Escritas

Lista de Poemas

ÀQUELE QUE VIRÁ

Logo surgirás revivido
Como me vens há décadas
Trazendo lições peregrinas
Entre rostos tão caros e momentos rotos

Não quero que me apareças milagroso
Pois gozo já de todas as vantagens reunidas
Nem precisas tamanho alarde ao anunciar-se
Pois desfruto de todos os artifícios da sorte

Quisera sim que me viesses realizado
Preciso
Entre as falhas e os sentidos
Dono de si mas obliquo de mim
Trazendo-me verdades e esperança

A esperança para que eu saiba aguardar paciente
Verdades para que entenda
Que nunca irás me repetir alguns momentos

Por isso acolho-te como quem gesta no ventre
Um breve sopro de outro ano
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NEVE

Esse floco que leve flutua
Teima em não pousar sobre o monte igual toda neve
Reluta aquietar-se junto ao gelo concreto da rua

Prefere estar ao vento suave
Resvalar na vidraça bisbilhoteiro
Escorrer pelo vidro levemente
E desmanchar-se ao vê-la incandescente
Também a derreter-se
Igualmente úmida
Acesa sob os lençóis
Nua

- Quem seria?

Como queria ater-me
Aos sinais da poesia!
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CORTES

Eu não entendo de dores
Não aprendi medi-las a intensidade
Deve todas doer iguais
Pelos músculos
Pelos ossos
Órgãos
Corpo e ademais

Entendo mesmo é de olhares
De silêncios e palavras
Inclusive os profundos as proferidas as vãs
Que abrem valas
Soterram lábios
De alguma forma contumaz
E que num único tino de paixão
O amor refaz e as torna sãs

Ainda que apavora-me a língua
Pelos cortes que ela faz
Sempre sempre sempre será paz
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ADIANTE

Desculpem queridos se sigo adiante
Parti de viagem

Estive convosco em árduas instâncias
E por colinas suaves nas lidas diárias
Ardemos pelas batalhas da vida
Não resisti porém à sede de ida
Por isso saí assim após singelo final de quinta

Tudo lhes disse enquanto pude
Agora sigo encimado
Mudo
Sem despedida

Parti de viagem porque todo mundo parte
Embarcado nessa arca moleca
Sinuosa em mistérios enigmática
Que nos busca sozinha e sem volta

Queridos amigos
Saí no encalço da amada sapeca
Da minha adorada sapequinha!
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EM VIGÍLIA

Não dormirei tanto
Assim desadormecido
Semearei versos que te acordarão
Amanhã cedo
E darão luz aos teus medos
E trarão sombra para teu conforto

Tenho em ti a sensação
De um pensamento comedido
Pela exata premissa existente:

Dormindo menos acordarei pouco
Assim desperto me farei apto
A dormir eternamente
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INTEMPESTIVO

O tempo é um pretenso gigante adormecido
Que mal se cabe deitado no universo
Vagueia dormitando entre as galáxias
Agarrado às caudas das estrelas
E se desperta sai pisando nos astros distraído
Equilibrando firmar-se entre as esferas

Esse mistério fantasmagórico retraído
Gosta mesmo é deste mundo nosso
Vocifera pelo firmamento intempestivo
Depois vem rolar conosco pela terra

Jocoso moleque
Não distingue quem acerta de quem erra
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SINGULAR

O amor lapida
Afia o aço da lâmina
Desbasta as arestas
Até que mude
O que resta de rude

Poder-se-ia tanto dizer do amor
Mas que adiantaria

Vive o amor nesse singular disfarce
Age como conseguisse esconder
A própria face
E atreve-se por sobressaltos
Ser o insight da alma
Que afaga cicatrizes

O amor desafia
Faz-nos pacientes aprendizes
Suaviza sem deixar de exigir
Respostas precisas

Amar por inteiro
É nos redescobrirmos
Por nos amar primeiro
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POEMA PARA TEUS SAPATOS NOVOS

Teu par de sapatos brilha
Reluz passos por onde caminhas

Mesmo que a calçada esteja úmida
Ou empoeirado seja o caminho
Segue pelos pés pisando determinados

O chão aceita todos os rastos
Calçados
Descalços

Calcamos o solo com as solas
Andamos peregrinos pela terra
Trilhamos as nossas trilhas

Mesmo que teu par de sapatos
Desgastados
Amanhã não brilhem
Saibas tuas pegadas iluminam
E jamais perderás o brilho
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SUPERAR-SE

Cada dia cumpre extremos hábitos
Surge dessa luz que o sol derrama
E descansa no brilho da tarde que morre

Há vezes que a lua encandeia horizontes
Ri das estrelas excita os amantes

Noutras se furta conceber a noite
Apaga-se como jamais existisse
Oculta silente de quem a madruga

Também vivemos desafiando rotinas

Enquanto uns enfrentam intempéries e dores
E tantos destroem bem-aventuras
Outros vivenciam beleza e bonanças

Pode a lua até furtar-se às manias
Mas no fundo ri da própria natureza 
E sai pelo mundo a espalhar poesia
👁️ 67

OLHARES

Ainda que as palavras calem
Os olhares pairam
Os olhos falam
Veem-se insanos
Brilham doces
Acesos anseiam fluem
Param conectados

Ainda que as palavras falem
Os olhares param
Os olhos calam
Veem-se doces
Brilham acesos
Anseiam insanos fluem
Pairam conectados

Ainda que os olhos fechem
Amáveis e temerosos fujam
Nossos olhares enamoram-se
Inevitáveis
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Comentários (2)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2026-01-02

Meus sinceros parabéns sr. Poeta Sergio Rosseto... teus textos são de tanto amor conquistado e perdidos ... que nos faz imaginar um universo sendo criado a todo dia em que o sol aparece no colo de uma nova mulher. Felis ano vovo.

Rodrigo Marques
Rodrigo Marques
2017-11-27

quantas verdades com perfeição!