Lista de Poemas
TÉDIO
Tédio, anda por mim a girar
Diz-se muito meu amigo
Está doidinho para cá ficar
Fica de gracejo comigo
Não tenho tempo pró aturar
Em nova arte me abrigo
O tempo passa a voar
Tédio já anda aborrecido
Já tentou vir disfarçado
Mas logo me apercebi
Pelo seu jeito enfastiado
Para de vez sair daqui
Alvitrei-lhe um álibi
E mandei-o para o diabo
04-09-2013 Maria Antonieta Matos
HUMOR
O humor faz tanto rir
Como faz muito chorar
Muito difícil definir
Forma de arte e pensar
Humor é um estado animado
Com grande grau de disposição
De bem-estar consagrado
De elevada emoção
É feito de ironia
Destrói muitos paradigmas
Misturado na zombaria
Faz rir com muita alegria
A comédia também é aliada
Da boa disposição
De gente bem-humorada
Abstraída de preocupação
Depende da interpretação
Da personalidade de quem ri
São momentos de distracção
Ficando descontraído e feliz
De uma forma divertida
Para melhorar situações
A sátira é muito atrevida
Denunciando aberrações
Humorista converte em riso
Tudo o que se diz e se faz
De ar superior, destemido
Na manga o humor trás
Faz muito bem à saúde
Comprimido de bem-estar
Aproveite esta virtude
E nada os vai molestar
22-11-2012 Maria Antonieta Matos
ADMIRANDO
Vítreos olhos admirando
Ondeada serra de prata
Matiz de cores pintando
Socalcam notas em cascata
Presépios povoam a vertente
Corre o rio lá no vale
Espelhos de água corrente
Cai branco e azul o teu xale
Quem te vê tão sublimada
No sossego a meditar
Por ti fica deslumbrada
Embebida a relaxar
Aromas se cruzam a perfumar
Quando sopra a ventania
Enche-se o peito de ar
Afaga o rosto a maresia
Os sentidos disparados
Esculpindo a bela paisagem
Num coração acalmado
Na grandiosa miragem
Maria Antonieta Matos 16-12-2013
APARÊNCIA
Aparência é a imagem
Vista numa perspetiva
Tal qual uma miragem
Pode não estar definida
Ao fixar uma pessoa
Faz-se uma radiografia
A impressão às vezes é boa
E a realidade atrofia
Ajuíza-se a aparência
O semblante não cativa
Contudo a sua essência
Só tempo a valoriza
Quando interessa mostrar
Um aspeto convincente
Tudo serve para mascarar
Iludindo aquele momento
Este fenómeno encobre
A sábia imaginação
Que mais tarde se descobre
Que foi tudo encenação
A virtude ou a maldade
No interior anda escondida
Não mostrando a realidade
No seu ar logo à partida
No vestuário também é igual
Tudo se confunde no belo
Por baixo anda todo roto e afinal
Trás casaco para escondê-lo
Encapotados na aparência
Mostram aquilo que não é
Até mesmo na competência
E nos canudos até
Desconfie da aparência
Não embarque de uma vez
Mostre a sua coerência
Observe tudo com altivez
08-11-2012 Maria Antonieta Matos
EM BUSCA DE AMOR
Parti buscando a ventura
Deixei para trás o meu lar
Levei sonho e bravura
À espera da vida mudar
Tinha um brilho no olhar
Com um ar de candura
O paraíso esperava encontrar
Mas, ah! Isso era loucura
Era amor que eu queria ter
E esse amor não encontrava
Amava sem perceber
Que era a miragem da alma
Do quando o peito sonhava
Num amor de tanto querer
Que sem querer me enganava
Subi o alto do monte
Toquei as nuvens no ar
Vi o mundo o horizonte
Os rios o mar e as fontes
Ouvi pássaros a chilrear
Vi natureza maltratar
Vi cidades e muitas gentes
Soberbos a enganar
Num falso jeito de amar
Vi a injustiça governar
E a maldade prevalecer
Vi pobres pedinchar
Para aos filhos dar de comer
Vi lá muito sofrimento
Olhares de indiferença
Os velhos no esquecimento
Lutando sós na doença
Vi crianças sem esperança
Com o futuro ameaçado
Vi famílias sem segurança
Todo o povo maltratado
De tanto que caminhei
Os meus pés estão gretados
E o amor, não encontrei
Neste mundo despedaçado
Em tão grande caminhar
Matei os sonhos e sorrisos
Ao meu lar quero voltar
O meu único paraíso
Quero continuar a sonhar
Enchendo de esperança o futuro
Com amor o mundo mudar
Para voltarem os sorrisos
31-01-2013 Maria Antonieta Matos
AMOR é chama
Amor é chama
É desejo do outro ter
Alegria, dor, paixão é loucura
É perdão, é prazer, é cura
É um sentir de muito querer
É saborear o momento
Sem pressa, sem hora, sem tempo
Um olhar apaixonado
É união, é força, é ser amado
É amar a todo o tempo
É felicidade plena consentida
É proteção desmedida
É segredar coisas lindas
É beijar, tocar é ferida
É não ter idade, é companhia
É realização, plenitude
É ter o sol é juventude
É viver em harmonia
É um sentimento puro
É ver luz até no escuro
É natural, é fiel, é euforia
É triunfar quando tudo está perdido
É ambição, é paraíso
É saúde, é surpresa
É arrepio, é não ter nenhum juízo
É não duvidar, é namorar, é sorriso
07-01-2013 Maria Antonieta Matos
In "Nós Poetas Editamos VI"
SONHAR
Ouço o bramido do mar
Como se fosse aqui perto
Sinto a frescura do ar
E o sol bem descoberto
Vejo todo o horizonte
Vejo o prado, vejo o deserto
Vejo ali um grande monte
Vejo um caminho incerto
Ouço o som da ribeira
E sigo todo o seu percurso
Contemplo tudo ali à beira
Num silêncio absoluto
Ouço o som dos passarinhos
Num chilrear de melodias
Vejo as cegonhas nos ninhos
Vejo no bico o que trazem
Pr’a alimentar os filhinhos
Vejo os desenhos que fazem
No ar quando eles voam
E quando os filhos se perdem
As mães logo apregoam
Vejo as nuvens contrastando
Na paisagem colorida
E o sol vem se mostrando
Para o crescimento da vida
Vejo muitos animais
Comendo no verde prado
Vejo muitos olivais
E vejo o trigo dourado
Vejo os peixinhos do mar
Deslizando alegremente
E dou comigo a navegar
Numa aventura delirante
Sinto o vento levemente
Como quem brada por mim
Mostrando-me alegremente
Toda a paisagem sem fim
Vejo os vales e montes
E vejo tudo de branco
Vejo geladas as fontes
Corro tudo sem descanso
Depois de muito caminho
O céu começa a chorar
E balbuciou-se baixinho
Sou chuva, vou te molhar
Acordei de contentamento
Porque gosto de me molhar
Sentir o belo momento
E vi sementes a germinar
Os campos estavam floridos
Pintados com lindas cores
E sussurravam zumbidos
Num namoro às flores
Poisaram abelhas de mel
Coloridas borboletas
Rastejavam bicharocos
Nas flores indefesas
Maria Antonieta Matos
SONS
Ondas harmónicas ou ruído
Naturais ou artificiais
Alguns ferem o ouvido
Outros agradáveis de mais
O chilrear do passarinho
No silêncio combinado
Dá para ver o seu jeitinho
E decifrar o palavreado
O correr do ribeirinho
Num tom muito afinado
Salta a rã nada o peixinho
Fica o som acompanhado
Mas o rugido do portão
Ao abrir ou a fechar
Ao ouvido faz confusão
E no corpo faz arrepiar
E o estrondo de uma bomba
Ui que força e medo dá
Estoiro grande de arromba
Que extermina tudo o que há
O trovão som semelhante
Causa um grande respeito
Embora não tão gigante
No céu estala esse efeito
O som do sapateado
Faz mexer todos os sentidos
Os nerónios acalmados
Como música para os ouvidos
Utilizados na comunicação
Para musicar ou alertar
No ambiente também estão
Outros são para matar
Os sons mais apreciados
São os que fazem vibrar
Mas os mais harmonizados
São melhores para acalmar
31-10-2012 Maria Antonieta Matos
AMIZADE II
Amizade amor maior, provida de cumplicidade
Fragrância desinteressada que não se extingue
Não conhece nossos defeitos, exalta as qualidades
Sempre de livre vontade, sem nada que a obrigue
Amizade é um sentir de conforto amenizada na dor
Desabrochando em cada dia a alegria e a felicidade
Nada mais belo que as gargalhadas enchendo de cor
Compartilhado cada ensejo, enquanto dura a amizade
Nada faz por caridade, não anda de mão estendida
Amor que fala verdade com confiança desmedida
Presente sempre a igualdade, reina cheia de virtude
Inteira de corpo e alma, uma ligação de bem-estar
Flor perfumada e colorida, tem as pétalas a ressaltar
Iluminando o coração de grandeza e plenitude
14-05-2013 Maria Antonieta Matos
DESCOBERTA DE UMA CIDADE
Desafio e conhecimento
É aquilo que lhe proponho
Com muito divertimento
E muito empenho, suponho
Aos meninos e meninas
Vindos de todos os lados
Vamos traçar algumas linhas
Para ficarem informados
Tem um castelo bem alto
Uma história ao seu redor
De Evoramonte é um passo
E tem marcas de valor
Vamos descobrir um cantinho
Um cantinho de Portugal
Com bonecos e pucarinhos
Uma cidade artesanal
Para assentar na cadeira
O buinho e a palhinha
Que o povo corta na ribeira
E são lindas p’ra cozinha
Predominando as cores
Azul, verde, branco e castanho
S ão pintadas lindas flores
O mobiliário Alentejano
Há artistas na cantaria
Têm gosto refinado
Valiosa sabedoria
E são muito solicitados
Fazem estatuetas admiráveis
E outras peças, para construção
São lindas e agradáveis
Arte com alma e coração
Há chocalhos com muitos sons
Do maior ao mais pequeno
O gado lhes dá os tons
Enquanto comem o feno
Há sobreiros muito antigos
Com copas muito frondosas
O gado fica protegido
Nas sombras maravilhosas
Do tronco se tira a cortiça
E tem muita utilidade
T arros, rolhas e outras dicas
Só o povo tem criatividade
Se tira também a lande
Para o porco o seu sustento
Que faz tenra a sua carne
Para o povo é alimento
Tem vinho e tem azeites
Belas vinhas e olivais
Nas terras lindos enfeites
Deslumbra os olhos demais
Tem queijos e tem enchidos
Com sabor sem igual
São por muitos conhecidos
É produto tradicional
Tem mármore para exportação
Vem da terra tal riqueza
Tem também a serração
Para o transformar em beleza
Fazem-se peças de estanho
Também muito apreciadas
Diversidade e tamanho
Para eventos são gravadas
Com lindo design e cor
A excelente Tapeçaria
Com o ponto de pé de flor
São bordados, é uma alegria
O ferro é trabalhado
Faz-se peças originais
É tudo muito pensado
Começou com castiçais
Tem também o latoeiro
Que está sempre a imaginar
Magica o dia inteiro
E faz peças para encantar
Há também os artesãos
Que fazem brinquedos de madeira
Para os mais pequeninos, são
São danados pr’a brincadeira
Há muita inspiração
E não se cansam a brincar
Com empenho e coração
E o sentido para observar
M obiliário pr’a bonecas
Reconstituição da história
Miniaturas diversas
Que não esquecem na memória
Há animais e carretas
Parelhas e tudo mais
Não faltam as picaretas
E as vestes regionais
Artesanato sobre as profissões
E os temas religiosos
Estão lá os cirurgiões
E os santos milagrosos
No museu para a memória
Existem lindas coleções
Fica um espólio de uma história
Contada por artesãos
De cor vermelha e amarela
E extraído da terra o barro
Fazem-se peças singelas
Quando peneirado e amassado
Depois do barro moldado
E de secar no forno
A pintura é o resultado
De lindas peças de adorno
Respeitando a tradição
R eligiosa e conventual
A ameixa para confeção
É um produto local
São herança familiar
Muitas destas profissões
Têm gosto para inovar
E preservar tradições
Com trabalho e motivação
Transformam as peles e os couros
Que lhe dá gosto e satisfação
E os produtos são duradouros
Também prenda esta cidade
O ofício do mosaico hidráulico
Prima a cor e qualidade
E o patrão é fantástico
Das matérias-primas naturais
E a pensar em reciclar
Inventa motivos florais
E faz quadros de admirar
Nos registos e maquinetas
A paixão falou mais alto
São lindas depois de feitas
E de um apreço elevado
A riqueza do Artesanato
Opera uma necessidade
Um querer imediato
E gostar de verdade
Sensação extraordinária
Individual criação
Uma compensação diária
E dá-se asas à imaginação
O vidro também é palco
Neste mundo artesanal
O espelho ganha um marco
Na vida de um casal
Não percas estes valores
Pois são formas de sustento
Imagina e pinta com cores
A arte e o teu talento
Valoriza a profissão
E dá-lhe muita importância
Será meio caminho andado
Para o sucesso e confiança
Procura as letras diferentes
No início de cada verso
Junta um Z às existentes
E a cidade fica a descoberto
Maria Antonieta Matos/ 2011
Comentários (2)
obrigado por me ler
Gostei , escreves bem :)
Editou o livro “ Visita à Aldeia da Terra” através de Edições Poejo, baseado e inspirado na Aldeia de esculturas em barro e cimento, sita em Arraiolos, livro de quadras e fotografias personalizadas na atividade e profissões da aldeia, apoiada pela junta de freguesia de Arraiolos. Fez apresentação do livro em escolas e Bibliotecas Municipais para crianças do jardim-de-infância, escola básica e séniores. Colabora em vários grupos de poesia e blogs.
Editou o livro "OLHARES RITMADOS - Nada Sou... Mais Do Que Eu", em 2022
Participação em Coletâneas: “Poetizar Monsaraz - Vol I” “Poetizar Monsaraz Vol II” “Nós Poetas Editamos V” “Nós Poetas Editamos VI” “Sentir D’um Poeta” “Eternamente Poeta” “Poesia sem Gavetas Parte III” “Poemário 2015” “Conto de Poetas Parte III” “Amor Eterno” \"Poemário 2016\" \"Apenas Saudade\" \" Fusão de Sentires\" \"Poemário 2017\" \"Mais Mulher\" \"Perdidamente II\" - Autores Edição - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Sopro de Poesia\" - Autores Edição Orquídea Edições - Grupo Múltiplas Histórias \"Poesia a Cores\" - Pastelaria Studios Editora Grupo Múltiplas Histórias \"Dança das Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Poesia com Reticências (...) - Pastelaria Studios Editora \"Poemário 2018\" - Pastelaria Studios \"Cascata de Palavras\" - Pastelaria Studios Editora \"Perdidamente Vol. III\" - Poem' Art - Grupo Literário Amigos - " Delírios de Verão" - Delírios de Outono" "Poesia na Escola" Verso & Prosa
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