Lista de Poemas
REALIDADE
Idêntica realidade
E apelo que contém
A poesia de ontem
Já é outro poema
Renovam-se sorrisos
Aparecem novos choros
Outras águas surgem
Seguem cursos diferentes
Reinventando riscos
Que lhes convém
Tudo transforma em segundos
Estar vivo é perceber os momentos
Nos movimentos do mundo
RÉQUIEM
Há de morar numa adega
Debaixo de alguma rolha
Cujo rótulo trará insígnias assim precisas:
Estes versos
Tem cor robusta e presença
De aveludada plenitude
Seus aromas lembram frutas maduras
Com notas intensas de pimentas
Na boca palavras doces
Macias redondas
De significados perfeitos
Combinam perfeitamente com sonhos
Sinônimos e detalhes pequenos
Tomai e embevecei todos vós
Desta intempestiva poesia
Frutos da vinha minha
REFORMA
Ao que parece não há mais seda
Que acresça e vista
A cintura não fecha
Na calça a costura tão precisa
Debocha da camisa
Os botões nem adentram a própria casa
A bainha extravasa a conjuntura da perna
Pela manga o braço nem desliza
O que há com essa peça imprecisa
Que mora amarrotada
Pelas beiras da gaveta?
Diz o Então para o Agora:
- A moda que eu saiba
Sublima o tempo que passa
Mas o tempo impalpável deforma
Se não mais lhe serve
Doa que em alguém caiba!
CONSTRUÇÃO
Planta o alicerce do edifício
Como fosse raiz de árvore bela
Suga a seiva desse rio que reverbera
Por túneis corredores artérias
Do subsolo à cobertura
Oxigena toda essa estrutura
Deixa o sol a noite o tempo
Aventarem por tuas portas e janelas
E depois de tudo pronto
Contempla admira
Irradia o que ergueste
Pois ao final deste teu ciclo
Por ali estar sepulcro
Hás de ser parte dela
CONTRASTES
Que lhe cai pelo dorso
É o mesmo que se solto
Invade a boca
Engasta na língua
Empala a garganta
Traz ânsia repulsa faz vômito
Imprevisto é o momento
E esse perverso e indômito
Destino de cada coisa
O mesmo sopro que afaga a flor
A despetala ou expulsa a mariposa
Apenas por ser inseto
É todo incerto
Às vezes somos asco
Às vezes beleza
LAMENTO
Vou permanecendo
Sabendo que a qualquer hora
Deve ruir
Quanto de solidão há em mim
Se o corpo sente o desconforto
A alma chora
Lamento
Embora precise sair
Não ouso ir embora
Mas se soubesse como te encontrar
Sairia agora
TRADUÇÃO
Sem hora exata em sair
Nem um ramo certo de pouso
Ou preocupado por voltar
Antes da porção de sol do dia
Sou só quanto o vagalume
Na escuridão do horizonte
Cujo clarão se dissipa
Margeado pela negritude
Além das bordas do holofote
Tão só quanto o estribilho
Que no bis separa-se da música
Igual à goteira que pinga soturna
Na casa pela cumeeira
E de pingo em pingo inunda
Minha intensa solidão é deserta
Desperta necessidades na tua mão
Apertar toscas lembranças
Confortar tantas esperas
E afagar meu coração
Sou só quanto os meus olhos
Que apesar do mesmo rosto
Veem-se somente por espelhos
A minha solidão é um par de versos
Que me traduz em poemas
PRISMA
Talvez não seja a mesma vista sua
Da minha seguem filigranas de poesia
Da sua urge soluções aritméticas enigmas
Eu padeço de equações incontidas e banais
Que tropeço no vão e além da porta
Você se sai dos problemas tão bem
E se os acha ri ou já nem mais se importa
Você e eu tratamos do mundo
Sob contínuas perspectivas
Talvez não saibamos ainda viver com tantos nós
Desencontros rupturas dogmas
Por isso adensamos e nos tornamos mais sós
Mas entendemos que apesar de nossos prismas
O tempo precisa que a vida continue
Intensa em cada um de nós
EXPECTATIVA
Aquele que lê poesia
Mantém contínuos estranhamentos
Seria como envenenar-se todo dia
Com mundos sem muito sentido
Mas não é somente isso
Mais estranho seria
Quem escreve tais poemas
E se fazer desentendido
Das realidades da vida
Deste dá pena!
CICLOS
A qualquer hora passa
Então beija abraça
Não disfarça
Olha atentamente
Contempla
Porque depois será lembrança
Saudade tão intensa
Que até trará aflição
Despeça enquanto deve
Despedir-se sem remorso
A ausência é o inverso
Desse avesso perverso doído e breve
A que chamamos presente
Do ido restará a emoção do agora
E tudo o mais logo logo
Há de estar ausente
Comentários (2)
Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.
quantas verdades com perfeição!
Paulo Sérgio Rosseto nasceu em Guaraçai, SP, na manhã de 11 de Abril de 1960. Filho de Paulo e Celestina. Seus irmãos são Fátima Aparecida e Delermo de Jesus. Em 1966 seu primeiro poema (MEU CACHORRINHO) foi publicado no Jornal da Cidade (Folha de Guaraçai), destaque de um concurso de escritores mirins promovido pela escola local que frequentava.
A familia Rosseto muda-se para Selvíria/MS em 1968 e em 1970 mudam-se para a Cidade de Três Lagoas, também no MS. Entre 1974 e 1981 estudou nos colégios internos Salesianos de Araçatuba/SP, Campo Grande/MS, São Carlos/SP e Alto Araguaia/MT. Ainda em 1981 retorna para Três Lagoas. Casou com Soraya em 1984, com a qual tem dois filhos (Thais e Yuri).
Reside na Cidade de Porto Seguro/Bahia desde 1988.
Em Três Lagoas estampava seus poemas no Jornal do Povo, tendo publicado em 1982 o Livro O SOL DA DOR DA TERRA; em 1984 O Livro MEMORINHA - POEMAS INFANTIS e em 1985 o Livro ATO DE POEMA E UMA CANÇÃO e 1986 AMOROSIDADE.
LIVROS RECENTES:
CRÔNICAS ABERTAS - Poemas - 2018
DOCES DOSES de POESIA - Aldravias - 2018
VERSOS de VIDRO e AREIA - 2019
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - 2019
LÁ PELAS TANTAS DA VIDA - 2019
FAZENDA HAICAIS - 2020
ABELHINHA PEQUETELLA - 2020
POETA ENTRE COLUNAS - 2020
POEMAS QUE VOCÊ FEZ PRA MIM - Vol.2 - 2020
NAS ASAS DAS HORAS - 2020
BULBOS diVERSOS - 2021
SONETOS ESQUISITOS PARA NINAR MOSQUITOS - 2021
BORDEJAR - 2021
PLENO ESTADO DE POESIA - Poemas Reunidos Até Aqui - 2021
Membro da ALB - Academia de Letras do Brasil - Cadeira 18 - Seccional Porto Seguro/Ba.
Membro da ALSPV - Academia de Letras Sociedade dos Poetas Virtuais - Cadeira 38.
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