Lista de Poemas
Opacidade
Qual mariposas, que atraídas pela luz,
largam no ar o pó dourado de suas asas,
vencer a inércia neste jogo me reduz
à forma frágil dessa névoa em que me atrasas,
à fina areia onde escorrem águas rasas..
E se esse brilho de teus olhos não conduz
todo meu ser a consumir-se feito brasas,
isso é porque, ao teu calor, não faço jus.
Porque tu és forte para mim que tanto quis
desses amores que permitem evitar
o que é banal, que é rotineiro, que é vulgar.
Mas tua força é incapaz da suavidade
que reconhece o potencial de uma mulher
ainda inocente, mas que entende do que quer.
Nilza Azzi
largam no ar o pó dourado de suas asas,
vencer a inércia neste jogo me reduz
à forma frágil dessa névoa em que me atrasas,
à fina areia onde escorrem águas rasas..
E se esse brilho de teus olhos não conduz
todo meu ser a consumir-se feito brasas,
isso é porque, ao teu calor, não faço jus.
Porque tu és forte para mim que tanto quis
desses amores que permitem evitar
o que é banal, que é rotineiro, que é vulgar.
Mas tua força é incapaz da suavidade
que reconhece o potencial de uma mulher
ainda inocente, mas que entende do que quer.
Nilza Azzi
👁️ 23
Janela para o poente
Pela janela aberta, vai o pensamento,
olhando a paisagem, mas não se detém
na árvore, na flor, no pássaro, em ninguém,
em busca do meu sonho, aquele que acalento...
E nessa mesma tela há força, estou ciente,
pois ela põe no ar a visão de um portal.
Ao longe iluminado, o brilho é sempre igual,
no ar avermelhado dessa tarde ardente.
Se dentro do ambiente, instala-se a penumbra,
lá fora ainda há luz, em brilhos de quermesse.
Difusos os contornos, já não se vislumbra
nenhuma ave no céu. O escuro, lento, desce...
E o fio da minguante, em prata risca o céu,
enquanto o sol se vai e a alma fica, ao léu.
Nilza Azzi
olhando a paisagem, mas não se detém
na árvore, na flor, no pássaro, em ninguém,
em busca do meu sonho, aquele que acalento...
E nessa mesma tela há força, estou ciente,
pois ela põe no ar a visão de um portal.
Ao longe iluminado, o brilho é sempre igual,
no ar avermelhado dessa tarde ardente.
Se dentro do ambiente, instala-se a penumbra,
lá fora ainda há luz, em brilhos de quermesse.
Difusos os contornos, já não se vislumbra
nenhuma ave no céu. O escuro, lento, desce...
E o fio da minguante, em prata risca o céu,
enquanto o sol se vai e a alma fica, ao léu.
Nilza Azzi
👁️ 36
Gotas
Indiferentes descem pelo vidro,
gotas de chuva, num país perdido.
Chora a vidraça, embaça aquela mágoa,
a água escorre e vai pela enxurrada.
Uma rajada e a chuva desce em ondas,
estronda o vento com seu assobio.
Um arrepio ― ondulam as cortinas ―
e névoas finas cobrem as montanhas.
Como não fossem sanhas tolas minhas
― a linha fina ainda escorre em gotas ―
sigo sozinha, vou um ponto abaixo
e quando encaixo o sol à minha porta,
na rua torta onde a chuva mora,
demora o choro nas lágrimas quentes.
Nilza Azzi
gotas de chuva, num país perdido.
Chora a vidraça, embaça aquela mágoa,
a água escorre e vai pela enxurrada.
Uma rajada e a chuva desce em ondas,
estronda o vento com seu assobio.
Um arrepio ― ondulam as cortinas ―
e névoas finas cobrem as montanhas.
Como não fossem sanhas tolas minhas
― a linha fina ainda escorre em gotas ―
sigo sozinha, vou um ponto abaixo
e quando encaixo o sol à minha porta,
na rua torta onde a chuva mora,
demora o choro nas lágrimas quentes.
Nilza Azzi
👁️ 36
Sublime amor
Sublime amor, perfeito amor, garanto,
desde que um dia tudo teve fim,
deixo a distância habitar em mim
– aumento assim a saga deste canto!
Se toda estrela brilha e nisso insiste
e perambula espaço afora, bela,
ao cintilar ante o semblante triste,
o pranto eterno deste vate, sela.
Como um planeta a perseguir o sol,
gira imantado, um mero seguidor,
desde os primeiros raios do arrebol,
bebo das luzes deste antigo amor.
Num mar de estrelas, célere, disperso
Migalha e areia, trastes do meu verso.
Nilza Azzi
👁️ 169
Nuvens
O tempo andava estranho, inquietante,
parado, com um peso assaz fatal
e olhando para o céu, a todo instante,
a cor que eu vislumbrava era anormal.
― São coisas do verão, alguém garante,
fazendo um comentário bem banal,
falando ao meu ouvido, num rompante,
num tom de voz que só me deixou mal.
Mas vence a natureza! É poderosa
e prova ― nessa vida tudo muda,
sem precisar de nós, nenhuma ajuda.
Ao meu redor a vida se aveluda,
pois de repente vejo-me ditosa,
numa nuvem de pétalas de rosa!
Nilza Azzi
parado, com um peso assaz fatal
e olhando para o céu, a todo instante,
a cor que eu vislumbrava era anormal.
― São coisas do verão, alguém garante,
fazendo um comentário bem banal,
falando ao meu ouvido, num rompante,
num tom de voz que só me deixou mal.
Mas vence a natureza! É poderosa
e prova ― nessa vida tudo muda,
sem precisar de nós, nenhuma ajuda.
Ao meu redor a vida se aveluda,
pois de repente vejo-me ditosa,
numa nuvem de pétalas de rosa!
Nilza Azzi
👁️ 30
Novos caminhos
Caminhos que segui, não por acaso,
em todos fui deixando as minhas marcas.
Às vezes as venturas foram parcas,
mas tudo que tu vives serve de azo
a que vás navegar em outras barcas...
A dores que vivi, não extravaso
à toa. Guardo a todas sem descaso,
não quero alimentar as vãs fuzarcas
—viver já não tem sido um mar de rosas!
Um céu que prenuncia o frio de agosto,
não deixa ver caírem meteoritos...
As esperanças movem os aflitos,
enquanto atrás do espaço do Sol posto,
o cinza ganha cores mais formosas.
Nilza Azzi
em todos fui deixando as minhas marcas.
Às vezes as venturas foram parcas,
mas tudo que tu vives serve de azo
a que vás navegar em outras barcas...
A dores que vivi, não extravaso
à toa. Guardo a todas sem descaso,
não quero alimentar as vãs fuzarcas
—viver já não tem sido um mar de rosas!
Um céu que prenuncia o frio de agosto,
não deixa ver caírem meteoritos...
As esperanças movem os aflitos,
enquanto atrás do espaço do Sol posto,
o cinza ganha cores mais formosas.
Nilza Azzi
👁️ 44
Origens
Um espaço sagrado, uma esfera privada,
não é grupo qualquer, é coeso, é unido.
E não há nada igual, é vital seu sentido,
é o motivo de tudo, é a mais bela florada.
Se, por vezes, se encontra, esse elo perdido,
e se existe uma angústia, uma dor abafada,
o que une essa massa está lá, na fornada,
e não cabe a cisão, isso não faz sentido.
É uma força tão forte, é assim que defino
a matriz que nos traz, à nossa humanidade,
a melhor opção ao mútuo crescimento.
Família é essencial ao ser de amor sedento,
ao núcleo mais interno, à nossa alma e há de
valer-me à solidão, encher de luz meu imo.
Nilza Azzi
👁️ 33
Um cheiro de excitação
O teu beijo tem o gosto da água fresca
e o teu cheiro vem cheio de feromônios,
quais pequeninos demônios que chegam
e incendeiam meus sentidos.
Sou mais que ouvidos e olfato,
sou um rio com seus fluídos...
O teu cheiro me entontece
me embriaga e me fascina.
É química que alucina,
o teu perfume
que vem pelos poros:
não é água de colônia,
nem loção após o banho,
não é ganho artificial.
É teu odor natural
embebido de desejo, que eu farejo
nos tecidos, na toalha, na extensão da tua pele,
no teu corpo por inteiro.
Nilza Azzi
👁️ 45
Por fás e por nefas
Pudesse eu compreender tua presença,
parcela dos meus sonhos, hoje em dia,
poria luz intensa e colorido
por tudo ao meu redor, sem pensar mais.
Procuro passo a passo a solução,
perfaço do meu verso, a longa estrada,
mas a palavra já se vai sem me levar.
Nilza Azzi
👁️ 23
Gala
O silêncio conversa a sós comigo,
conhece a voz que sabe, mas se cala.
As luas giram roucas, sem perigo,
enfeitam-se as estrelas para a gala.
O céu, de um brilho tolo e muito antigo,
esquece a pertinência de uma escala
e diz: – A imensidão é meu castigo!
E a vida, haverá meios de imitá-la?
Aquém dessa cortina de poeira,
a cósmica poeira trás o espaço,
instila-se um vazio estranho e denso.
Persigo uma palavra – ela se esgueira.
Remendo a sombra nua do que faço
e sorvo a inanição de um mundo denso.
Nilza Azzi
conhece a voz que sabe, mas se cala.
As luas giram roucas, sem perigo,
enfeitam-se as estrelas para a gala.
O céu, de um brilho tolo e muito antigo,
esquece a pertinência de uma escala
e diz: – A imensidão é meu castigo!
E a vida, haverá meios de imitá-la?
Aquém dessa cortina de poeira,
a cósmica poeira trás o espaço,
instila-se um vazio estranho e denso.
Persigo uma palavra – ela se esgueira.
Remendo a sombra nua do que faço
e sorvo a inanição de um mundo denso.
Nilza Azzi
👁️ 67
Comentários (4)
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petrillipoesia
2020-03-23
Belos sonetos!
sergios
2020-01-23
Obra maravilhosa! Madura, plena e rica!
filipemalaia
2019-12-31
Parabéns Nilza, lê-la foi um privilégio.
Maria Lima
2019-08-02
Me perdi em seus poemas, quase não consigo sair. Encantadíssima! Parabéns!
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