Lista de Poemas
À PROCURA DA HORA CERTA
Inventando estranhos costumes para usa-la
E nunca a achamos, mesmo estando despertos
Em constante sentinela
Dizem que há esse momento exato
De ventura ou de absoluto azar
De aguardar o fruto ser maduro
De ignorar ouvir o fluxo que condiz
E valorizar balelas presas no verso da antessala
Vivemos cercados de consensos e querelas
Desconhecendo os segredos da boa ou má sorte
Que nos apanham constantemente desprevenidos
Para onde nos levarão então
As facetas incineradas desses sonos mal dormidos?
PROVAÇÕES
Minhas penas pesam por dentro
Coladas às ânsias das asas da mente
Se voo e flano insensato menino
Cumpro as indesejadas sanções
Que fazem morada em meu ninho
Repreendendo os falsos modos
Liberto medos e vícios
Das plumagens da vaidade
E torno esse breve existir
O quanto possível mais leve
Suportar qualquer intempérie
Que afugente minha máscara
Do veneno que me consome
Escancara-me pecador confesso
Nada santo nada anjo nem sonso
- Porem certamente mais íntimo
Das provações do divino
E nada é mais humano que ser digno
UM FIM DE TARDE
Mas nunca se dá sozinho e sem alarde.
Mesmo após o sol ter ido de país em país
Deixa ainda costurado no tecido do céu
Por bons momentos o seu prurido.
Há sempre uma ultima nuvem ardendo
Brandamente vermelha e até entediada
De pele queimada e tecido redesenhando-se
Com qualquer brisa que lhe retoque mansa.
Alguma nuvem que tenha sumido na estrada
Que precisara descarregar sua chuva
Regado e carpido o feijão que será colhido.
Alguma nuvem igual a mim
Que passara toda a tarde a espera
De alguém transeunte de qualquer tempo.
Conheci uma estrela invisível que viajava pela terra
E todo o seu mundo era tarde porque seguia
Imprescindível recolhendo os últimos clarinhos
Iluminando os trilhos opacos do sertão dos vagalumes
E os intermináveis vagalhões dos desertos e mares.
Mas andava desviando para além das cidades
Onde as luzes sobrepunham-se ao lusco-fusco
No poluído e desumano horizonte abcesso da natureza.
Mas eu acostumara olhar para o outro lado do entardecer.
Sempre passava a minha infância de vigia
No laborioso oficio de acender a lua quando ela vinha
TEIMOSAS
Às vezes encontram-se, revezam
Condecoram, aplaudem, e retomam seus lados
As minhas mãos pouco sabem uma da outra
Ainda mais quando advertem, apontam, condenam
Cumprimentam, auxiliam ou dão adeus
– Aprenderam a gesticular sozinhas
Porem mantem uma incrédula cumplicidade de energia
Ajudam-se obvia e espontaneamente para segurar uma barra
Desatar algum nó, pontilhar a viola, carregar emoções
Destravar as janelas, encontrar os rumos
Estão é verdade repletas de solidariedade
E assim convivem debulhando situações interceptadas
Pois até quando minha mente se põe em oração
Unem-se e necessitam dessa união
Mas não se leem
Independente de onde meus pés andem
As minhas mãos precisam ser lidas por minha vida cigana
Enquanto isso folheiam livros e escrevem historias
QUANDO EU ESTIVER DE VIAGEM
Não fiques buscando-me nas estrelas
Nem permitas ser fantasma diuturno em teu jardim
- Não estarei tão longe que poderás esquecer-me
Nem tão próximo a ponto de assoprar tuas orelhas
Encontra-me nos arquivos do teu coração
Onde de certa maneira passei
Nalgum cantinho existi nas formas de emoção
E se por acaso a saudade arder mais que um segundo
Certamente irás sorrir certa de que de algum modo
Aprontei alguma boa arte em teu infindo mundo
E somente por esse disfarçado riso
Nos valerá a pena ainda estar guardado ali
ABNEGADO
Porem muito além dos teus pesares
Se desconheço as respostas que me pedes
Há tempo sarei dos males que padeces agora
E ainda que não pareça que me aflige o que sentes
Abnegado sofro enquanto teus conflitos enfrentas
Apesar da serenidade aparente
Que o momento nos impõe como meta
Suplanta tuas agonias
Supera tuas próprias dores
Enfrenta as tuas mazelas
NAVEGANTE
De olhar mil vezes ao dia
Os verdes olhos do mar
De apegar-me a maresia
Que salga o aroma nos lábios
Como se pudesse explorar
Entre os ventos arteiros
Os encantos do teu olhar
A distância dos teus navios
Nos rastos do teu andar
Então levo a certeza
Escondida no alforje
Daquele que navega a vida
Sem reter o horizonte
Tudo enxerga mas não vê
Tudo vê e pouco importa
Distinguir o sul do norte
Apenas segue cego em frente
Capaz de pescar nos rumos
De seu mundo confidente
Depois volto e é bom voltar
Porque há quem me aguarda
De braços estendidos largos
À espera das minhas águas
Na ânsia daqueles mares
Navegados entre peixes
Maresias e bonanças
Na volúpia dos bons ares
Viajantes velejados
De um único lugar
AMAR A QUALQUER TEMPO
Vicia os amantes
Alicia ao viço que se torna lícito balsamo
Entre o vício e seu vinco excêntrico
Emaranhada teia de nylon
Intrincada e sutil peça de aço
Insaciável artífice
Repousado sobre um mesmo espaço
Toda a riqueza do amor existe na abundância
De certezas afeitas aos sentimentos dominantes
Amemos incondicionalmente
DIABRURINHAS
Assim evitaremos que o mundo sofra
E se desgaste e dobre inútil por nossas sobras
Não é justo que as agruras derrubem nossos laços
Que o bagaço da impiedade sobrepunha os bons frutos
Que alguns vieses destruam as referências
Que não haja perdão aos pecados breves
Que os muros cerceiem nossos traços
Passeemos vivazes pela orla das benesses
Recolhendo as danuras que porventura resultem dores
Certamente estaremos mais leves
VULNERÁVEL
Às vezes tem medo de mim
Acredita que posso a qualquer momento
Podar uma roseira
Furtar-lhe uma flor
E isso seria uma grande perda
Pois entende que todas as suas aveludadas pétalas são
Insignes
Imprescindíveis
Insubstituíveis
De inestimado valor sem fim
Ao mesmo tempo contenta-se por servir-me
Perfumadas rosas tão saudáveis
Pois sabe que quando as levo
São para alegrar os olhos e o coração de minha amada
Realmente não compreendo meu jardim
Comentários (2)
Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.
quantas verdades com perfeição!
Paulo Sérgio Rosseto nasceu em Guaraçai, SP, na manhã de 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina. Seus irmãos são Fátima Aparecida e Delermo de Jesus. Em 1966 seu primeiro poema (MEU CACHORRINHO) foi publicado no Jornal da Cidade (Folha de Guaraçai), destaque de um concurso de escritores mirins promovido pela escola local que frequentava.
A familia Rosseto muda-se para Selvíria/MS em 1968 e em 1970 mudam-se para a Cidade de Três Lagoas, também no MS. Entre 1974 e 1981 estudou nos colégios internos Salesianos de Araçatuba/SP, Campo Grande/MS, São Carlos/SP e Alto Araguaia/MT. Ainda em 1981 retorna para Três Lagoas. Casou com Soraya em 1984, com a qual tem dois filhos (Thais e Yuri).
Reside na Cidade de Porto Seguro/Bahia desde 1988.
Em Três Lagoas estampava seus poemas no Jornal do Povo, tendo publicado em 1982 o Livro O SOL DA DOR DA TERRA; em 1984 O Livro MEMORINHA - POEMAS INFANTIS e em 1985 o Livro ATO DE POEMA E UMA CANÇÃO e 1986 AMOROSIDADE.
LIVROS RECENTES:
CRÔNICAS ABERTAS - Poemas - 2018
DOCES DOSES de POESIA - Aldravias - 2018
VERSOS de VIDRO e AREIA - 2019
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - 2019
LÁ PELAS TANTAS DA VIDA - 2019
FAZENDA HAICAIS - 2020
ABELHINHA PEQUETELLA - 2020
POETA ENTRE COLUNAS - 2020
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - Vol.2 - 2020
NAS ASAS DAS HORAS - 2020
BULBOS diVERSOS - 2021
SONETOS ESQUISITOS PARA NINAR MOSQUITOS - 2021
BORDEJAR - 2021
PLENO ESTADO DE POESIA - Poemas Reunidos Até Aqui - 2021
Membro da ALB - Academia de Letras do Brasil - Cadeira 18 - Seccional Porto Seguro/Ba.
Membro da ALSPV - Academia de Letras Sociedade dos Poetas Virtuais - Cadeira 38.
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