Escritas

I-XXXII Jaezes de vida e morte

Murilo Porfírio
Ouvi sobre quem vive nesta ideia como quem vive no rancor.

Estive pressentindo o sentido do fim, e a isto corro como se corresse a mim.

Lembro-me de Árion cada vez que me sinto lento,

pois não sou Jó, nem ao Hades me arrependo.

 

Lembro-me das coisas vãs e das coisas más,

e disso nada serve-me de martírio ou pesar.

Aponto para os melhores, omito os piores,

faço que julguem quem tudo pode.

Assim sinto me vazio dos pés à cabeça,

oro apenas para sentir-me como Santa Catarina ou Teresa,

acreditando no que há de ruim com clareza.

 

E aos homens que ostentam gostos amargos,

às mulheres que casam de mau grado,

mostro-me como um refúgio do pecado.

Concebo em mentes cheias de mim,

o único lugar para um bom fim.