Escritas

Lista de Poemas

Sanatório

Manchas colhidas

Repelem meus ossos

Já de partida

Trincados, quebrados

Ná fúria de laços

Rompidos, perdidos

Perduro meu corpo

No encontro ascoso

Alimentado por vermes

Que nascem a cada entardecer.

👁️ 458

Rima barata

 

 

Lágrimas escorrem como sangue 
Desatando os nós que por veias percorrem
Choro seco
Amor escasso.

 

👁️ 538

Derme

Em minha morte quero moças despidas

Circulando em pavilhões definhados

Onde a cena é megera

E meus olhos obsoletos


Em meu leito

Desejo recordar a vida

Víbora de tamanhas fissuras

Prostituta rameira

Segregadora de meu último trago


Vil adeus não concedi

Me despeço com a alegre feição

Alforriado do cárcere comunitário

Foragido por minhas mãos


👁️ 790

Antônio-mos

Chamem

os reis

coronéis

réus

príncipes

exilados 

velhos

novos 

calados

dispostos

amargurados

loucos

bêbados

injuriados 

doutores

donas de cabaré

a tia da da cozinha

a noiva esquecida

 

Venham ver o amor

Passou.

👁️ 773

Exímio exílio

Pela euforia da imensidão

Caminhávamos lado a lado

Sem direção pertinente

Isentos de tanto cuidado


Os corpos não eram nossos

Tão pouco de outrem

Amor que reencarnado em dois

Compartilhamos em um


Pertencentes em espírito

Designados ao abismo

Nos esbarramos na mesma solidão

Em barco furado, maré alta sem chão


A voz dele tampava meus furos

Apagava cicatrizes profundas

Trazia clareza em minha escuridão

Repentinamente, calou-se.


👁️ 583

Passe

Paixão desconhecida
Rima barata
Desejos usados
Roupa Guardada

Voz de ''bem me quer''
Mãos de um qualquer
Fala desajustada
Luz na calada

Cor do meu prazer
Me diga, por que?
Não vá embora
Dessa trilha sonora

Visão de anos
Espera de uma vida inteira
Seus beijos passarão
Mas não se passe.

👁️ 614

02:47

Sou dessas mulheres
Promíscuas sentimentais
Buscando a nota perfeita
O poema mais fugaz

Sou dessas mulheres
Loucas de madrugada
Distintas, desvirginadas
Em busca do tudo, ou nada

Sou dessas
Vinhos, cigarros, amores
Sou dessas
Que sentem todas as dores




👁️ 607

Marrom

Injuriados eram seus olhos
Que me tocavam de forma desigual
Sua música transbordava em mim
Delírios de um samba

A cada passo um novo acorde
Me tocava em sol maior
Eu que era dó
Virei sinfonia

Mas se me quiseres
Completo teus passos
Embalo teu corpo
No meu enredo caótico

👁️ 674

Engano

Traga teu corpo
Sem roupas
Sem dramas
Cause tuas tragédias
Me bote em linha reta
Acompanho tuas curvas
Me viro, retorço
Te grito em minha composição
Tua voz contesta meus planos
Tua face causa danos
Mas eu canto
Mesmo que talvez
Engano


👁️ 762

Marasmo

Disserto sobre a vida
Mas nada sei do mar
Será só um barquinho
Ou um navio a naufragar?

E se a vida não for nada?
Ainda tem a ver com mar
Mar que nada, nada, nada
Mas nunca consegue chegar.

Nadar eu sei
Nado de trás, frente, peito, cachorrinho
Nado no teu peito, nado com carinho.
Nado no Nada.

Talvez não saiba nada da vida
Talvez não saiba nada do mar
Certeza que não sei nada de nada
Absoluta certeza de que não sei amar.

Diego Mattos e Aline Lucille

Um poema em duas mãos.

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Comentários (1)

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haha ;)
haha ;)
2016-11-21

É você que passa pela vida ou são as coisas da vida que passam por você ?