Lista de Poemas
FRÁGIL [Manoel Serrão]

Cuidado, frágil!
EM BONS LENÇÓIS [Manoel Serrão]

Aprecio a cama; os lençóis em goma; e os travesseiros de seda macia, a quê me apego todo dia como vício da consciência tranquila!
Ó ÍNDIA-LUSA-AFRO-FRANCA SÃO LUÍS BRASILEIRA [Manoel Serrão]

Ó Índia bela! Bela São Luís das tabas, upaon-açú das matas onde Tupã turgira e o Tupi reinara.
És tu, ó nativa encarnada da pele vermelha, do canto tribal das ocas e de todas as caças.
És tu, ó – antropofágica das clavas, dos arcos e flechas e das zagaias de "hasta ferro" afiadas.
É tu, mãe guerreira dos Tupinambás – chão ancestral dos Maranha guaras: oh! Quanto Céu...
Quanto Sol resplandecente, quanto Mar em vós a Terra hoje triste chora por teus Filhos extintos da Mata!
Ó Lusa bela! Bela São Luís grã-fina, esplendor da corte quão do arrojo dos cristãos novos de Portugal.
És tu, ó divina Atenas -, a’ voz do verso e da prosa de sustê-la na poesia o verbo amar.
És tu, ó verve magnética de imporessina refinada, - a guardiã da plêiade e do panteão dos sábios imortais.
Oh! Quanta beleza deu-te D’us a vós por altiva colossal -, a coroar-te em eiras - mirantes - e beiras quão uma poesia de pedra e cal.
Ó Negra bela! Bela São Luís odara, bendicta deidade “negra-mina” da raça.
És tu, ó África do fausto e da gloria do Negro Cosme na luta pela liberta escrava.
Ó sincrética do "averequete" e do Vodu encantado, o mais rico legado de São Benedicto - à Casa de Mina consagrada.
É tu, a voz do quilombo que se levanta contra martírio das senzalas: a resistência da raça que a bravura do filho não tarda.
Ó c’roa airosa imorredoura séc’la dos mourejares que se aformoseia ao pé do mar.
És tu, Ilha bela São Luís qu'inda bela ‘stá da pedra d‘alcantaria desenhada.
Ó vetusta ambígua do abraço do novo e do velho pela vida, rosa que nunca se basta.
És tu, ó régia, o elo da tríade, a pétala livre da rosa, a exora étnica unitiva - idílio universal - mais viva das raças.
Ó joia poética de fascinar a íris de aquarelas e praias mais belas! Bela como o azul do céu refletida no azul do mar.
És tu, ó Ilha bela! Beleza orlada de luz e banhada em vivas águas, a ascese mística de Iemanjá.
És tu, ó deia, que só, a vós escrevo e só por vós minh. ‘alma dou-te, e dou-te, porque te amo,
E amo-te, porque preciso amar-te!
Ó São Luís encantada das velas rebelas que passeia por esse "Mar'Anhan" do passado e presente.
És tu, ó Ilha de peregrina beleza, onde a vida entre ruas e becos corre-lhes em récitas como os versos do poeta;
És tu, ó onde o ungido Rei Sebastião por vós se fez da ápode encantado, a lenda e o mito atemporal dos magos.
Ó tu que no amanhecer em veste de folhas novas e maresia cheirosa, surges entremeia inda mais bela na brumosa alvorada.
Ó enamorada, inda quero-te chegar e aos éditos dos teus mistérios amorosos abraçarem-te!
És tu, ó São Luís do eflúvio das rosas e das gotas de orvalho que escorre pelos galhos cheirosos.
Ó assim, te quero com o sempre azul do céu e do mar anil beijando a cais na Sagração de paz, te quero!
Ó como assim te quero o mar que atravessa o Bacanga e o zéfiro soprando leve um suave murmurinhar.
Ó Bela! Bela! Bela São Luís da Praia Grande bela, quermesse de luz, fé e calor. Folgança bela de punga gira e tambor.
Ó Bela criação tu és como o luar encantado de amor, onde os telhados refulgem como espelhos o luar,
E as paredes dos teus casarios brilham preciosos de azulejos no rosto das madrugadas tu'alma de fleur.
Ó mademoiselle, Minh ‘alma e rainha, ah, minha amada Ilha imortal São Luís meu amor.
Ó filha da vontade poderosa Rei que por coroar-te a cabeça Vossa Alteza te criou;
És tu, ó eternal guardiã dos abraços incontidos das raças a Nova Luz.
E assim, a vós, e somente, a vós cabeis à posse definitiva dos pores-do-sol da nova França.
Oh! Então que sejais assim amada, por Amor de Deus e de Nós? Eterna Luz, O Novo Sol!
EPÍTOME [SerrãoManoel]

Uns
para a epístola.
Outros
para o epitáfio.
Mas no fim
todos com a epítome:
Saudosas lembranças!
BORDEREAU [Manoel Serrão]

Dívida portable.
Dívida quérable.
E para o desamor sem fleu?
Um bordereau de amor!
ADVÉRBIO DE NEGAÇÃO [Manoel Serrão]

Não para a difama de plantão,
Não para a refalsia do perdão.
Não para a neo-per capita canibal,
Não para o engodo da comuna social.
Não para o Éden de “Lutero” -, a “salvação”,
Não para o Ágape de privo do coração.
Não para a “falta” de terra, circo e pão,
Não para o bunker frio hóspite da solidão.
Não para o nerd control ermitão,
Não para o cyber @ à servidão.
Não para a lama do Congresso Nacional,
Não para o mau da violência capital.
Ó “Não” para o “não”. Não! Não! Não!
Não para a hipocrisia do politicamente correto da canção.
“Não”, “não” e “não” lhes dês avec o não.
Mas também lhes dês do Sim u’a mão...
Um bonjur de sonhos...
E a luz dial d’um Sol Nascer o Bem para os Homens.
ENTREMUROS [Manoel Serrão]

Entremuros?
Kama Sutra como Vênus vale tudo!
Extramuros?
Siso-duro-amnético-e-mudo!
EK-SISTIMOS [Manoel Serrão]

Ontem fora a chuva.
BAILARINA [Manoel Serrão]

Longilínea.
A estrela bailarina,
Baila oblíqua.
POETRIX: É constituído com no máximo 30 (trinta) sílabas métricas distribuídas em 03 (três) versos (terceto); dissidente dos haikais, de origem japonesa. Mas diferentemente do haikai, é exigível o título do poetrix, que não entra na contagem silábica e pode dá complementariedade ao texto.
SÓ TUPI! [Manoel Serrão]
Nem mugir.
Nem turgir.
Ao Deus Tupã?
Sol-to Tupi!
Comentários (1)
Parabéns por seus textos e seus poemas, meu caro Manoel Serrão. Poesia é, como disse o grande poeta Octávio Paz, salvação e nós dois seremos salvos por ela, assim como todo aquele que faça da beleza o único pão para sua alma. Tenho igual honra em te-lo como leitor. Um forte e cordial abraço.
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