Lista de Poemas
ANSIEDADE
Antecede momentos de pânico
Reais ou irreais
Ânsia e muito desânimo
Sensações corporais
Sensação desagradável
Angústia, muita aflição
Inquietude, indesejável
Cheia de grande excitação
Os sintomas de fatiga
Falta de ar ou estar sufocado
Um arrepio na barriga
Coração mais acelerado
O tórax a apertar
Alguma transpiração
E a boca a começar secar
Ansiedade é emoção
Ansiedade se acarreta
Sem às vezes saber como
O estado biológico afeta
Provocando grande transtorno
Ansiedade por viver
Mudar o estado das coisas
Até impede de comer
Mesmo sem a pessoa querer
Ansiedade por um trabalho
Por ter a família às costas
Não ter pão e agasalho
Estarem fechadas todas as portas
Ansiedade por um amor
Correspondido ou não
Sentir a chama ou a dor
O aperto no coração
A doença gera ansiedade
Um estado geral debilitado
O medo e a sensibilidade
Deixa o doente amargurado
Uma situação de perigo
Ou mesmo de adrenalina
Numa o medo está contigo
Noutra por gosto alinha
20-11-2012 Maria Antonieta Matos
MEMÓRIA
A memória é o registo
Gravado ao longo da idade
Se me esqueço não desisto
Ponho a mente em atividade
Disponho tanta energia
Na mente para recordar
Que a memória atrofia
Sendo impossível pensar
A memória já me atraiçoa
Com as palavras que idealizo
E para não pensar à toa
A escrever as memorizo
Absorve conhecimento
Para gerar nova ideia
Usada no pensamento
Em tudo o que planeia
A escrever ao pormenor
A informação que faz história
Fica para muitos ao dispor
Em livros para a memória
Há discos para armazenar
Conteúdos muito importantes
Também eles podem esgotar
A memória nuns instantes
Uma foto para a história
Recorda cada momento
Seja mau ou de vitória
Não caem no esquecimento
A idade e a memória
Entram em contradição
Se a palavra não sai na hora
E só sai atrapalhação
15-11-2012 Maria Antonieta Matos
TERENA
Corri por ti, caminhos não desbravados
Brinquei, cantei, chorei e sorri alegremente
Vibrei bailando, aqui ficámos enamorados
Não esquecerei pedaços de nós na minha mente
Em cada passo cambaleando fui descobrindo
Cada passagem, cada nome emaranhado
Uma gracinha para a família, enternecida
Quando balbuciava cada palavra, distorcida
À luz da candeia contando histórias, me encantei
No silêncio cantavam grilos na noite de breu
Palmilhei lugares sonhando a realidade que criei
Ou amedrontada no leito rebolava ansiosa
Temendo do sonho que o momento teceu
Sonolenta, soluçando, acordava duvidosa.
22-06-2013 Maria Antonieta Matos
TERENA TERRA ONDE NASCI
Que linda terra tu és
Velhinha perto do céu
A Lucefécit a teus pés
É azul o teu chapéu
Casas cheias de brancura
Cada pedrinha conta uma história
Um castelo onde a luta e bravura
Tem um marco aceso na memória
Teus recantos floridos
Ruelas, igrejas e fontes
Tens por todo o lado montes
Belos campos coloridos
Gado pastando no verde prado
Ouvem-se murmúrios e bramidos
Ouve-se o sino lá no adro
Sabores e aromas perfumados
Rosmaninho, esteva, alecrim,
Hortelã, poejo entrelaçados
No campo, quintais e jardim
Gente que trabalha pela calma
Que conversam pelos cantos
Que se sentam à soalheira
Para observarem teus encantos
Passos, parecendo castanholas
Musicando no sossego
Portados e lindas janelas
Entre elas muito apego
Recônditos, “estórias” de amor
No teu livro escreves segredos
Paixões, medos, desamor
Páginas secretas, enredos
Brincando a criançada
Livremente no teu chão
Dão-te sorrisos, gargalhadas
Dão larga à sua emoção
És um lugar de poetas
Apetecível por escritores
Tens tuas portas abertas
Para inspirares os pintores
Tens o santuário da Boa Nova
Muito raro e muito antigo
Que fica ao longe numa cova
Num silêncio apetecido
Cantigas de Santa Maria
Foram dedicadas a ti
És palco de romaria
Ninguém se esquece de ti
Ruínas de culto Endovélico
Anterior à época romana
Deus luz, Deus maquiavélico
Uma divindade profana
Maria Antonieta Matos 03-03-2013
AMIZADE
Amizade amor maior, provida de cumplicidade
Fragrância desinteressada que não se extingue
Não conhece nossos defeitos, exalta as qualidades
Sempre de livre vontade, sem nada que a obrigue
Amizade é um sentir de conforto amenizada na dor
Desabrochando em cada dia a alegria e a felicidade
Nada mais belo que as gargalhadas enchendo de cor
Compartilhado cada ensejo, enquanto dura a amizade
Nada faz por caridade, não anda de mão estendida
Amor que fala verdade com confiança desmedida
Presente sempre a igualdade, reina cheia de virtude
Inteira de corpo e alma, uma ligação de bem-estar
Flor perfumada e colorida, tem as pétalas a ressaltar
Iluminando o coração de grandeza e juventude
14-05-2013 Maria Antonieta Matos
RIR
O riso ressalta da alma
No “goto” cai uma graça
Espontâneo do sério resvala
Reagindo pela chalaça
É o riso mais natural
O mais sentido no ser
Aquele que vai contagiar
Na feição se pode ver
Há o sorriso amarelo
A manifestar grande maçada
Sendo possível sabe-lo
Pela cara angustiada
Um sorriso é revelador
Do carácter duma pessoa
O sincero é merecedor
O cínico não se perdoa
O sorriso abre caminho
Conquista o mal-humorado
Que não resiste ao “choradinho”
Dum sorriso tão engraçado
O sorriso cura o mal
Suaviza a solidão
Um remédio natural
Libertado pela expressão
O sorriso é boa-disposição
É amar tão simplesmente
Um efeito de sedução
Sai da alma naturalmente
Évora, 30-11-2012 - Maria Antonieta Matos
AMAR A NATUREZA
Eu quero amar eu quero amar a natureza
Observar o horizonte, tanta beleza
Existir, viver sentir os cheiros e os sabores
Olhar as estrelas cintilando luminosas
A lua mudar de face, vê-la crescer ou minguar
Percorrer caminhos, poder voar
Me aconchegar nas nuvens fofas, a sonhar
Acordar a contemplar o sol nascer
Correr, saltar, ficar alegre, poder mirar
Os rios, os montes e os animais adormecer
Ouvir o som inspirador dos passarinhos
Nos ramos das árvores a saracotear
Estar em silêncio escutando seus segredinhos
03-04-2013 Maria Antonieta Matos
TERENA II
Olhando a paisagem infinitamente bela
Do alto do monte, debruçada de espanto
O castelo e a muralha é a grande janela
Da gente que delicia sublime encanto
Um horizonte vasto emergindo a natureza
Querer abraçar o silêncio nos próprios sentidos
E inspirar de arte, de tranquilidade e nobreza
Momentos vítreos que nunca serão esquecidos
O silêncio dos tempos de medos guardados
Ouvir, sentir em cada pedrinha na maior profundeza
Enredos e segredos de gentes guerreiras e arrojadas
O silêncio da memória em livros escriturados
O espólio do povo que enriquece gerações, pela rareza
Que desperta o conhecimento e as torna fascinadas
04-04-2013 Maria Antonieta Matos
MÚSICA
No silêncio a ouvir a música
Deixando os sentidos vibrar
A calma entra no espírito
E começa-se a sonhar
Arte de combinar sons
Encadeada com a pausa
Gostar depende dos tons
Da sensibilidade e da causa
A música também se sente
Sem a música estar a tocar
No sentido fica aderente
Ficando o corpo a bailar
Quem vê, acha que é louco
Quando o vê a gesticular
Por não ouvir nem um pouco
A música que outro ouve a tocar
A música faz parte da alma
É difícil de exprimir
Ouve-se como uma fala
Que queremos transmitir
Emoção à flor da pele
Os acordes num concerto
Não há sofrimento que impere
A musicalidade do excerto
Arte sempre à descoberta
De novos ritmos e revelações
O prazer de quem interpreta
Faz unir as multidões
A música é representação
É espetáculo é sintonia
Cultura e composição
Técnica e muita harmonia
Uns gostam de sons melodiosos
Outros de sons a bombar
Uns são silenciosos
Outros servem só para excitar
13-11-2012 Maria Antonieta Matos
SONHADORES
Eles que sonham despertos
Revirando o pensamento
Tantos caminhos abertos
São percorridos num momento
Veem o mundo fantasiado
Arquitetam argumentos
Concebendo muito floreado
Iluminados pensamentos
Navegam pelo desconhecido
Numa aventura hilariante
No amor embebecidos
Enfeitiçam a sua amante
Muitas vezes infelizes
Pela realidade intransigente
Não curam as cicatrizes
Porque o sonho é diferente
26-10-2012 Maria Antonieta Matos
Comentários (2)
obrigado por me ler
Gostei , escreves bem :)
Editou o livro “ Visita à Aldeia da Terra” através de Edições Poejo, baseado e inspirado na Aldeia de esculturas em barro e cimento, sita em Arraiolos, livro de quadras e fotografias personalizadas na atividade e profissões da aldeia, apoiada pela junta de freguesia de Arraiolos. Fez apresentação do livro em escolas e Bibliotecas Municipais para crianças do jardim-de-infância, escola básica e séniores. Colabora em vários grupos de poesia e blogs.
Editou o livro "OLHARES RITMADOS - Nada Sou... Mais Do Que Eu", em 2022
Participação em Coletâneas: “Poetizar Monsaraz - Vol I” “Poetizar Monsaraz Vol II” “Nós Poetas Editamos V” “Nós Poetas Editamos VI” “Sentir D’um Poeta” “Eternamente Poeta” “Poesia sem Gavetas Parte III” “Poemário 2015” “Conto de Poetas Parte III” “Amor Eterno” \"Poemário 2016\" \"Apenas Saudade\" \" Fusão de Sentires\" \"Poemário 2017\" \"Mais Mulher\" \"Perdidamente II\" - Autores Edição - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Sopro de Poesia\" - Autores Edição Orquídea Edições - Grupo Múltiplas Histórias \"Poesia a Cores\" - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Dança das Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Poesia com Reticências (...) - Pastelaria Studios Editora \"Poemário 2018\" - Pastelaria Studios \"Cascata de Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Perdidamente Vol. III\" - Poem' Art - Grupo Literário Amigos - " Delírios de Verão" - Delírios de Outono" "Poesia na Escola" Verso & Prosa
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