O POETA
O poeta não tem dia,
Para ordenar ao pensamento,
Que apreciada poesia,
Desponte a cada momento.
O poeta de olhos fechados,
Há noite quando se deita,
Tem o cérebro revirado
Com tanta ideia escorreita.
Se não se levanta e escreve,
Tudo aquilo que criou,
O sono voa tão leve,
Que sem querer tudo enjeitou.
O poeta vive o sonho,
Sente a dor e a injustiça,
Almeja um mundo risonho,
Livre de agir, sem cobiça.
O poeta é clave de melodia,
Cobre as palavras de sentimentos,
Remexe e sente o dia-a-dia,
De olhos e ouvidos atentos.
O poeta contempla as coisas,
Tão perto da emoção,
Que as multiplica e ousa,
Na mais bela criação.
Fantasia uma pedra,
Ou uma flor encarquilhada,
Um temporal que descerra,
Numa serra arborizada.
Vive a tristeza e a alegria,
O amor e o desamor,
Faz nascer com ousadia,
O poema que faz clamor.
11-10-2016 Maria Antonieta Matos
CORAÇÃO NÃO SE CONTROLA
Coração não se controla,
Sabe lá por que razão,
De repente mata esfola,
Provocando a confusão.
Ah! Se te pudesse acalmar,
Nesse instante tão severo,
Baterias ao meu ritmo,
A dizer… tanto que te quero!
E se mais… ainda dissesse,
Um arrepio teria,
Amava-te como quisesse,
Estando os dois, em sintonia!
18/09/2016 Maria Antonieta Matos
CORAÇÃO INCONTROLADO
Quão coração incontrolado
Sem gerir os sentimentos
Vive à margem perturbado
Esmagando dias… momentos
Ah! Força que tudo meneias
Quando existe um abrir d’alma
Que nada, t’ impede e receias
Com amor, carinho e calma
É tão grande a emoção
A caber dentro do peito
Que festejo onde me deito
Inteira… abrasada de paixão
Combinado amor-perfeito
Coração clama refeito
25-08-2016 Maria Antonieta Matos
CORAÇÃO EMPEDERNIDO
Coração empedernido
Baralhado cheio de rancor
Que faz coisas sem sentido
Demente vazio de amor
Agosto 2016 Maria Antonieta Matos
FUI À FONTE BEBER ÁGUA
Fui à fonte beber água,
Unimos as nossas bocas,
Abalou a minha mágoa,
Que de sede estava louca.
A fonte não se esgotou,
E voltei a ter loucura,
Da minha boca ter sede,
Da tua, que mata a secura.
Não sacio a minha boca,
Receio que a fonte s’ esgote,
E a nascente já não volte.
Com este tempo de seca,
E o calor tão resistente,
Não há fonte que s’ aguente.
Maria Antonieta Matos 23/09/2016
MEU AMOR É COMPANHEIRO
Meu amor é companheiro
Nas viagens que fazemos
Não temos muito dinheiro
Mas vontade sempre temos
Damos voltas reviravoltas
Para ver tudo que nos rodeia
Tiramos mil e uma fotos
Partimos de memória cheia
Sentimos muita alegria
Descobrimos novos trilhos
Levamos sabedoria
Na bagagem muito brilho
Visitamos monumentos
Que nos falam da sua história
E os olhos espelham momentos
Que foram feitos de glória
É bom aproveitar a vida
Fazer dela uma festividade
Torná-la mais divertida
Como crianças sem idade
Contemplamos a natureza
E a sua diversidade
Disfrutamos tanta beleza
Com muita cumplicidade
Conhecemos nova gente
Saboreamos pratos regionais
Somamos mais uns amigos
Porque amigos não são demais
Évora, 05-06-2019, Maria Antonieta Matos
Que me serve o Sonho?
Que me serve o sonho, que não realizo
Com a ansiedade que me leva e mata
Sempre à procura e, sempre me escapa
Por teimosia da mente, tão insensata
Que me serve o sonho, o brilho que tem
Se quando desperto todo o sonho cai
Se o mundo conspira e a esperança s’ esvai
E a vida debanda… nem um grito, nem ai
Que me serve o sonho sempre a imaginar
E meus olhos tristonhos em pranto
Com escassos recursos, p’ra poder mudar
E de repente o olhar distante, o sonho achou
E o brilho dos olhos, em sorriso amplo
Quando a flor se abriu e uma asa voou
Évora, 17-04-2019, Maria Antonieta Matos
AMIGO
Ao olhar o azul do céu iluminado
Onde repousas de riso aberto a fantasiar
Coras a tela no universo… sempre apaixonado
Das mais lindas cores de pintar
De asas ao sol e ao vento a estremar
Na mais pura inspiração… que arrebata
O sonho eterno brinca sempre aprofundar
As cores dançam ao som da mais bela serenata
E nessa enormidade a tua alma pura
Abrilhanta a terra de formosura
Que grita de saudades de ti
Coloquei uma escada até ao céu, aqui do adro
Onde expões agora os teus quadros
Para declamar meus versos também aí
Maria Antonieta Matos 23/04/2019
O INVERNO
Ó inverno pareces doente
Já não choras como outrora
Nem o frio é persistente
Tudo é diferente agora
Não digo que não goste disso
Mas inquieta o ambiente
A cultura muito sente
E todos pagamos com isso.
Maria Antonieta Matos 05-02-2019
Ó NOITE…
Ó noite… tão longínqua me pareces
Quando o pensamento se recusa a dormir
Tudo vem à memória… que nada esquece
E ainda acrescenta tudo aquilo que pensa vir
Ó noite acordada que sempre trazes reboliço
Na alma, no coração, no cansaço dos meus ais
No corpo dorido, revoltado, quebradiço,
E aos olhos aflitos que não se querem fechar mais
Ó amanhecer que já não te ouço, nem te vejo
Tinha planeado o meu dia de esplendor
Mas apaguei os sentidos e nada mais almejo
A sombra ficou em mim suspensa, sem nenhuma cor
Esqueci o sorriso, o nome e o desejo
Sucumbi no sono e fui à busca do sonho de amor.
15-03-2019 Maria Antonieta Matos