Lista de Poemas
Horas absurdas
Oras absorta ao céu
teu absurdo manto azul
a face oculta.
Horas de silêncio
deslizam vãos e véus.
Sonhos e refluxo
eras e horas
oras entre heras...
Teu absurdo manto verde
pompa e festa.
O grito adormecido, tua boca
era ora a espera, ora o abandono.
Visões e reflexo do Universo
em absurdos olhos azuis silentes.
Horas absurdas da manhã
teu café com leite
jornal do dia
e pão com manteiga.
Nilza Azzi
👁️ 165
stripper
brilha uma luz
ecoa um som que chega quase sem sentido
por todo o bar o som das vozes emudece
a perfeição da dançarina é irreal
contém a glória de um segredo inviolado
mas muitas palmas e assobios requisitam
que tire logo alguma peça
uma por vez
embora saiba o que ao final terá perdido
ela começa o ritual que já conhece
bem calmamente, então, começa a se despir
sabendo os truques que entretém uma plateia
e não revela nada além do que não quer
a maquiagem que recobre a sua face
mantém o rosto impassível nessa máscara
no frenesi que vai seguindo há quase luta
uma disputa por um tempo prolongado
mas afinal o jogo acaba e resta ao palco
um corpo frágil infeliz e quase nu
e uma verdade disfarçada em cada gesto
nilza azzi
ecoa um som que chega quase sem sentido
por todo o bar o som das vozes emudece
a perfeição da dançarina é irreal
contém a glória de um segredo inviolado
mas muitas palmas e assobios requisitam
que tire logo alguma peça
uma por vez
embora saiba o que ao final terá perdido
ela começa o ritual que já conhece
bem calmamente, então, começa a se despir
sabendo os truques que entretém uma plateia
e não revela nada além do que não quer
a maquiagem que recobre a sua face
mantém o rosto impassível nessa máscara
no frenesi que vai seguindo há quase luta
uma disputa por um tempo prolongado
mas afinal o jogo acaba e resta ao palco
um corpo frágil infeliz e quase nu
e uma verdade disfarçada em cada gesto
nilza azzi
👁️ 45
Abalo
Nada pode provocar-me a lucidez,
mesmo quando resisto ao convite
do caminho que me afasta de ti...
A poesia esvaziou-se de palavras
e nesse vácuo
não há mais o que temer.
Assusta-me o risco de não poder mais
não conseguir chegar ao lugar
onde repousa a tua alma
e aguentar a solidão...
Deixo-me apenas escapar
do que não sou
pois não há valor no mundo trivial.
O mapa do tesouro foi perdido
e cada voz se abala
nas histórias que viveu.
Difícil e perigoso
é o caminho que me afasta de ti,
mas ainda encontro fadas nos regatos
e seres da natureza junto às fontes.
Nilza Azzi
👁️ 67
luzes
já cedo acordou Lucinda
bem antes do sol surgir
na barriga leva ainda
o filho que irá parir
as dores da vida brinda
qual bebesse um elixir
não chega o sol ao nadir
e a tarefa dá por finda
coseu uma peça linda
um cueiro de zefir...
nilza azzi
👁️ 29
Poema in comum
Tu és o meu poema
de ontem, de antes, de sempre.
Navio que chega e parte sem aviso,
destronas meu juízo e roubas minha cena.
Tu és esse desejo alheio aos meus sentidos,
no desalinho das palavras mal brotadas,
nas desbotadas cores das figuras,
nessa mistura estranha dos meus nervos.
Tu és o estranhamento em verbos novos,
a súbita mudança, a quebra de linha,
a rinha onde lanço esta disputa
meu texto livrado à voz dos povos.
Nilza Azzi
👁️ 141
Lagos calmos
Até meu coração às vezes sonha
com lagos calmos e suaves ondas...
Enquanto as tardes descansam
olhando o voo das aves
procuro tuas pegadas
ó ninfa das águas claras
Nilza Azzi
👁️ 143
Em foco
Ela
era descarada
nada temia
tudo enfrentava
e ousadia
era seu lema
Quando era sua vez
subia ao palco
e brilhava
sempre audaz
no mundo vogava
Ela era também tímida
receosa e tão pequena
emitindo um som tão fraco
quase cinza de um poema
Nilza Azzi
👁️ 162
Viciosa utopia
Acordar-te no poema da manhã
com a barba ainda por fazer
a despertar-me um susto.
Inventar-te no poema da tarde
usando uma camisa azul
arrebatando o olhar.
Tatear-te no poema da noite
o corpo recendente e nu
fonte das instâncias últimas.
nilza azzi
👁️ 167
Rede de segurança
Rede de segurança
Em uma das mãos a argola
noutra a pilha de palavras
ando na corda bamba
Existe o horizonte, longe, além
e o precipício abaixo
É sempre o óbvio que transparece
apesar do peso a palavra levita
enquanto avanço o passo
A plateia apenas observa
alguns torcem por mim
outros querem meu fim
Por covardia não olho para baixo
enquanto o vento balança o fio
e o vazio envolve os sentidos
nilza azzi
👁️ 159
metáfora
ó límpida água
que espirra
asperge
borrifa
orvalha
e respinga
ó água tão pura
que hidrata
escorre
lava
e repara
ó água tão fresca
que é gozo
afago
carícia
alegria
e folguedo
as penas molhadas
os gritos, os jatos
a bênção do banho
nilza azzi
👁️ 44
Comentários (4)
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petrillipoesia
2020-03-23
Belos sonetos!
sergios
2020-01-23
Obra maravilhosa! Madura, plena e rica!
filipemalaia
2019-12-31
Parabéns Nilza, lê-la foi um privilégio.
Maria Lima
2019-08-02
Me perdi em seus poemas, quase não consigo sair. Encantadíssima! Parabéns!
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