Escritas

Silêncio I

Maria alves

O tempo parece alongar-se nesta mudez,

Tornou-se uma rotina que afastou a vontade,

Vontade de encerrar os olhos e o dia,

Proibindo a alma de abalar do seu habitáculo,

O meu corpo.

Não tenho vontade de dormir, tenho sim,

Necessidade de sentir-te, auscultar-me em ti,

Silêncio.

Nesta ausência de frenesim, nesta ausência em tudo,

Hipnotizo-me em sonhos, pensamentos, criações

Que não são nada mais do que vontades,

Necessidade de ouvir-me com quietude.

Iniciou-se, iniciou-se o cansaço que leva à exaustão,

Adormece o corpo, mas não a alma.

São palavras e rodopiam entre si,

Ocupando-te, antes vazio, silêncio,

Agora repleto de sentimentos e juízos,

Embora ainda ausente de imagens.

Mergulhaste neste espaço, de rompante,

Cedendo à minha vontade de tranquilidade

E agora, que fazemos os dois?

Bailamos em segredo, trocamos vontades?

Sim, talvez ...talvez...

Dar-te-ei a visão de um mundo, onde não existes

E em troca ofereces-me a pausa, o descanso, a calma,

E a paz interior... se disso fores capaz.

Na verdade, silêncio, se és ausente de sons,

Porque te ouço com tanta exactidão?

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