Lista de Poemas
EM BONS LENÇÓIS [Manoel Serrão]

Aprecio a cama; os lençóis em goma; e os travesseiros de seda macia, a quê me apego todo dia como vício da consciência tranquila!
BEIJO SEM PREGUIÇA [Manoel Serrão]

A juventude do amor ficou explicita no beijo sem preguiça.
DIVINA VÉSPER [Manoel Serrão]
Oh! Deia dos célios, sonho idílio, rubra luz de ingente encanto.Ó gesta que c’o corpo medra das nebulosas, silenciastes?
Vai-te! Sede a voz, dizeis a uma só palavra ao tempo doravante o tempo que podeis!
Por que as estrelas não duram para sempre? E o amor à chama que alimenta a vida não te fora a sorte?
Filha da Ursa Maior, quão Templário c’a anima e c’o esp’rito em guarda.
Pus-me em espera velada para não sedes sombras, nem das sombras do eclipse escravas.
Ó tu que és honra - Diva de humana casta - o mal de ti se arrede?
Sigo-te! Eu que a tenho drão, sei preciso tão os teus erros possíveis quantos são!
Vai-te! Prenuncia-nos em ode que se avista, à tarde, onde o omnipresente Sol se fez o nada ser vista um desertor.
Vês! No lar do eterno não há tempo urgente sem tempo contente para sorrir!
Ó de seda manto ou voiler, ó divina Vésper de pura veste, o que mais quereis na cera planetária por amor?
Vês! Onde ‘stás, concede-te! Ó Vênus, por dá cá nos aquele Eros pura, e o que de ti Urano nos dera, restou-nos? Não vês, o coração d’agora que outrora por ti sorrira, choram? E bem-te-quis, divina Véspe!
INCRÉU PAIXÃO [Manoel Serrão]
Nada me leva crer.Que nada me eleva.
Que nada enleva.
Fonte da solidão,
Ter a sede do prazer.
Leva-se crer ou não,
E nada me eleva.
Dor pode acontecer,
Queira-se sim ou não.
Nada me leva crer,
E nada me enleva.
Olhos do coração,
Abra-se pr’alguém.
Nada me leva crer,
E nada me sobreleva.
Queira sedução,
Crer-se na paixão.
Mas nada me leva crer,
E nada me leva.
ÁGUAS DE A-PRUS (ABRIL) [Manoel Serrão]

Águas mil...
Águas de aprus.
Águas de abril.
Águas de regar vidas.
Rios de curar sonhos.
Águas mil...
Águas de aprus.
Águas de abril.
Águas de cortar aço.
Rios de perdoar tudo.
JUÍZO FINALE [Manoel Serrão]

Falo-vos do septo nasal, senzala de secreção ancestral.
Digo-vos do peito xenófobo, excreção moral que nem xarope "bromil" expectora.
No entanto nos abraçamos sujos, sectários, malditos e resignados à espera do juízo final.
É que não há sabão na pátria com vergonha e ética,
Nem palha [de] aço com respeito e água capaz de enxaguar tanta sujeira. Ah! pecadores! Ah! juízo final!
VENTOS SUÃO [Manoel Serrão]

Coisas sãs, e nós loucos.
Coisas vãs, e vós corpos.
Coisas são O quê da vida muito vós sabeis!
Coisas vão O qu'eu louco sem os nós ainda não sei!
Ventos suão para o norte e todos nós [A]vis!
Ó GAU, CÁ LI ISTO! [Manoel Serrão]
Ora o grés, o grão poejo, o pó poento o Eu “sub” limbo,o cão pulguento invisível;
Ora o Outro esculpido, a dolo mítico, o indivisível “granito”.
Ora o gris, O pão sobejo, o refolho joio. o Eu gregário, o debuxo osso;
Ora o Outro o genoma, à hachura o fosso.
Ora a grã o vã, a cã, o ego, o elo apego. o Eu Aleteia prosimetron assíndeto;
Ora o Outro omofágo obverso o adejo.
Ora a Gaia, a goma, o gene, o indisruptivo rizoma,
O Eu diverso, o verbo, o adverbio, o adverso plural;
Ora o Outro em nós à servidão entranha.
Ora o dual de polos e de pares opostos,
O Eu maré de cima e maré de baixa.
Ora o Outro uno afeito de causa e causa e efeito.
Ora o todo mental e tudo mente infinita,
O Eu estado acima estando abaixo e acima.
Ora o Outro onde ressoa multi Universos infinitos
Ora todos por todos como essência,
O Eu como essência parte do todo.
Ora o Outro que é tudo e todos no presente nós!
Ora o Eu Ou Ora o Outro. Os iguais Os desiguais...
Um Eterno, imutável;
Ora o Outro, relativo, o mutável.
Ora o Eu a parte Eterna mediada pelo variável...
Ora o Outro que deu voz aos ambíguos!...
Ó Gau Ou cá li isto! Ou vire o cálice! Está tudo aí?...
GAU [Grande Arquiteto do Universo].
CARCINOMA [Manoel Serrão]

Ora o perfeito sem defeito.
Ora o mais que perfeito a imperfeição.
Ora o mortal mais que defeito.
Ora o sujeito imortal a perfeição.
Ó imperfectível carcinoma?
Doentes não atingem metas!...
ÉRATO & CALÍOPE [Manoel Serrão]

Por Zeus e Mnemósine, ó cria de Urano e Gaia!
Que me-a fizestes?
Que me-a fizestes, ó Calíope?
Que me-a fizestes, ó rainha da epópeia.
Ó Deusa da eloquência e da poesia épica, que me-a fizestes?
Por Zeus e Mnemósine, ó filha de Urano e Gaia!
Que me-a fizestes?
Que me-a fizestes, ó Érato?
Que me-a fizestes, ó musa da lira.
Ó Deusa dos hinos e da poesia lírica, que me-a fizestes?
Deos, que me-a fizestes?
Ó régia de encantar os afetos?
Ó “fleur” delibada de cortejados dons?
Que me-a fizestes?
Tomaste-me às mãos.
Tomaste-me o corpo e as vestes.
Tornaste-me a essência.
Tomaste-me do avesso o inverso.
Não vês que já de pé, se comprazem e se alegram os meus versos?
Não vês que já pulsão, guirlandas de flores adornam-me o coração?
E que pétalas de rosas atapetam a chã d’alma, entorpece-me?
Ó ditosa, tece e ama!
Como desejo onde tu ‘stás, e aqui, devora-me,
Um’ hora, por toda parte a querer-te anseio mais.
Amostrade-mh-a Eros que no céu, d’agora,
No-lo - ás cirros gris nem cerúleo de azul igual.
No-lo - ás decassílabos de versos brancos nem rimas pobres,
Tampouco pranto no imo dantes quão inelutável aguaçal.
Por Pausânias,
Amostrade-mh-a Eros?
Não vês que o arco-íris no porto cais da poesia já não chora a dor sem amor na vida.
Ó vernal primavera de reflorescer a verve.
Ó ambrósia de suster no regalo o verbo.
Ó pôr Deos, que me-a fizestes, ó musa?
Ó oceano aberto, mar sem fronteiras,
Contigo irei até onde navegarem as velas.
Ó que me-a fizestes, Deia?
Comentários (1)
Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.