Escritas

I-XLIII Jaezes de vida e morte

Murilo Porfírio
Não há data que eu suporte

o Sol sobre esta cidade.

Orei para pisar nesta terra e, agora,

queimo como se meus pecados

adiantassem-me ao inferno.

 
Já não estou perdido suficiente?

Rodeado por almas fascinadas por lugares que não estou.

Vejo o dia que levarão meu corpo ao espaço.

 
Nem sequer sou livre

e ameaçam prender-me fora da realidade.

Sou âncora de qualquer coisa que os tirem daqui.

E não ligo, eu não vivo,

sou comida para almas cansadas do paraíso.