Lista de Poemas
Suspiro
Suspiro ou suspirava
Num ensejo soprado baixinho, num ânimo.
Numa carícia suave, num pensamento voado,
Esvoaçado por entre o infinito de ar ameno.
Suspiro ou suspirava
Num deleite banhado no brilho dáum olhar
Num reflexo gemido, lamento ou saudade.
Num choro calado prendido ao luar.
Suspiro ou suspirava
Num sopro de alento em paixão vivificada.
Num sorriso perdido em corpo saciado,
Numa maré repleta, alma renovada.
Suspiro ou suspirava
Envolvendo-me nas nuvens divagadas
Sendo brisa da alma navegada no tempo
Sobre marés, águas do agora ou passadas.
Suspiro ou suspirava
Em mim e de mim para a saudade
Amando para uma tal de eternidade.
Mas suspirar porquê?
Suspirar para quê?
Se a alma ninguém vê,
Neste suspiro vadio!
Maria dos Santos ALves, 25 de Junho de 2013
Olhar da alma elevado ao alto
Tracei ao de leve o meu divagar,
Estava ausente no silêncio,
Tão ausente e distante...
Distante do meu pensamento.
Procurei-me num olhar perdido,
Elevando-o com o sopro do vento.
Lá no alto, bem no alto
Onde só a alma alcança
O que a mente inventa,
Desenhei o teu olhar:
Miragem de cor esperança,
Sustento desta minha saudade.
Porque te esvais nas estrelas,
Olhar de menina elevado ao alto?
Desce em mim no teu manto real,
Mata a sede deste meu desejo ausente.
Reflete-te na minha alma extinta
Devolve-me a luz do luar esquecido.
Renasce-me a alma agora...
E no alto, bem no alto
Revejo-me nos vales verdejantes
Passeio por entre as flores do amanhã
Enquanto te abraço em manto floral.
de Maria dos Santos Alves, 11 de Junho de 2013 (a publicar)
Prisioneira da alma que sente
Ouço, ouço simplesmente o pensamento
Aquele que me traz ao longe, o horizonte
Sentires que esvoaçam nas asas do vento
Revendo uma vida, pisando uma só ponte.
Sinto, sinto o peito cá dentro em desordeno
Dança ao ritmo da alma que escuta o silêncio
Suplico que acalme, mas eu já não ordeno
Sou prisioneira da alma que é quem sente.
Fecho os olhos, não preciso de olhar e ver
Pois a alma sente ao escutar todos os sons,
A alma ri e chora, nela só tenho de crescer
Aprender as vivências da alma e viver!
Maria dos Santos Alves, 14 de Junho de 2013
https://www.facebook.com/pages/Poesia-ao-luar-Maria-Santos-Alves
Poema
Não te leio poema como um todo
Bebo da tua fonte os momentos,
Sacio o meu desejo nas palavras,
Nos sons e delírios de todos os tons.
Não pares de declamar, meu poema
Ri e chora, não me penses ausente,
Se te leio, assim, neste silêncio,
Desnudo-te carente mas bem presente.
Crava no peito de quem julga que sente
As flores efémeras de todos os jardins
As fontes que vertem lágrimas salgadas
E os rios que regam um mar sem fim.
Não me segredes um amor navegado,
Pinta ao de leve a onda perdida,
O abraço que se estende ao abrigo,
Os beijos que o poeta derrete em mel.
Não te leio poema como um todo,
Quero sentir todos os momentos.
Sentir-te, poema, com alma de poeta.
de Maria dos Santos Alves, 12 de Junho de 2013
https://www.facebook.com/pages/Poesia-ao-luar-Maria-Santos-Alves/
Loucura que esqueci
Em ti este cálice de prata já foi saudade
Em cada trago de ti vivia na lembrança
Nas memórias que de mim te iluminaram
Tornando-te o altar para o qual me curvei
Num passado, mas nunca neste presente.
Enlouqueci nas tuas carícias de fantasia
Loucura tão presente que me definhou
Procurei-te nas sombras mas elas debandaram
Procurei-te nas ondas mas elas recolheram
Procurei-te nas estrelas mas elas não brilharam
Perdi-te algures em sonhos, agora distantes.
Podia ir ao teu reencontro e dar-me ao mar
Do meu corpo faria vaga sem destino
Tornar-me-ia, talvez, um canto da solidão
Mas esse fado já por mim passou e não ficou
Ergo-te este cálice de prata repleto de saudade
Serás lembrança, memória incendiada
Serás cantiga de um passado que adormeço.
Serei eu agora no travo do cálice de prata
Brindarei as flores que agora florescem
Reviverei neste corpo sedento de um beijo
Não serei estrela da noite mas o seu luar
Jamais serei vaga, mas sim mar por inteiro.
de Maria dos Santos Alves, publicado em Abril de 2013, in
https://www.iba.com.br/livro-digital-ebook/Poesia-ao-Luar-I---Em-DesConcertos-da-alma-4119df960a8b788b49b7bd1dc579d023
Carícias do meu Mar
Soam alto, bem alto
As palavras que ecoas.
Declamam poesia,
Sentimentos profundos,
Acasos da tua, minha alma.
Vivência de outros, qui sabe.
Entre marés, maresias,
Batem as ondas em melodia,
Repetem ritmos e são palavra.
Soam alto, tão alto...
E mesmo parecendo mudas
Como as ouço! Como soam alto!
Como bradam fundo no meu silêncio
Segredando-me em pensamento
Promessas de um outro amanhã.
São belas, ritmadas,
Crenças verdadeiras,
São canção, prosa e poesia
São afagos no meu ser
Carinhos no meu adormecer.
São carícias do meu Mar.
Poema de Maria dos Santos Alves, 19/07/2012 (a publicar)
Ver vídeo e Ler mais: http://mariarosaalves-escritora.webnode.pt/news/caricias-do-meu-mar/
Depressão
As horas não passam, a sua sede de ser único em espaço vazio acresce a cada compasso de segundo. A alma torna-se inquieta naquela quietude de estar.
Ali estava ela, inerte, incapaz de pensar ou sentir, isolada do mundo, isolada de si. Há muito que não havia querenças ou sonhos e a nascente de lágrimas salgadas que ainda a fazia respirar, secara, inundando a sua vida, afogando todos os seus sentires e pensamentos. Deixou-se então, naufragar e sob uma folha suavemente caída, largada por um Outono de cor ainda mal definida, permitiu ser transportada por uma corrente de lembranças sofridas em corpo despido de vontades ou pensamentos.
Enclausurada no seu mundo, mas que mundo?
...
Declamação pela autora no seguinte endereço: http://mariarosaalves-escritora.webnode.pt/
Ler mais: http://mariarosaalves-escritora.webnode.pt/news/depress%c3%a3o/
Silêncio I
O tempo parece alongar-se nesta mudez,
Tornou-se uma rotina que afastou a vontade,
Vontade de encerrar os olhos e o dia,
Proibindo a alma de abalar do seu habitáculo,
O meu corpo.
Não tenho vontade de dormir, tenho sim,
Necessidade de sentir-te, auscultar-me em ti,
Silêncio.
Nesta ausência de frenesim, nesta ausência em tudo,
Hipnotizo-me em sonhos, pensamentos, criações
Que não são nada mais do que vontades,
Necessidade de ouvir-me com quietude.
Iniciou-se, iniciou-se o cansaço que leva à exaustão,
Adormece o corpo, mas não a alma.
São palavras e rodopiam entre si,
Ocupando-te, antes vazio, silêncio,
Agora repleto de sentimentos e juízos,
Embora ainda ausente de imagens.
Mergulhaste neste espaço, de rompante,
Cedendo à minha vontade de tranquilidade
E agora, que fazemos os dois?
Bailamos em segredo, trocamos vontades?
Sim, talvez ...talvez...
Dar-te-ei a visão de um mundo, onde não existes
E em troca ofereces-me a pausa, o descanso, a calma,
E a paz interior... se disso fores capaz.
Na verdade, silêncio, se és ausente de sons,
Porque te ouço com tanta exactidão?
O Mistério da Lua
O mistério da Lua
Mergulho neste mar de água cristalina
Protegida pelos Deuses em rochas vivas
São segredos que se guardam entre mares
São mistérios ainda por desvendar.
Correm rumores de luas escondidas
Que se encontram na noite entristecida,
A lua do céu que ilumina a noite escura, e
a lua aprisionada nas profundezas do mar .
Enlaçando-se no horizonte em forma de luar,
Provocam marés vivas de assombrar,
Ficam revoltas as águas e os seus espíritos,
Dançam os astros e as forças escondidas,
Provocam os deuses e as suas armaduras,
Lançam feitiços aos corações puros,
É o íman do amor que une este luar
É o sopro de quem honra este amar.Fado
Veste-se de negro esta voz Lusitânia
Melodia solta de um coração bravo
Em notas garridas canta o povo verdadeiro
É o fado, é o fado, de xaile abrilhantado
Ergue-se a voz em guitarra bem tocada
É o fado, é o fado, grito desgarrado.
Sentimentos vividos em versos poéticos
Soltam-se vibrantes numa voz, uma vida
São tristes e sentidas as vivências cantadas
É o fado, é o fado que vem de fadistas.
Canta a saudade de gente bairrista,
Solta lágrimas que o silêncio aplaude,
Veste-se de negro com voz fidalga
Acompanhada na guitarra portuguesa,
Amiga inseparável deste poeta fadista.
Solitário, amante e confidente
Assim é o fado em voz Lusitânia.
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