Escritas

Lista de Poemas

Meu anjo azul

Delicado na sua cor azul,

De asas puras e delicadas

Anjo guardião de cor azul

Guarda histórias encantadas.



São letras que se acasalam

Em prol de um sonho vadio

Melodias que me embalam

Neste chão escorregadio.



No meu anjo de cor azul

Procuro a paz e a harmonia

Mergulho no seu manto azul

E entrego-me à sua sinfonia.



De corpo e espírito despido

Solto palavras amarguradas

Gravo desejos em chão erguido

Que rego com gotas salgadas.



Meu anjo cor de azul, meu mar

Serás assim elevado e cantado

Meu anjo cor de azul, meu mar

Serás para sempre encantado.
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Pensamento ao entardecer







Quem me dera cruzar esta linha de horizonte



Beijar o infinito como quem cheira uma flor



Penetrar neste mistério que me atormenta



Não pelo mal mas pelo bem que me quer.



Quem me dera estender a mão e poder tocar,



Sentir o calor desta imensa chama de conforto,



Chama que me prende nos pensamentos,



Nos seres que me embalam ao entardecer,



Nas doçuras e canduras desta áurea a adormecer.









Quem me dera cruzar esta linha de horizonte,



Deixar-me enfeitiçar pelas suas histórias



Pelas suas gentes e melodias imaginárias.



Quem me dera cruzar esta linha de horizonte.









Parece tão distante e vive tão perto de mim,



Faz parte do meu ser e faz-me rejuvenescer.



Linha em espelho, reflector da minha alma,



Onde uma áurea com mil desejos em fogo



Apazigua o desejo e o pensamento...e



Aquece o espírito inquietante que há em mim.







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Amanhã - Feliz Ano 2012

Amanhã

Despertar para um amanhã ainda por descobrir,
Adivinhar uma nova oportunidade a sobrevir,
Sinto, sim,uma porta que se enclaustra.
Vivo, sem pestanejar, um novo acordar.
Sob um ano que foi, enfim, assim-assim.
Vivências que amanhã serão saudade em mim.
Tirocínios que servirão o que há-de devir.
Para o amanhã desperto a mente alegremente,
Abraço o destino incerto de peito cantante,
Abro a janela e aguardo um enleio soalheiro,
Partindo na descoberta, sendo um real escuteiro.
Respiro o ar revolto das profundezas da harmonia,
Embalo-me numa suave, alegre e delicada sinfonia,
Procuro na mais bela flor o colibri mais destemido,
E desafio o horiozonte sobre um mar por mim protegido.
Com o ontem, presente-ei o presente e desafiei o futuro,
Procurando um amanhã superior ao passado vivido.
Excedo-me na espectativa de tornar-me um melhor ser,
Sentir cada segundo, disfrutando deste meu bem-querer.

Assim vejo e fecho este tempo,
Revejo e choro o que de mau passou,
Sorrio perante o bom que o ano me ofertou
e despeço-me deste ano sorrindo,
desejando aos velhos e novos amigos
Um novo ano cheio de poesia e encantamento.

de Maria Rosa Santos Alves
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Palavras a Ninguém

Caro amigo, amigo de alguém
Aqui estou eu e não sou ninguém
Apanho o comboio, contigo, também
E espero que um dia para lá do além
Te recordes do anónimo que será alguém.

Maria Rosa Santos Alves
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Quero voltar a sentir

Errante no bosque, longo é o percurso na escuridão
Já nada me satisfaz nesta vida sem encantamento.
Apesar de viver na multidão, padeço de solidão
Revejo-me no fado, triste é este sofrimento.


Quero voltar a sentir...
Quero voltar a ser ...
Correr sem olhar para trás...
Despir os preconceitos e correr...
Mergulhar na chuva e... dançar...
Caminhar ... simplesmente ...caminhar
Para onde? Não importa o destino,
Desde que o espírito seja livre
Que o pensamento possa esvoaçar e
Eu...possa voltar a sentir...

Ser um colibri, pequeno mas destemido.
Penetrar num desenho infantil e sorrir.
Partir em busca do arco-íris...
Atentar o proibido e chorar.
Mergulhar num mar salgado
Atentando as ondas e os seus seres
Descobrindo seus tesouros escondidos.
Ser eu, nada mais do que eu
Numa infância...
A infância...
A verdadeira alma...
A essência...
A pureza da inocência...
algures perdida...porquê?



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Palavras ao Vento

Soltar palavras ao vento. Escrevê-las sem qualquer pensamento reflectido, apenas largá-las, como se tivessem presas no teu intimo como se de ti dependessem, como se tuas fossem, mas são de toda a gente. Soltá-las, deixá-las esvoaçar por entre a multidão, esperando que cada pessoa de forma individual ou colectiva as agarre e as torne suas também. Palavras ao vento, emoções, sensações, paixões, ódios, vivências, crenças e tantas outras formas de sentir que prendemos em nós, muitas das vezes de forma silenciosa.
Palavras ao vento são assim, gritos que se transformam em doces melodias de dor, glória, paixão, amor e desamor. São as palavras eternas que cantam as batalhas ganhas e perdidas e que deixam cair em desabafo os anseios e as glórias.
São eternamente palavras largadas ao vento.
Palavras ao vento.
Meditação em devaneio.
Hoje, metade de mim é poesia e a outra fantasia.
Hoje, vou simplesmente, soltar palavras ao vento!

In Livro de Maria Rosa Santos Alves, "Palavras ao Vento"
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Nostalgia (Acróstico)

Neste dia de Inverno... melancólico,
Oscilam os sentimentos, tormentos,
Sentires de alguém ... nostálgico.
Tentações da alma...encantamentos.
Azul do mar que se reveste de cinzento, e
Lágrimas virgens que caiem do céu.
Gritos abafados em trovão, pensamentos,
Ira de Zeus sobre os homens e a terra,
Alentos de alguém, hoje... nostálgico.

Poema de Maria Rosa Alves, 16 de Novembro de 2011
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Loucura

Loucura

Gritar....
Gritar....
Gritar....
Expulsar o grito que me agoniza
Atrofia e aperta o meu pensamento
Neste silêncio absoluto que não cessa
E na alma cresce este infinito tormento.
Gritar....
Gritar....
GRITA!!!
Expulsar em mim este fantasma
Que de nome só conheço...solidão
E mesmo vivendo na multidão
A escuridão assim me pasma
Grito...
Não grito...
Grita!!!
Estou preso pela minha ou outra mente
Quem sou eu? Já não sei distinguir.
Um fantasma ou um mero demente.
Estou aqui, sem alma...senti-a ir.
Agonizo...
Respiro lentamente nesta solidão.
Suspiro...
Tanta batalha será sempre em vão.
Registo...
Com a morte
Tudo se cura
Inclusive a loucura!



Poema do livro "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"
de Maria Rosa dos Santos Alves
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Destino Incerto


Percorro um percurso incerto
Sem saber bem ao certo
Se na verdade sou quem sou.
Cresci num verso que alguém cantou,
Sou personagem agora em naufrágio
Pois na verdade não sei pára onde vou.
Destino não lido por uma divina cigana
Crenças que decaem em grande patranha.
Serei um livro de páginas em branco?
Não terei história para se contar num banco?
Tenho a mente vazia e a dúvida vai surgindo.
Este ebúrneo que me ofusca o mais leve pensar
Não me larga...Não me deixa a alma descansar.
Acordo mais um dia, e a dúvida vai emergindo
Afinal quem sou? Para onde vou?
Dúvidas que se arvoram ao olhar este mar
Mar que em histórias alguém o elevou
Entre conquistas, amores e desamores
Que se tornaram mito, crónicas a contar
Por historiadores, gentes ou sonhadores.
Serei um ser entre os seres desta gente?

Piso a terra que os antepassados lavraram
Farei parte desta história...agora, estou crente.
Não sou o vazio, se penso também existo
Se existo... também tenho história.
Uma história de futuro incerto, mas resisto
Pois nada sei do amanhã e o ontem é memória.

de Maria Rosa dos Santos Alves, in "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"
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Tempo

Oh, tempo, que não tem tempo
Dá-me asas para voar
Oh, tempo, que não tem tempo
Deixa-me em ti esvoaçar
O tempo é exuberante
Não há força para o parar
E pelo seu ritmo cantante
Vou deixar-me assim, levar.
Ao tempo e com tempo
Pedi-lhe, então o meu tempo,
Tempo para nascer e viver
Até o meu ser desvanecer
Com as asas que o tempo me deu
Esvoacei ao meu compasso
Nele, aprendi passo a passo
O verdadeiro ser do meu "eu".
E assim no meu tempo e com tempo
Aprendi a ser amado e amar
No meu tempo e com tempo
Tive momentos para saudar.
Obrigado
Ao tempo que não tem tempo
Pelo meu tempo que tem tempo.

de Maria Rosa dos Santos Alves, in "Palavras ao Vento - Oscilação dos Sentimentos"
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