Lista de Poemas
TUDO FALA
Nenhuma frase é tão efêmera
Ainda que a palavra do núcleo se perca
De fato
A gramática é um parto
Escrever é justamente o ato léxico
Do cumprimento extremo de um dom
Desconstruir
Não levar-se a serio emudece
No exercício de pesar pausa e silêncio
Esse pontual mistério até enlouquece
Tudo fala além da língua que externa
Exala cálculos
Nenhuma sílaba é pequena
Que não caiba num som
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PECADOS
Pois não há o que se arrepender
Dos excessos inconstâncias e modos
Exceto o não ser sincero a si mesmo
Pois no amor se a consistência é fugaz
Todo o resto deixa de ser verdadeiro
Quem traz as mãos postas em reverência
Aprende que entre ambas manifesta-se
A sinergia que dá sentido ao que é bom
Então é esse calor que nasce primeiro
Que flutua e oscila entre um e outro coração
A fim de pôr essência ainda que a razão resista
Há amores que se põem sobre frágil balanço...
Que importa se vem e vão mas compreendem
Que a única mácula do amor seria não ter amado!
Pois no amor há que se eternamente empreender
O exercício de amar sem arrepender-se
- Não amar-se sim é sério pecado
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PAISAGEM
Paulo Sérgio Rosseto
Teu voo é sopro de ave
Que se alça acima das nuvens
Sem sequer desprender-se da árvore
Onde fizera o ninho
E sabes bem voltar e pousar suave
Como repousam as horas feito borboletas
Beijando as rosas de mansinho
Assim flutuas aberta
Solta na matreira paisagem
Ao sabor do ligeiro vento
Que toca teu corpo com arte
Serena teus olhos na tarde
Desperta a orla dos lábios
Esvoaça os cabelos soltos
Realça na blusa os mamilos
E danças impetuosamente
No instante da imagem
E porque lindamente me insultas
E me pões a perder sem ar
Meu poema te retrata e me arrasta
A também atrever voar
@psrosseto
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TODA VEZ QUE O SOL NASCE
Não que a noite seja um calabouço
Mas toda manhã é um novo começo
E assim recomeço e refaço
Sou alvoroço de pássaro
Em busca do dia perfeito
Eu carrego nas costas
Um arcabouço louco e intenso
Imenso ato solitário de compositor
Imerso em acordes agarrados
A algum instrumento reverso
Que nem toco mas ouço
As tantas coisas que esqueço
São cenários desfeitos
E que reencontro em teus traços perfeitos
E se debruço deito e pouso
Os meus destroços em teus braços
É porque me aceitas e então renasço
O tempo não serve para definir meus espaços
Sustos e surtos não medem o que penso
Mas toda vez que o sol nasce te acho
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DETRÁS DA MULTIDÃO
Mudei a direção dos olhos para um pouco além
Onde minha imagem então me refletia
Fingindo contemplar a mim e a mais ninguém
Fingindo contemplar a mim e a mais ninguém
Disfarçando o riso no tremor dos lábios
Enxugando os dedos no suor das mãos
Tentando domar talvez o imenso desejo
Que explodia dentro do meu coração
Mudei a direção dos olhos para um pouco além
Onde minha imagem então te refletia
Por fazer de conta que não te ouvia
Por fazer de conta então que não te via
Escutei as sombras detrás da multidão
UM POEMA SOBRE NADA
Para que não perfure ou ame
Não faça loucura alguma
Não respingue nem cause
Tampouco estrague ou arda
Mas quais palavras ousariam descrever
O amorfo da sintaxe
A ponto de não ter sentido nem ser lido
Para que o risco não valesse?
O bom seria não chegasse até os teus olhos
Mas a culpa é da solidão que o nasce
E nem quis saber por que o faz fugir dos dedos
Ouvi dizer que muito além do final
Existe no vácuo da pagina o coerente
Engolidor de versos feios cheios de falácias
Mas estou crente de que além da poesia
Somente o que há são sentimentos
Segredos e audácias
Talvez nem quisera eu que me lesse
Mas agora é tarde e danem-se os meus medos
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APRENDE
Se trazes à tona
Amiúdes detalhes
Suaves
Miúdas vontades
Em singular artimanha
Destas que burlam internamente
E doem ou alegram até as vísceras
E perambulam entre uma ideia qualquer
E qualquer outra forma premente
Onde apenas a serena figura das gentilezas
Dome a doma dos sentimentos
Bem sabes não contraponho -
Fogem-me as palavras ainda que amenas
- Fico sem argumentos
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TEMPO DE PASSARINHO
Os espaços se tornem lerdos lentos e longos
Difíceis e cadenciados e largados
Ainda que menos largos
Causem embaraços intransponíveis
Mesmo a um pássaro acostumado aos altos rumos
De velha ave desprendida do ninho
Mesmo as vontades se tornando menos
Mesmo tendo voado a qualquer risco
Ao menor trisco
Soe manso sob a impressão de arisco
O mundo continuará vasto
Quanta diferença fazem os anos voados
Mas ainda que voe somente o pensamento
Espero jamais em nenhum momento
Perder meu tempo de passarinho
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ELOGIO À TERNURA
De silêncio de pomar ao meio dia
Onde somente há o zunir de moscas azuis
E abelhas ocupadas em lamber frutas maduras
Semeando polens entre as flores
Levando cera pelas folhas
Misturando cores e cheiros ocultos
Dos frutos presos nos visgos e galhos
Alimentando pássaros e formigas cortadeiras
A ternura faz com que o anjo
Se ocupe em descobrir
Porque a flor desprendeu-se da haste
Tombou sobre a mesa
E foi ao chão voar entre as cadeiras
A ternura é um vulto solto
Sob o céu arcado de estrelas
Ainda que sujo de nuvens e sol
À noite talvez se possa vê-las
Ela junta conformidades às hipóteses
E nos dá a certeza de que
Se não se pode colar certas extremidades
Tudo se refaz desde que se respeitem vontades
A ternura é justamente esse olhar sobre as esperas
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EM PLENO ESTADO DE POESIA
As flores da orquídea que lhe enviei
E rega cheia de ternura as pétalas macias
Às vezes tem os talos entre os dedos
Às vezes examina as sépalas
Às vezes toca em torno dos labelos
E põe os bulbos tão perto dos lábios
Que o vento entrelaça pela haste esguia
E desfia com singela simetria
Tanto que embaraça nos rostelos
Os fios de trigo dos seus cabelos
Depois espia encantada
Cada nuance de cor
E sente um cheiro de poema
Em pleno estado de poesia
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Comentários (2)
Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.
quantas verdades com perfeição!
Paulo Sérgio Rosseto nasceu em Guaraçai, SP, na manhã de 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina. Seus irmãos são Fátima Aparecida e Delermo de Jesus. Em 1966 seu primeiro poema (MEU CACHORRINHO) foi publicado no Jornal da Cidade (Folha de Guaraçai), destaque de um concurso de escritores mirins promovido pela escola local que frequentava.
A familia Rosseto muda-se para Selvíria/MS em 1968 e em 1970 mudam-se para a Cidade de Três Lagoas, também no MS. Entre 1974 e 1981 estudou nos colégios internos Salesianos de Araçatuba/SP, Campo Grande/MS, São Carlos/SP e Alto Araguaia/MT. Ainda em 1981 retorna para Três Lagoas. Casou com Soraya em 1984, com a qual tem dois filhos (Thais e Yuri).
Reside na Cidade de Porto Seguro/Bahia desde 1988.
Em Três Lagoas estampava seus poemas no Jornal do Povo, tendo publicado em 1982 o Livro O SOL DA DOR DA TERRA; em 1984 O Livro MEMORINHA - POEMAS INFANTIS e em 1985 o Livro ATO DE POEMA E UMA CANÇÃO e 1986 AMOROSIDADE.
LIVROS RECENTES:
CRÔNICAS ABERTAS - Poemas - 2018
DOCES DOSES de POESIA - Aldravias - 2018
VERSOS de VIDRO e AREIA - 2019
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - 2019
LÁ PELAS TANTAS DA VIDA - 2019
FAZENDA HAICAIS - 2020
ABELHINHA PEQUETELLA - 2020
POETA ENTRE COLUNAS - 2020
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - Vol.2 - 2020
NAS ASAS DAS HORAS - 2020
BULBOS diVERSOS - 2021
SONETOS ESQUISITOS PARA NINAR MOSQUITOS - 2021
BORDEJAR - 2021
PLENO ESTADO DE POESIA - Poemas Reunidos Até Aqui - 2021
Membro da ALB - Academia de Letras do Brasil - Cadeira 18 - Seccional Porto Seguro/Ba.
Membro da ALSPV - Academia de Letras Sociedade dos Poetas Virtuais - Cadeira 38.
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