Silêncio I
O tempo parece alongar-se nesta mudez,
Tornou-se uma rotina que afastou a vontade,
Vontade de encerrar os olhos e o dia,
Proibindo a alma de abalar do seu habitáculo,
O meu corpo.
Não tenho vontade de dormir, tenho sim,
Necessidade de sentir-te, auscultar-me em ti,
Silêncio.
Nesta ausência de frenesim, nesta ausência em tudo,
Hipnotizo-me em sonhos, pensamentos, criações
Que não são nada mais do que vontades,
Necessidade de ouvir-me com quietude.
Iniciou-se, iniciou-se o cansaço que leva à exaustão,
Adormece o corpo, mas não a alma.
São palavras e rodopiam entre si,
Ocupando-te, antes vazio, silêncio,
Agora repleto de sentimentos e juízos,
Embora ainda ausente de imagens.
Mergulhaste neste espaço, de rompante,
Cedendo à minha vontade de tranquilidade
E agora, que fazemos os dois?
Bailamos em segredo, trocamos vontades?
Sim, talvez ...talvez...
Dar-te-ei a visão de um mundo, onde não existes
E em troca ofereces-me a pausa, o descanso, a calma,
E a paz interior... se disso fores capaz.
Na verdade, silêncio, se és ausente de sons,
Porque te ouço com tanta exactidão?
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