Escritas

Lista de Poemas

L´ROMA DE CAFÉ [Manoel Serrão]





Do lado de cá?
Um aroma de café, uma sombra
E um banquinho na praça.


Do lado de lá?
Um gerente do banco, um aperto de mão
E alguns zeros na conta.


Assim, bendizente a vida me fez decidir:
Sem pressa, o aroma do ca-fé?:
Gesta até hoje no Ser-afim.







 

👁️ 599

MAGA Pata-lójika [Manoel Serrão]

 
 

 


Maga-Má.
Patologia obcecada amoral?
A solidão é Pata-Lójica.

 









👁️ 541

CHAGAS [Manoel Serrão]



Ó chagas essas tão eternas.
Despertai-me, Senhor, os vazios.
Perdoai-me, Senhor, os infiéis.
Libertai-me, Senhor, os cativos. 

Ó chagas essas tão eternas.
Curai-me, Senhor, os inculpados.
Embalai-me, Senhor, os incriados.

Desfraldai-me nos estendais do solário o branco enxágue das minhas verdades derradeiras. 

Ó catarse! Se tudo o que sorrides de mim e do erro sorris é o quer vós fazeis? Por que então choreis a dor do vosso lastimoso pranto? Ó cães! Se tudo o que sorrides de mim e do modus sorrir é o que sabeis? Por que choreis o ébrio que vos abateis o Ebro desencanto? 

Ó chagas essas tão eternas.
Não os deis a saberem do sol que não há.
Não os deis a saberem! Não os deis a luz! Não os deis a saberem do orgulho que ressuma de todas as minhas chagas.

Hás-me de ser – de o mau, e o mal ser belo o bom não saber?
Hás-me de ser - de o bem, e o mal me quer ser o bem querer?
Ó deu-as nas águas ondulantes de Tessália uma profecia anunciada: doravante chagas eternas essas tão curadas.


👁️ 1 155

SENTIMENTOS [Manoel Serrão]




Como não te querer?
Diz-me: o que hei de fazer?
Sentimentos! Já bem sabes de mim.
Sabes tu a quem fala a minha canção.
Já não quis te querer.
Te mentir? Não ao meu coração,
Mas tu sabes de mim!


👁️ 660

MESSIÂNICA [Manoel Serrão]




Ó tivéssemos! Tivéssemos... Inda tivéssemos as epopeias homéricas – a ilíada e a Odisseia – a visão olímpica da existência, a expressão do deus Apolo de Delfos. Tivéssemos o modos respeito à efígie, o sujeito ético não objeto, a "justa medida" – a valorativa proporção  em comedida porção por todas as fases da vida.

Ó tivéssemos! Inda tivéssemos... Tivéssemos a sertaneja epopeia  – a saga d’a Pedra do Reino -, a visão dual sobrenatural, a expressão de Dom Pedro-Quaderna. Ó tivéssemos o modus sublime de olhar por meio da imago o universo popular. Tivéssemos os dois rochedos a sangue humano regados. Tivéssemos os fiéis sacrificados feito todos poderosos imortais ressuscitados. Ó tivéssemos! 

Ó tivéssemos! Tivéssemos... Ó tivéssemos salvos os povos das florestas; Anastácias, Dandaras das cafuas, Luíses da Gama e os Zumbis da escravidão. Ó tivéssemos  a dessedenta do Nordeste: a sebastiânica redenção. Tivéssemos dado cabo aos filhos da servidão. Tivéssemos as Cabras da Peste, o Rei do Cangaço -, Virgulino Lampião à sua imagem e semelhança. Ó sim sinhô! Tivéssemos Catulos, Vitalinos, Machados e Suassunas. Tivéssemos Joões do Vale, Patativas, Lobatos, Amados e Brennand's. Tivéssemos Montelos, Sousândrades, Gullas, Nauros e Gonzagões! Ó inda tivéssimos!!

Ó tivéssemos! Tivéssemos... Inda tivéssemos  o drástico da tese; a cura pura para a incúria da peste; a norma culta menos culta distraida informal; o oblio obus para os corruptos e perversos! Tivéssemos o perplexo insano, os dês perfeitos, o imorredouro perpétuo!

Tivéssemos O átimo d’um tempo qualquer. A asserção metafísica! O eco da vibração quão a realidade uma aparente ilusão. Ó tivéssemos compreendido as partes, antes, para compreendermos o todo! Tivéssemos nós O Eu = o sujeito comido = o verbo transitivo = nosso bolo predileto = o objeto direto. Tivéssemos uma nova era "na terra onde canta o sabiá", o neo-concretismo no pós Gullares!
 
Tivéssemos! Ó tivéssemos o quê de tudo vê onde mais se queda, a despressurizarão para um pixel invisível no chão. Sim! Apenas um deles: o Sentido, o Nada, o Sirf, o Espelho e a Espada de Proteu acolá.
Tivéssemos o hard, o soft, o bew: a Santíssima Trindade. O homo-cyber ultor urdindo a IA
que ‘stá por chegar. Ó sic? Tivéssemos!

Tivéssemos inda do artista o autismo! O toc sem pânico do bipolar: o sorrir no chorar, um prazer sem gozar no prozac e na eurritmia um cantar. O saber sem lugar inda por não saber o ser criar e d’arte: o recriar. Ó tivéssemos além das inquietudes e desgraças, de novo encenar em cada poema a intimidade do eterno nascer. A liberta da carne  reinventar no pó o homo do barro.
 
Ó Tivéssemos! Tivéssemos Moisés... Francisco... Ratzinger... Tivéssemos Lutero... 
Agostinho... D. Helder e Mallarmé .
Tivéssemos Os “5 Solas” recristianizados. Pedro à Cristo jamais por três vezes negado. Tivéssemos mil vezes Deos a Enoc arrebatado. O clero de indulgências afogado. Tivéssemos dos profetas os dízimos exorcizados.

Tivéssemos O absurdo, a reponta, a eutimia. O absoluto em estado gasoso e todos os demais [sãos] relativos sonhando acordado. Ó Tivéssemos! Tivéssemos no Ser-ser existir os molambos dês feitos os farrapos...   
 
Ó Tivéssemos no mundo que se enuncia na ordem social a consolidação da harmonia, o Bem para os códigos da justiça. Um lugar onde nenhuma importância a cor da pele nem do arco-íris tristeza tivesse, só alegria! Tivéssemos como os homens da Hélade as prédicas apolíneas: "Nada em excesso" e "Conhece-te a ti mesmo": Ó "Reconhece que não és um deus". Tivéssemos!!

Ó tivéssemos o Caos, os infinitos maiores do que outros e o reencontro do ser sem o consumo desejado que habita e modela o sonho. Tivéssemos! Tivéssemos o chilrear matinal dos pássaros; o arrulhat dos pombos toda a verdade e dos lábios o oscular sem mentir um calar. Ó inda tivéssemos dos Djins o encanto e o quebranto mais benfazejo!
 
Ah! Tivéssemos cultivado os afetos quão os DÊScomportados por todos abraçados. Tivéssemos DESobedecido as comunas -, até Cuba, Deus meu, até Cuba! E a fúria incontida do capital sujo. Tivéssemos!  Tivéssemos o após sem podê-los usar contra todos buscando a quem devorar. Ó tivéssemos descartado a dúvida convertida em dívida quão a conveniência do descartesianismo -, o descogito: não penso - desconheço -, logo existo. 

Tivéssemos! Tivéssemos o hoje antes dos gatos tiranos quão o depois do amanhã sem os ratos imundos, tivéssemos! Ó Tivéssemos O politicamente INcorreto, jamais o polido fascista tatuado a ferro.
Tivéssemos no Marrocos, em Alcácer-Quibir, o rei D. Sebastião Ave O Desejado. Ó tivéssemos a messiânica, tivéssemos!
Ó tivéssemos onde o Mundo passa o AMOR peregrino por todos os caminhos... Ó se ainda tivéssemos...

* IA [inteligência artificial]
👁️ 1 320

ÉRATO & CALÍOPE [Manoel Serrão]







Por Zeus e Mnemósine, ó cria de Urano e Gaia!

Que me-a fizestes?
Que me-a fizestes, ó Calíope?
Que me-a fizestes, ó rainha da epópeia.
Ó Deusa da eloquência e da poesia épica, que me-a fizestes?

Por Zeus e Mnemósine, ó filha de Urano e Gaia!
Que me-a fizestes?
Que me-a fizestes, ó Érato?
Que me-a fizestes, ó musa da lira.
Ó Deusa dos hinos e da poesia lírica, que me-a fizestes?
Deos, que me-a fizestes?

Ó régia de encantar os afetos?
Ó “fleur” delibada de cortejados dons?
Que me-a fizestes?

Tomaste-me às mãos.
Tomaste-me o corpo e as vestes.
Tornaste-me a essência.
Tomaste-me do avesso o inverso.

Não vês que já de pé, se comprazem e se alegram os meus versos?
Não vês que já pulsão, guirlandas de flores adornam-me o coração?
E que pétalas de rosas atapetam a chã d’alma, entorpece-me?

Ó ditosa, tece e ama!
Como desejo onde tu ‘stás, e aqui, devora-me,
Um’ hora, por toda parte a querer-te anseio mais.
Amostrade-mh-a Eros que no céu, d’agora,
No-lo - ás cirros gris nem cerúleo de azul igual.
No-lo - ás decassílabos de versos brancos nem rimas pobres,
Tampouco pranto no imo dantes quão inelutável aguaçal.

Por Pausânias,
Amostrade-mh-a Eros?
Não vês que o arco-íris no porto cais da poesia já não chora a dor sem amor na vida.
Ó vernal primavera de reflorescer a verve.
Ó ambrósia de suster no regalo o verbo.
Ó pôr Deos, que me-a fizestes, ó musa?
Ó oceano aberto, mar sem fronteiras,
Contigo irei até onde navegarem as velas.
Ó que me-a fizestes, Deia?

 

 

 

 

 

👁️ 1 087

VENTOS SUÃO [Manoel Serrão]





Coisas sãs, e nós loucos.
Coisas são, e vós poucos.
Coisas vão, e nós soltos.
Coisas vãs, e vós corpos.
Coisas são O quê da vida muito vós sabeis!
Coisas vão O qu'eu louco sem os nós ainda não sei!
Ventos suão para o norte e todos nós [A]vis!


👁️ 836

DÉCOR [Manoel Serrão]




Daquele amor décor, restou:

Alguns mosaicos de xadrez pisado.
Um tapete [persa] puído
E um marrom-Rembrandt surrado.

O resto o tempo levou.
👁️ 874

ANTINOMIA [Manoel Serrão]

Vejo avessa à gangue a tribo. 
Vejo o “avir” do vezo aviso. 
Vejo o vício, o viço, o ambíguo. 
Vejo a Vogue, a Veja, a crise.

Vejo o VIP, a voile, o yuppie. 
Vejo o vil, a van, o viso. 
Vejo o surdo, a Vox, o mudo. 
Vejo o véu, a urb. Um puzzle!!

Vejo o obus, o ópio, o óbolo. 
Vejo o ódio, o óbito, o órfão. 
Vejo o ócio, o óbvio, o óbice. 
Vejo o ópio, o ágio, o opus.

Vejo o arbítrio, o abuso, o brigo. 
Vejo o rito, o mito, o Sísifo. 
Vejo a réstia, o injusto, o grito
Vejo o luxo, a vida acabar no lixo.

Vejo o lombo, o arrombo, o tombo. 
Vejo o vômito, o soluçado, o pânico. 
Vejo o vômer, o “esperto”, o tonto”. 
Vejo o ranço, o ronco, o pranto.

Vejo o Papa, o Bispo, o dízimo. 
Vejo a Toga, o antro, o cancro.
Vejo o Bem, o Mau, o “Santo”. 
Vejo o Rapa, o Mala, o Banto.

Vejo O Pai, o “dolar” – O Nóia. 
Vejo a senha,  o “trovão”, a prova. 
Vejo o tira, o canhão, a pólvora. 
Vejo O "Boca", O berro, O Humano.

Vejo o PIB, o desemprego, o adorno. 
Vejo o perjúrio, o corrupto, o furor.
Vejo o sonho, o engano, vejo a dor!

Vejo claros, vejo pardos e negros.
Vejo magros, caricatos e vermelhos. 
Vejo o todo, vejo o tudo, vejo o nada...
Vejo que não há por detrás dos muros para os homens,
Outros planos! Ó desenganos... Desenganos...

👁️ 992

Comentários (1)

Iniciar sessão ToPostComment
321alnd
321alnd
2019-03-06

Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.