Lista de Poemas
ESPERAS
Circunda a tal felicidade
Seja entre espaços curados
Nas dimensões dos quintais
Seja nas asas dos pardais
Que voam livres pela cidade
Há nos moldes de vida
Entre propósitos e soluções
Orações que rogamos
E as intenções que se reza
Cada ser preza os princípios
Que o tempo ido ensinara
E permanece em busca e à espera
Dos diferentes conceitos
Que a escola da vida
Através das lições lhe provera
Façamos de cada novo dia
Nova oportunidade rara
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NAQUELE LIVRO
Páginas soltas amareladas
Gravuras turvas puídas
Manchadas de gordura e lágrimas
Folhas rasgadas da brochura
Orelhas e dobras refiladas
Onde a tinta das letras muito negras
Duvidavam que podiam ser lidas
Trazia nas entrelinhas
Além dos nossos cheiros
Raros rabiscos a caneta e lápis
- Nomes aparentes dos netos e filhos
- Telefones de vizinhos e outros parentes
- Contatos de onde pedir taxi e gás
- Do novo médico dos rins
- A senha do cartão da poupança
- Aniversários e endereços ilegíveis
Residia sobre a estante
Entremeado por receitas
Comprovantes bilhetes e papéis
Sendo consultado várias vezes
Sempre que o telefone tocasse
Ou no instante em que a saudade doía
O tempo tirava-nos de casa
Mas as lembranças seguiam vívidas
Como adereços livres
Gravadas naquele livro
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FAKE NEWS
Mentindo-me que certo dia descansara
À sombra da criação feliz pela criatura
Pura presunção divina essa vã postura
Tudo ainda é rustico princípio a se formar
Experimentando formas rudes de viver
Cada ser prova da vontade infinita
Buscando a perfeição desse projeto de vida
Que se refaz e aprimora perpetuamente
Deus minta aos doutos e sábios internautas
Mas poupe das indecorosas fake News
Este tolo e débil aprendiz de poeta!
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AOS POUCOS
Entenderias a pressa que existe em nascer seu verso
Poema não se faz vez em quando é copiosa promessa
Exercício de rotina da alma desigual dor repentina
Que explode no coração sem a qual não se completa
Bamboleia o corpo todo de um modo incongruente
Afeta a emoção sem noção brota do fruto da mente
Logo após aquietar-se no colo de quem o sente
Se soubesses do poeta na intimidade do seu sonho
Verias como ele morre de um amor tão perverso
Capaz de transforma-lo na vírgula mais íngreme
Que separa sua realidade das possibilidades previstas
Ao expor suas paixões sem mesmo que ninguém o sinta
E a um só tempo renascendo como a metamorfose dá-se
Intrínseca quando escreve reinventando-se no gozo
De sua própria poesia solta e só nalgum momento
Se olhasses o poema na intimidade do seu verso
Entenderias o poeta compondo seu próprio mundo
Sem ser tolo nem débil nem relés vagabundo
Perambula entre palavras com olhares de menino
Depois voa entre estrofes voraz por sentimentos
Até entregá-las prontas a uma alma ansiosa
Por guardá-las peregrinas formosas cheias de encanto
Adornadas da beleza de algum sentimento bonito
INCOMPATIBILIDADES
Aquela que o oceano não aceita navegar
Porque pelo mar andam os navios
Que enfrentam as ondas robustas sem trincar
E dentro da canoa vão pessoas
E dentro do navio a multidão
Tantos iguais a mim que não sei nadar
Tantos iguais ao rio que não sabe do mar
Iguais ao navio que não cabe no rio
Iguais à canoa que não suporta o mar
Também em terra firme há um povo ambíguo
Embarcado nas barrancas do riomar
Em veleiros atracados sem destino
Presos aos cordões umbilicais
Dos poderes dos navios sem cais
Das carrancas presas às canoas inseguras
À deriva sem sequer sair do lugar
Dentro de cada um há incríveis mundos
Rios e oceanos esquecidos e a explorar
Para que ninguém saiba ir nem regressar
Sem a plena certeza de haver partido
Provavelmente qualquer homem caiba
Na orelha de um elefante
Isto não significa que ele lhe dê ouvidos
Por não saber escutar
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A FONTE
Molha ao redor do olho por onde verte
Entre o musgo e o lodo verde
Sua alegria em brotar dentre as pedras
Tenra a agua que dali nasce e medra
Empoça e ensopa e escorre ligeira pela mata
E mata a sede do mato que a espera
Porque em riacho denso se converte
Nada pede ou apela
Exceto que a deixem cumprir sua meta
De ao espreguiçar-se do seio da terra
As gotas respinguem afrescos onde alcancem
Essa a arte da vida que somente entende
Quem generosa e densa nos gestos se enlaça
À vocação ainda que mínima quando abraça
As margens por onde seu curso segue
E tenazmente persiga a sorte
De ser feliz ainda que custe
O ardor maior da inconstância
Por aquietar-se para que outras gotas passem
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SEM NOÇÃO
Teu jeito moleque de me atiçar sem noção
Mostra ao disfarce dos meus olhos ver-te
Tua íntima face totalmente desnuda
Quero ao menos a muda porção descoberta
Esta ao alcance impossível da minha visão
Onde o sonho latente pede que veja
E com a boca molhada lamba e beije
Alguém diverso e distante deseja-te
Como a felicidade surpreende a risada
E o prazer momento a momento surpreende
Se a solidão infinita que apreende enseja
Estou também sozinho cercado no alpendre
Feito um longo novelo de macia lã
Aficionado por tua alma pudica e aberta
Desejoso de um fio macio do teu pelo
E se estiveres lisa como o assanho da lua
E se ao menos distante ouvir meu apelo
Arrepia a nuca como apalpasse meu semblante
E deixa o luar te amar por mim como nunca
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TEMOS PRESSA
Nascendo aos poucos
Aprendemos aos poucos
A falar e a ouvir e observar
A amar e saborear o sentimento de ser amados
Aos poucos crescem as plantas
E os frutos para que não os apanhemos precoces
Podem até aparentar ligeiro porem entregam-nos aos poucos
Em doses ou pacotes porções lotes
Pedaços blocos frações que se apropriam de nós
Paulatinamente se repetem
Preenchendo os vazios enraizados no tempo
Queremos muito mas também este aos poucos
É-nos ou não concedido
Porque apenas a morte e somente ela
Definitivamente chega inteira
Ainda que nos leve aos poucos
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MEU POEMA BATEU À TUA PORTA
Três estrofes espalharam-se pela sala
Algumas rimas invadiram o teu quarto
De verso em verso deitaram tua cama
E algumas palavrinhas desnudaram-te
Sabias que eu vinha em forma de poema
Sabias que o poema inteiro te queria
Ainda que estrofes ficassem pela sala
E que verso a verso deitariam tua cama
Algumas palavrinhas desnudariam-te
Então desnuda abraçada à poesia
Deu-se a madrugada infinitamente exímia
Entre chão e teto explodindo em arte
Esperando que a noite jamais acabasse
Ainda que finalmente acordasse o dia
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DESPIDOS
E em seu tornozelo a barra resvala
Ou se o tecido macio seu seio ampara
Ou se ainda o pano suave no seu colo cola
- De onde advém a ânsia e a libido?
Quando o desejo arde e aflora
Explode de dentro do peito
Ou cinicamente vem de fora
Perturbar o juízo de quem enamora
- Induz ao desalinho ou ao vento atrevido?
Pouco importa se pela alça da blusa
Ou na cintura da saia – responde a brisa
Fugaz é o encontro entre a linha e a pele
Que acarinha e recobre e eriça o poro
E te põe infinitamente bela
Enquanto sonharem poetas e anjos
De braços dados com a rara grandeza
Da brandura dos dias ainda não lidos
Todos os modos do destino à sorte
Ainda que ocultos permanecerão despidos
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Comentários (2)
Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.
quantas verdades com perfeição!
Paulo Sérgio Rosseto nasceu em Guaraçai, SP, na manhã de 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina. Seus irmãos são Fátima Aparecida e Delermo de Jesus. Em 1966 seu primeiro poema (MEU CACHORRINHO) foi publicado no Jornal da Cidade (Folha de Guaraçai), destaque de um concurso de escritores mirins promovido pela escola local que frequentava.
A familia Rosseto muda-se para Selvíria/MS em 1968 e em 1970 mudam-se para a Cidade de Três Lagoas, também no MS. Entre 1974 e 1981 estudou nos colégios internos Salesianos de Araçatuba/SP, Campo Grande/MS, São Carlos/SP e Alto Araguaia/MT. Ainda em 1981 retorna para Três Lagoas. Casou com Soraya em 1984, com a qual tem dois filhos (Thais e Yuri).
Reside na Cidade de Porto Seguro/Bahia desde 1988.
Em Três Lagoas estampava seus poemas no Jornal do Povo, tendo publicado em 1982 o Livro O SOL DA DOR DA TERRA; em 1984 O Livro MEMORINHA - POEMAS INFANTIS e em 1985 o Livro ATO DE POEMA E UMA CANÇÃO e 1986 AMOROSIDADE.
LIVROS RECENTES:
CRÔNICAS ABERTAS - Poemas - 2018
DOCES DOSES de POESIA - Aldravias - 2018
VERSOS de VIDRO e AREIA - 2019
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - 2019
LÁ PELAS TANTAS DA VIDA - 2019
FAZENDA HAICAIS - 2020
ABELHINHA PEQUETELLA - 2020
POETA ENTRE COLUNAS - 2020
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - Vol.2 - 2020
NAS ASAS DAS HORAS - 2020
BULBOS diVERSOS - 2021
SONETOS ESQUISITOS PARA NINAR MOSQUITOS - 2021
BORDEJAR - 2021
PLENO ESTADO DE POESIA - Poemas Reunidos Até Aqui - 2021
Membro da ALB - Academia de Letras do Brasil - Cadeira 18 - Seccional Porto Seguro/Ba.
Membro da ALSPV - Academia de Letras Sociedade dos Poetas Virtuais - Cadeira 38.
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