Lista de Poemas
Poema enrolado
E fica assim o dito por não dito
e o que acredito não mais tenha crédito
e o que se crê não seja pelo mérito,
pois quem merece já nasceu bendito
e não precisa, então de um analgésico,
para conter um coração aflito,
porque o amor é tudo que permito,
na condição de ser de fato inédito,
de compreender os ritmos do rito
e não viver apenas no pretérito,
ter um presente refinado e ético,
mostrar que o mundo é um lugar bonito
e sem perder e sem ganhar também,
eu tenho dito, em terra de ninguém...
Nilza Azzi
e o que acredito não mais tenha crédito
e o que se crê não seja pelo mérito,
pois quem merece já nasceu bendito
e não precisa, então de um analgésico,
para conter um coração aflito,
porque o amor é tudo que permito,
na condição de ser de fato inédito,
de compreender os ritmos do rito
e não viver apenas no pretérito,
ter um presente refinado e ético,
mostrar que o mundo é um lugar bonito
e sem perder e sem ganhar também,
eu tenho dito, em terra de ninguém...
Nilza Azzi
👁️ 38
Primícias
Jamais deixei de amar Adão, perfeito,
o homem ideal, puro e sincero;
o doce companheiro, o que mais quero,
de quem posso cuidar do melhor jeito.
Aquele que em meus braços sempre estreito,
enquanto deslizamos num bolero,
e os mimos são maiores do que espero;
enfim, o meu parceiro, por direito.
É ele que me deixa satisfeita,
preenche a minha vida com afeto,
entrega-se da forma mais singela.
À noite, em minha cama, ele se deita
e sabe amar de um modo bem direto;
um modo que o recato não revela.
Nilza Azzi
o homem ideal, puro e sincero;
o doce companheiro, o que mais quero,
de quem posso cuidar do melhor jeito.
Aquele que em meus braços sempre estreito,
enquanto deslizamos num bolero,
e os mimos são maiores do que espero;
enfim, o meu parceiro, por direito.
É ele que me deixa satisfeita,
preenche a minha vida com afeto,
entrega-se da forma mais singela.
À noite, em minha cama, ele se deita
e sabe amar de um modo bem direto;
um modo que o recato não revela.
Nilza Azzi
👁️ 56
Passagem
No descampado extenso e verdejante,
uma donzela segue rumo à fonte.
Vai a buscar a água que sacia,
um passo imemorial, usado antes.
Vem, no sentido oposto, um viajante,
embaralhando as linhas do destino
e, no transverso cruza os passos dela,
sobre a relva marcada do caminho.
Trás os vergéis anônimos, os montes,
sobra do outro lado um oceano.
Dele, num dia antigo, a vida veio:
a Providência a fez tão colorida!
Passagem, já sem as marcas do começo:
– O céu, esse mar virado pelo avesso!
Nilza Azzi
uma donzela segue rumo à fonte.
Vai a buscar a água que sacia,
um passo imemorial, usado antes.
Vem, no sentido oposto, um viajante,
embaralhando as linhas do destino
e, no transverso cruza os passos dela,
sobre a relva marcada do caminho.
Trás os vergéis anônimos, os montes,
sobra do outro lado um oceano.
Dele, num dia antigo, a vida veio:
a Providência a fez tão colorida!
Passagem, já sem as marcas do começo:
– O céu, esse mar virado pelo avesso!
Nilza Azzi
👁️ 16
Partenogênese
Se dividisse ao meio o dom que te alimenta,
multiplicado assim, por divisão aos pares,
serias sabedor das artes do gameta;
farias destes céus espaços populares.
Se grávida da voz, a estrela se arrebenta
e traz o mundo à luz, ferida em mil esgares,
a cria então vingou da sedução sedenta:
— E tu não sujarás o chão onde pisares ...
Derrete-se o metal no caldeirão de Hades
e, dele, o que se faz é obra de Vulcano,
o criador do raio, estrondo sobre-humano.
Na conta de tirar, alteram-se as vontades,
e o gozo mais cruel, no sonho ele se frustra:
— O filho da uma deusa, a revelar-se um lustra.
Nilza Azzi
👁️ 137
Ponto de vista
Não há fazer algum, nem nada que se possa,
por mais que haja vontade, esforço e grande alento,
fazer para agarrar, com nossas mãos, o vento
(não pode o vento ser alguma coisa nossa).
Vai livre em seu caminho e, sem qualquer intento,
cabe às aves, ao céu, ao mar que forma a poça,
que logo irá sumir nos grãos da areia grossa,
ou cabe ao descampado inerte e sonolento.
É aquele que, ao deserto, as formas sempre alteia...
Se o que aparece além, lutando contra a areia
parece, ao nosso ver, apenas um camelo,
um outro pode olhar, mas não consegue vê-lo,
portanto, afirmará: – O que vi logo adiante,
podia até jurar que fosse um elefante!
Nilza Azzi
por mais que haja vontade, esforço e grande alento,
fazer para agarrar, com nossas mãos, o vento
(não pode o vento ser alguma coisa nossa).
Vai livre em seu caminho e, sem qualquer intento,
cabe às aves, ao céu, ao mar que forma a poça,
que logo irá sumir nos grãos da areia grossa,
ou cabe ao descampado inerte e sonolento.
É aquele que, ao deserto, as formas sempre alteia...
Se o que aparece além, lutando contra a areia
parece, ao nosso ver, apenas um camelo,
um outro pode olhar, mas não consegue vê-lo,
portanto, afirmará: – O que vi logo adiante,
podia até jurar que fosse um elefante!
Nilza Azzi
👁️ 33
Pacto
Eu te amei, num vazio inexistente,
amei a folha em branco, que encontrei.
Amei como uma puta ao seu cliente,
sem medo de ferir nenhuma lei.
E sei que procurei ser eficiente,
nas formas desse amar. Eu me apliquei!
E, sob aquele foco e aquela lente,
nos palcos do meu leito, foste rei.
Ah! Vozes desta parca lucidez,
o confronto titânico das eras
reduz a nada, a escolha que se fez.
Despojos pelo campo das quimeras
indicam que se foram de uma vez,
as pautas, que a seu tempo, eram sinceras.
Nilza Azzi
Nilza Azzi
amei a folha em branco, que encontrei.
Amei como uma puta ao seu cliente,
sem medo de ferir nenhuma lei.
E sei que procurei ser eficiente,
nas formas desse amar. Eu me apliquei!
E, sob aquele foco e aquela lente,
nos palcos do meu leito, foste rei.
Ah! Vozes desta parca lucidez,
o confronto titânico das eras
reduz a nada, a escolha que se fez.
Despojos pelo campo das quimeras
indicam que se foram de uma vez,
as pautas, que a seu tempo, eram sinceras.
Nilza Azzi
Nilza Azzi
👁️ 39
Tudo é festa!
Fiz um corte moderno no cabelo,
pintei as minhas unhas de vermelho;
descolei novo jeans, com muito zelo,
– mas foi da vendedora, o bom conselho.
No meu look, ninguém mete o bedelho,
a não ser que lhe doa o cotovelo;
não me imputem loucura ou destrambelho,
pois a data merece esse desvelo...
A ouvir 'We are young', o som bem alto,
lá fui eu, meu 'arango' pelo asfalto,
bem feliz, a curtir o novo lance,
os óculos de sol, os bem da hora.
Hoje é dia de rock, então, agora,
escolho um 'funk' e canto 'Alors on danse'!
Nilza Azzi
pintei as minhas unhas de vermelho;
descolei novo jeans, com muito zelo,
– mas foi da vendedora, o bom conselho.
No meu look, ninguém mete o bedelho,
a não ser que lhe doa o cotovelo;
não me imputem loucura ou destrambelho,
pois a data merece esse desvelo...
A ouvir 'We are young', o som bem alto,
lá fui eu, meu 'arango' pelo asfalto,
bem feliz, a curtir o novo lance,
os óculos de sol, os bem da hora.
Hoje é dia de rock, então, agora,
escolho um 'funk' e canto 'Alors on danse'!
Nilza Azzi
👁️ 58
Primavera
Então é primavera e eu nem sei
o inverno todo, onde se escondeu,
nem onde foi parar o anseio meu
– nova estação na vida e nova lei.
No mundo, a natureza é um himeneu,
por todo lado o amor impera e, rei,
comanda mais belezas que sonhei
– nova estação que a alma recebeu!
Só sei que choveu cedo e lavou tudo,
levou embora aquele frio agudo;
deixou doce frescor, suavidade...
O inverno ficará só na saudade
do chocolate quente e da lareira.
Bem-vinda, enfim, a bela jardineira!
Nilza Azzi
👁️ 42
João e Maria revisitado
Passou por mim num sopro, quase nada,
foi parar bem longe da visão.
Guardava em si a cor da madrugada
e o cheiro bom das chuvas de verão...
Um dia ressurgiu na minha estrada,
já decidido a ter meu coração,
e me deixou surpresa e atordoada,
assim, fui incapaz de dizer não.
Ele era o mundo e todo seu mistério,
senhor de um reino vasto e circular,
onde encontrei nobreza e conteúdo.
Nem sempre era pra ser levado a sério.
Era-me necessário, como o ar...
– Ele era o meu poema sobretudo.
Nilza Azzi
foi parar bem longe da visão.
Guardava em si a cor da madrugada
e o cheiro bom das chuvas de verão...
Um dia ressurgiu na minha estrada,
já decidido a ter meu coração,
e me deixou surpresa e atordoada,
assim, fui incapaz de dizer não.
Ele era o mundo e todo seu mistério,
senhor de um reino vasto e circular,
onde encontrei nobreza e conteúdo.
Nem sempre era pra ser levado a sério.
Era-me necessário, como o ar...
– Ele era o meu poema sobretudo.
Nilza Azzi
👁️ 34
Janela para o poente
Pela janela aberta, vai o pensamento,
olhando a paisagem, mas não se detém
na árvore, na flor, no pássaro, em ninguém,
em busca do meu sonho, aquele que acalento...
E nessa mesma tela há força, estou ciente,
pois ela põe no ar a visão de um portal.
Ao longe iluminado, o brilho é sempre igual,
no ar avermelhado dessa tarde ardente.
Se dentro do ambiente, instala-se a penumbra,
lá fora ainda há luz, em brilhos de quermesse.
Difusos os contornos, já não se vislumbra
nenhuma ave no céu. O escuro, lento, desce...
E o fio da minguante, em prata risca o céu,
enquanto o sol se vai e a alma fica, ao léu.
Nilza Azzi
olhando a paisagem, mas não se detém
na árvore, na flor, no pássaro, em ninguém,
em busca do meu sonho, aquele que acalento...
E nessa mesma tela há força, estou ciente,
pois ela põe no ar a visão de um portal.
Ao longe iluminado, o brilho é sempre igual,
no ar avermelhado dessa tarde ardente.
Se dentro do ambiente, instala-se a penumbra,
lá fora ainda há luz, em brilhos de quermesse.
Difusos os contornos, já não se vislumbra
nenhuma ave no céu. O escuro, lento, desce...
E o fio da minguante, em prata risca o céu,
enquanto o sol se vai e a alma fica, ao léu.
Nilza Azzi
👁️ 37
Comentários (4)
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petrillipoesia
2020-03-23
Belos sonetos!
sergios
2020-01-23
Obra maravilhosa! Madura, plena e rica!
filipemalaia
2019-12-31
Parabéns Nilza, lê-la foi um privilégio.
Maria Lima
2019-08-02
Me perdi em seus poemas, quase não consigo sair. Encantadíssima! Parabéns!
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