Escritas

Lista de Poemas

O PANÓPTICO [Manoel Serrão]

Sempre simples doce vazia, 
Sempre sonante melódica.
Sempre simples “mãozinhas pra cima”, 
Sempre letra garapa melosa.

Sempre simples "pedra de toque", 
Sempre esponja feiúra porosa.


Sempre o simples bis o estribilho a pulsão,
Sempre o chiclete mascado à repetição.
Sempre simples diluídas – isolinhas - em pequenas rimas,
Sempre o blá-blá-blá o abc de à adestração.
Sempre simples o muito alongado ã de vão,
Sempre a "Novilíngua" a "Novafala" à supressão.

Sempre a sampler simples disciplinada,
Sempre o degrau da base a parada.
Sempre a loop simples sem a virada retocada,
Sempre a batida percutida manjada.
Sempre o role-play simples o domínio público,
Sempre o poder da penetração na massa devotada.

Ó swingueira? Ó axé music?
Camaleão não é panóptico,
Nem chiclete com quebradeira é protótipo.
Oh yeah! Então, “Vaza canhão”!
Oops, e opina o trash: Ou Cae o bicho-do- pé ou “Rala a Tcheca no chão”!


 

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VOYEUR [Manoel Serrão]




Do quintal à copa,

Uma só porta.
Flerta o voyeur!



POETRIX: É constituído com no máximo 30 (trinta) sílabas métricas distribuídas em 03 (três) versos (terceto); dissidente dos haikais, de origem japonesa. Mas diferentemente do haikai, é exigível o título do poetrix, que não entra na contagem silábica e pode dá complementariedade ao texto.

 

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AZUL [Manoel Serrão]



Como o céu que já choveu:

O olhar do meu amor,
Fora azul que nem o seu.

 

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MERCADO PRAIA GRANDE SÃO LUÍS MARANHÃO [Manoel Serrão]




Por entre escarras vazas que baforam das bocas ofídicas dos canos;
Por entre chaminés, fuligem e prédios que se espalham pelo perímetro urbano;
E, por entre vielas esburacadas, ruas, ladeiras, travessas, becos, corredores e vias desconhecidas, assim, me deixou levar pelas marginais sujas.

Nunca havia atentado para o odor de aerossóis vencidos, o aroma do perfume barato e para o mau cheiro insuportável da ureia amônia.

Nunca havia reparado para a lama das sarjetas, o chorume, a podridão das fezes espalhadas pelas calçadas, e para o dióxido de enxofre e [CO2] carbono invasivo que entranha pelas narinas humanas.

Nunca havia atentado para a rara fartura da ceia que sob aquele “leve” manto atmosférico, o sujeito "invisível" saciava a fome; Saciava-se num desjejum “pingado” com pão mofado de suor e cansaço;
Saciava-se no apressado da buzina de um velho [chofer na boleia] FMN [FÊ/NÊ/MÊ] da boleia encarnada.

Nunca havia reparado para o cuscuz cortado no vapor dobrado, servido com bolinhos de arroz queimando; nem reparado para o barulho embrulhado de cem mil decibéis em ondas carregadas de papel picado pelo pálio central do mercado.

Ó mas vi! Vi que:
Havia cargas e descargas de terra e água, de fogo e ar na hora marcada.
Vi que: havia cargas e descargas de frutas, plantas, leguminosas, secos e molhados.
Vi que: haviam cães pirados latindo no assédio ao "chocolate" da cadela do cio.
Havia tragos, bebuns e vidros quebrados no pigarro dobrado da esquina.
Havia pregões e pregoeiros a pé ligeiros,
E havia peixeiros, açougueiros cheirando rapé no espirro do verdureiro.

Vi que: havia o pífio, a puta, a ladra e o ladrão.
Havia o ócio, o negócio e o divórcio.
E havia o gigolô e o cafetão de conluio com a gang do "Alemão".

Ó vi a separação e as diferenças.
Sim, a “nata” de tudo e de todos os diferentes.
Uns movidos pela fé e a razão, outros pela dor de privar da ração que o “sustentam”. O limite. O front. Os “muitos” sem que pudessem sustentar nem colonizar suas próprias vidas na construção de “pontes” como forma de descobrir e reconhecer em si mesmo O outro.

Lá para as cinco, jacto de luz irrompe com o sol da manhã,
Beijando-me a face e a retina refratadas no ray-ban de laminado cristalino,
E eis que me vem à cônscia razão de que o Ser-homem é só uma imagem de luz impressa na substância.

Transpassado o portal do coração oferto-lhes em suaves porções por detrás do balcão, poemas em versos de amor e paixão.
Ah! Nenhum freguês? Não importa! Os poetas e os amantes são doidos mesmos!
Mas no meio do mercado andai como os Leões.



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BERRO [Manoel Serrão]

 


Eu berro.
Tu berras.
Ele berra.
Nós berramos.
Vós berrais.
Eles/Elas berram.
Ó mas b-e-r-r-a-r é pouco.


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ATENÇÃO! [Manoel Serrão]








Pare.

Olhe.
Escute para vias cruzadas,
Não parar vidas no chão.
 
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FILHOS DA LUA [Manoel Serrão]



Filhos da lua.

Só há noites sem fim.
Lençóis d'areias!



POETRIX: É constituído com no máximo 30 (trinta) sílabas métricas distribuídas em 03 (três) versos (terceto); dissidente dos haicais, de origem japonesa. Mas diferentemente do haicai, é exigível o título do poetrix, que não entra na contagem silábica e pode dá complementariedade ao texto.

NOTA: Dedico-o a toda nação albina que habitam a vastidão dos Lençóis Maranhenses situado no Estado do Maranhão. O albinismo é caracterizado pela ausência de pigmentação da pele, dos cabelos e dos olhos, portanto a luz do sol é seu maior "desafeto" e a lua a sua maior aliada. Durante o dia não praticam qualquer atividade sob a luz solar, contudo no escuro das noites se tornam os filhos da lua.

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AMORES SEM ESPERA [Manoel Serrão]





Ó da ‘e de Urano o Céu.

E de Gaia da ‘e a Terra.
Mas aos corações de amores?
Da'e os [a]mares sem espera!
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SOBRENOME [Manoel Serrão]




Por que inda vós queixeis?
Se lhe deu o Sol um nome,
E um sobrenome todo Poesia?

 


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GRAVIDADE [Manoel Serrão]

Bela! Bela!
Bela  anca. 

Bela  bunda.
Bela  dança rabo-de-saia! 

A

g
      r
a
      v
i
      d
a
      d
e

Ainda
vai quebrar tua cara! 
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Comentários (1)

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321alnd
321alnd
2019-03-06

Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.