
E se acomodarem em cada verso
Desse universo de poesia
Amanhã sozinhas se ajeitam
Mas depois essas mesmas palavras
Exigirão que as declame
Com precisão poética e perfeita pronúncia
Deixarão de ser humildes
E se revoltarão contra ti
Caso as exclua ou deixe fora das linhas
E quando as sentir exigentes e astutas
Saberá o que elas em ti representam
Então se sentirá responsável
Por antes tê-las escondido
Nesse dia entenderá
O que é ser poeta
***Do Livro EM ESTADO DE POESIA - 1ª Ed. - 2019***
VISITA
Novamente me tomou pelas asas
Descansei em seu indicador em riste
Foi diferente porque não mais estava triste
Continuei fitando os olhos dela me observando
Seu riso claro continuava ainda mais brando
Quando em estado de graça
Levou-me até a sala contígua
E ambos a mim fizeram vivas
E como da primeira vez matei minha sede
Repus energias
Novamente certa de que tornei mais feliz
Nosso dia
Rocei as antenas num furtivo até breve
E voei ganhando os céus
Sob olhares e beijos de adeus
***Do Livro EM ESTADO DE POESIA - 1ª Ed. - 2019***
GANA
Alguns já chorados
Tantos aguardando sorrisos
Nos diversos momentos
Interpessoais
Sentimentos confortavelmente acolchoados
Estendidos sobre o tapume do coração
Travando lutas incríveis no meu ringue
Mas o que mais me deixa zonzo
É a saudade sentada num canto do octógono
Se rindo das minhas luvas desamarradas
Surradas de calçar
Não fossem os hematomas
Não haveria tanta gana
Esqueceríamos fácil da necessidade em lutar
Comentários (2)
Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.
quantas verdades com perfeição!
Paulo Sérgio Rosseto nasceu em Guaraçai, SP, na manhã de 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina. Seus irmãos são Fátima Aparecida e Delermo de Jesus. Em 1966 seu primeiro poema (MEU CACHORRINHO) foi publicado no Jornal da Cidade (Folha de Guaraçai), destaque de um concurso de escritores mirins promovido pela escola local que frequentava.
A familia Rosseto muda-se para Selvíria/MS em 1968 e em 1970 mudam-se para a Cidade de Três Lagoas, também no MS. Entre 1974 e 1981 estudou nos colégios internos Salesianos de Araçatuba/SP, Campo Grande/MS, São Carlos/SP e Alto Araguaia/MT. Ainda em 1981 retorna para Três Lagoas. Casou com Soraya em 1984, com a qual tem dois filhos (Thais e Yuri).
Reside na Cidade de Porto Seguro/Bahia desde 1988.
Em Três Lagoas estampava seus poemas no Jornal do Povo, tendo publicado em 1982 o Livro O SOL DA DOR DA TERRA; em 1984 O Livro MEMORINHA - POEMAS INFANTIS e em 1985 o Livro ATO DE POEMA E UMA CANÇÃO e 1986 AMOROSIDADE.
LIVROS RECENTES:
CRÔNICAS ABERTAS - Poemas - 2018
DOCES DOSES de POESIA - Aldravias - 2018
VERSOS de VIDRO e AREIA - 2019
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - 2019
LÁ PELAS TANTAS DA VIDA - 2019
FAZENDA HAICAIS - 2020
ABELHINHA PEQUETELLA - 2020
POETA ENTRE COLUNAS - 2020
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - Vol.2 - 2020
NAS ASAS DAS HORAS - 2020
BULBOS diVERSOS - 2021
SONETOS ESQUISITOS PARA NINAR MOSQUITOS - 2021
BORDEJAR - 2021
PLENO ESTADO DE POESIA - Poemas Reunidos Até Aqui - 2021
Membro da ALB - Academia de Letras do Brasil - Cadeira 18 - Seccional Porto Seguro/Ba.
Membro da ALSPV - Academia de Letras Sociedade dos Poetas Virtuais - Cadeira 38.
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