AH! PINTOR
Ah! Pintor… poema de sulcos,
Sempre além a conceber,
Essência que só grandes vultos,
Assim riscam sem aprender.
Vem da alma tanta beleza
Rodopia o lápis certeiro
Anseia a mente com destreza
Ah! Pintor artista inteiro!
07/01/2016 Maria Antonieta Matos
Alentejo é natureza
Alentejo é natureza,
Onde se avista o infinito,
O mar, o céu, a terra é beleza,
E o cante é tão bonito!
Alentejo a sua gente,
É contada com humor,
Pelo modo de falar,
Pela forma de expor!
Alentejo veste-se de branco,
De azul e ocre a enfeitar,
E o vermelho para alegrar.
Cada estação tem um encanto,
No inverno correm rios de pranto,
E no verão é sol e mar.
No Outono as folhas dançam,
Ao toque da ventania,
Ó vento que tanto assobias.
Pões alegre o tapete do teu chão,
Com tão harmoniosas cores,
São as folhas, mas parecem flores,
Ah! Ofereces tanta emoção!
Primavera cobre-se de colorido,
De luz e olhares curiosos,
Os pássaros cantam divertidos,
Alentejo primoroso!
Maria Antonieta Matos 29-01-2017
Aguadeira do Alentejo
Aguadeira do Alentejo,
Tão esbelta assim nasceu,
Que o vento atrevido, tua veste sopra,
E nesses contornos adormeceu.
Maria Antonieta Matos 31-10-2016
ALENTEJANA
De repente surge alentejana bela e jubilosa,
S’ agiganta e floresce no vítreo olhar, tela famosa,
Braçada de louro trigo enfeita o seu regaço,
Que ilumina o tempo, os dias dos meus cansaços.
Alentejana que o calor tosta e zurze tua pele como fogo,
Que a energia não falta e irradia o dia todo,
Que a par dos homens versejas e entoas essa lucidez,
E a originalidade fascina o mundo ufano outra vez.
17-02-2017 Maria Antonieta Matos
MÃE
Grita uma saudade no peito,
Que acorda os dias, os passos,
Escurece meu íntimo desfeito,
De ver tão longe teus abraços.
Chovem lágrimas no sossego,
Revivendo a nossa estória,
Que se apagou de repente,
Desta maneira tão inglória.
Murmura-me a cada segundo,
Aquele teu passeio pela vida,
Que não esqueço neste mundo.
Ficarás sempre em pensamento,
A recordar teus sorrisos,
E a nasceres num momento.
21-08-2018 Maria Antonieta Matos
MÃE
Partiste o nosso coração
De saudade a cada instante,
Deixaste teu lugar vazio
Tão calado, tão sombrio,
Que o nosso mirar incessante,
Cheio de sede de te ver,
Turva de tanto nos parecer,
Sentir teus passos, teu ar,
A caminhar, a viver,
Sem cansaço a remexer,
E o teu peito tão amante.
Navega aqui tua estória,
Teus sorrisos escancarados,
Teus amigos enamorados,
Desses momentos de glória.
As lembranças que deixaste,
A saudade nunca esquece,
A cada canto que moraste,
Um renascer acontece.
Maria Antonieta Matos 06/09/2018
MÃE
Tens cuidadores de excelência,
Carinhosos e responsáveis,
Que a cada tua ocorrência,
Reduzem a dor implacável.
Como seria em meu querer,
Ficares em casa junto a mim,
Chorando sem saber que fazer,
Num desconforto sem fim.
Bendito o Ser humano,
Que pensou o remédio pr’a dor,
Que baniu desconforto e abandono,
E ditou dignidade, pra quem for.
Esse mal que muito afronta,
Que vem sem dó, nem piedade,
Que o remédio desencanta,
Que faz a dor sua vaidade
O sentir de cada um,
É tão difícil de ver,
Naqueles que se escondem na sombra,
E não se dão a conhecer.
Outros, as emoções sobressaem,
No seu rosto ou no seu gesto,
Ou quando as lágrimas caem,
De alegria ou de protesto.
Mas se houver quem nos espere,
De braços abertos e coração cheio,
Vivemos de todo mal libertos,
E do sofrimento… alheios.
24-08-2018 Maria Antonieta Matos
AMOR D’UMA VIDA INTEIRA
Amor d’uma vida inteira,
A perfumar cada etapa,
Como o vinho de primeira,
Pomada quando se destapa.
Pelos anos envelhecido,
Sempre a inovar doce, intenso,
Muda o tom, apetecido,
Fica o sabor em suspenso.
Cada vez mais envolvente,
Não passa um sem o outro,
Se um está mais deprimente,
O outro se mostra mais afoito.
Assim a vida s’ encanta,
A renovar em cada dia,
Porque males o amor espanta,
E passam os anos com alegria.
25-09-2018 Maria Antonieta Matos
MÃE
Aos ais está o meu peito,
De tanto te ver sofrer,
Tanta dor, tanto mau jeito,
No teu corpo a perecer.
Teu sofrimento está em mim,
E tão pouco posso fazer,
Ao teu olhar nem um sim,
O meu te pode parecer.
Sinto-me tão impotente…!
Pequenina a precisar de colo,
Por não ouvir o que sentes.
Porque estás presa no leito,
Proibida, sem consolo,
Como se mal tivesses feito?
24-08-2018 Maria Antonieta Matos
A CHUVA ÀQUELA HORA
Na madrugada telintavas veloz na minha vidraça,
Para que eu ouvisse o teu canto àquela hora,
Assobiava o vento, abanava porta que dava graça,
Mas não me atrevia, embora queria,
Aquele toque pl’a noite fora.
Maria Antonieta Matos 25-03-2018