Lista de Poemas
ESCRITURAS
Grafado em letras garrafais ou mesmo entrelinhas
Algum pingo num i da consciência sincera e justa
Que releia todos os seres inclusive o homem
Conforte no enlace da solidariedade cada criatura
Aplaque se necessário o amargor da caminhada
Ensine justamente o contrário do que se apregoa
Sobre a contenda e a labuta didática da árdua disputa
Possa intercalar no suor do rosto o sorriso farto
As expressões da agonia à menor dor possível
Para que se cumpram as profecias pela forma amena
Pois tudo é passagem e se esvai na mesma onda
Dilui-se constantemente sem qualquer retrocesso
Ao que venha interpretar ao ler toda palavra escrita
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O TEMPO E O COPO
Um copo liquidado sobre o mármore frio
Liso corpo transparente e sem vértice e cabo
Que nós mesmos o deixamos quieto e vazio
Nem jarro nem taça nem cálice ou xícara
Apenas comum instrumento sem alça
Que as mãos o levam raso ou cheio à cara
E mata a intensa sede da língua e da boca
Depois do bebido e não mais necessário
Aguardará pela própria água ser limpo lavado
Enxuto para outra vez pelos lábios ser usado
Se descuidado cai e parte-se em pedaços
Feito o tempo sem proveito desperdiçado
E jamais alguém poderá unir-lhe os cacos
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FEITOS DE MEDO
Sem abraço
Sem aperto de mão
Porque os tempos são outros no momento
E maldosamente nos impõe distâncias
Não me desapego fácil dos costumes
Mantenho colado aos laços os nós do coração
Por isso não entendo desses modernos avanços
Essa forma de conviver sem a relação que nos une
E pune por razões que nos invadem o ego
Estamos sendo feitos de medo
Só não posso desagregar
Da retidão dos teus passos
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A DÚVIDA DA FÉ
Se conduzes aos destinos e ignoras-lhes os rumos
Se os caminhos apontas mas os deixas a deriva
A quem a ti se apega e crê no amor divino
Deveria tornar-se ateu ou permanecer insano?
Quando a verdade farfalha entre a dúvida da fé
Ensina-me então a solidão de ser deus
Para que consiga ser menos radical
E talvez mais humano
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PLENITUDE
Cotidiana
Em plenitude e soberana!
Por isso o universo movimenta-se
No entorno do perfeito
Respeitando os limites e ciclos de cada espaço
E tudo o que há disforme, sara
Cura senão pela mão do homem
Sob a luz do divino
Melhor vive quem acredita, renasce, revigora
Quem busca no sacrossanto tempo
O sonho lúdico da natureza humana
E aquele que apesar das agruras do mundo
Mantem-se conectado ao cosmos
E a ele se irmana
Sim somos física matéria
Mas sobretudo alma
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TODO TIPO DE CANTO
Todo tipo de canto
Há momentos no entanto
Que simplesmente a voz embarga
Por não saber ouvir ou não poder cantar
Ou se solta entorpecida no acalanto dos tons
Talvez eu não me veja tão alegre cantarolando
Nem esteja triste quando ando emudecido pelos cantos
Acontece que os dias são assim um tanto diferentes
E a gente se põe mais intimamente sensibilizado
Entre estranhos sons de desencantos alegrias ou torpor
Ainda assim haverá sempre um suspiro
À espreita de qualquer enunciado de canção sendo ouvida
E uma cantiga ensaiando a própria melodia pronta
Demovida da garganta afinada de um cantor
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CIRURGICAMENTE IMPOSSÍVEL
À procura de consertos nesse coração
Diagnosticaria saudades e segredos
De difíceis acessos e manuseios
Se Vitória auscultasse tomando meu pulso
Sentiria navegadas no interior da aorta
Chalanas repletas de alegrias ancoradas
Nessas vísceras arritmicamente quase mortas
Se Laís anotasse meus sinais vitais
Assustaria com esse íntimo transbordado
De diletos momentos e intensos amores
Misturados a prazeres e algumas dores
E se todas descontentes buscassem opinião
De alguém ponderado e bem mais experiente
Ouviriam: precisamos lhe nascer novamente
Dessa velha carcaça soçobraram defeitos
Mas o espírito, esse a gente bem poderia
Arquiva-lo translúcido no armário das almas
Onde nenhuma ilusão sequer tem acesso
Exceto a poesia, porque esta é completa
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ENTRE AMOR E AMANTES
Que a noite é dos amantes.
Mas posso amar antes?
Antes que a lua nasça
Amar seria pecado
Ou só sem graça?
E se estivermos amando
Ao chegar o sol e o dia
Continuaríamos?
Amar sem reservas
Preservaria os amantes
Dos não amores?
Quem sai e quem vem
Jura amor que renasce
Amando ou amante?
Ser toda forma
De amor permissível
Será possível?
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FEMININA
Acha-te criança com olhos de mãe,
Deita-te adulta certas horas por dia,
Debela as tuas orelhas e menina te põe
Sempre que teus desejos
Rechaçam e tua consciência folia,
Rebobinando íntimas imagens
Dentro da tua retina.
Assim te fazes feminina mulher
Com mais fases sequer que as da lua ariana:
Tão exposta e ímpar que a si própria encanta,
Mesmo oculta vive santa e insana
Intensa e absoluta em sua resoluta rotina.
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ORATÓRIA
Pela outra boca
Cobiça, profana
Deseja o absoluto
Declama o encanto, recita e canta
Cala enquanto a outra fala
Fala de si quando a outra cala
Passeia os lábios, ri da interlocutora
Sonha com o beijo arteiro que a quer beija-la
Saliva, anseia, pela ideia acesa
De tomá-la presa pela língua morna
Até faz caras ante um bocejo
Solta a voz se a garganta grita
Retém os sons quando sussurra
Por vezes urra e engole a borra
Do apregoado choro quando magoa
Ah, a boca sabe a exata hora
De rir sem graça ou gargalhar
Rasgar os dentes se necessita cuspir
Reter aflita o ar por alimento
Mas sobretudo ora e elogia mais que maldiz
Pois pela reza fomenta o fôlego
E todo o ser que a tem se curva
Nesse místico momento
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Comentários (2)
Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.
quantas verdades com perfeição!
Paulo Sérgio Rosseto nasceu em Guaraçai, SP, na manhã de 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina. Seus irmãos são Fátima Aparecida e Delermo de Jesus. Em 1966 seu primeiro poema (MEU CACHORRINHO) foi publicado no Jornal da Cidade (Folha de Guaraçai), destaque de um concurso de escritores mirins promovido pela escola local que frequentava.
A familia Rosseto muda-se para Selvíria/MS em 1968 e em 1970 mudam-se para a Cidade de Três Lagoas, também no MS. Entre 1974 e 1981 estudou nos colégios internos Salesianos de Araçatuba/SP, Campo Grande/MS, São Carlos/SP e Alto Araguaia/MT. Ainda em 1981 retorna para Três Lagoas. Casou com Soraya em 1984, com a qual tem dois filhos (Thais e Yuri).
Reside na Cidade de Porto Seguro/Bahia desde 1988.
Em Três Lagoas estampava seus poemas no Jornal do Povo, tendo publicado em 1982 o Livro O SOL DA DOR DA TERRA; em 1984 O Livro MEMORINHA - POEMAS INFANTIS e em 1985 o Livro ATO DE POEMA E UMA CANÇÃO e 1986 AMOROSIDADE.
LIVROS RECENTES:
CRÔNICAS ABERTAS - Poemas - 2018
DOCES DOSES de POESIA - Aldravias - 2018
VERSOS de VIDRO e AREIA - 2019
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - 2019
LÁ PELAS TANTAS DA VIDA - 2019
FAZENDA HAICAIS - 2020
ABELHINHA PEQUETELLA - 2020
POETA ENTRE COLUNAS - 2020
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - Vol.2 - 2020
NAS ASAS DAS HORAS - 2020
BULBOS diVERSOS - 2021
SONETOS ESQUISITOS PARA NINAR MOSQUITOS - 2021
BORDEJAR - 2021
PLENO ESTADO DE POESIA - Poemas Reunidos Até Aqui - 2021
Membro da ALB - Academia de Letras do Brasil - Cadeira 18 - Seccional Porto Seguro/Ba.
Membro da ALSPV - Academia de Letras Sociedade dos Poetas Virtuais - Cadeira 38.
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