CEGA DE NÃO ENXERGAR
Maria Antonieta Matos
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Estou cega de não enxergar, as palavras,
De não estarem claras na minha mente,
De ficar parada sem as ver, como a água
a correr ligeira, no papel á minha frente.
Vejo o vazio onde a ideia desaba,
Um silêncio que aos poucos se expande,
A sombra espessa onde a frase se acaba,
E o verso perdido num mar abundante.
Ah, fosse o verso uma flor que floresce,
Uma faísca de luz que me alcança,
Que acende o caminho onde a musa me esquece,
E traz de volta o fervor da esperança.
Mas não no breu me vejo só e, sem abrigo,
Cega de mim e, das palavras comigo.
Maria Antonieta Matos
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