Lista de Poemas
Desconhecido
Mutilado em minhas veias
No ócio do estrondoso mar
Certifico-me que insano seja
Fugaz as linhas que nos trazem
Correndo sem cessar
Abrindo novas alas
Espalhando imensidões
Sincronia essa que já não me sente
Eu, pleno vigor mundano
Perambulando em abstinência
Deixo-me em teu contra plano.
Vertigem
Por Deus, me ensine a rezar
Tuas letras glorificadas não me servem de inspiração
Mas Deus, por Deus
Que isso seja minha oração.
Clarabóias
podia sentir o ar quente de suas ventas
entrelaçar
desgrenhar meu corpo amaldiçoado
pôs fogo em minhas flores
roubou-me pirulitos
deu-me balas nunca provadas
saciou-se de minha inocência
antes eu levava flores
antes eu não sabia da escuridão
antes eu era criança
antes não era prisão
agora tranco a porta
agora escondo a chave
desenterro minhas bonecas
mas elas já não brincam mais comigo.
Deveras
O teu caos é verídico
Os teus olhos são limpos
Apareces do nada, me trazes sorrindo
Ah, guri
Teu andar desajeitado não engana
Tuas mãos frias enrugadas lhe entregam
Diz ser vermelho, azul, cor do incerto
Mas rapaz
Perceba a dislexia de meu pulmão
Chegando bem de manso
Te trazendo quase em vão.
Um cigarro e meio amor (1x2)
Se o que dizem por aí for verídico, de que só amamos uma vez na vida. Fico completamente decepcionado comigo mesmo. Não por não ter amado ainda, mas por ter amado a pessoa errada.
Vejo a melodia que ecoa entre os bem amados, ar fugaz que transparece na atrocidade do vento. Oh céus, por que esses versos perdidos não chegam até mim? Será eu, um antônimo de nós? Primeira pessoa do singular.
Abstrato perante o mundo, ou mundo abstrato diante de mim? Vejo-me e não me enxergo. Talvez focando os olhos diante do espelho faça o borrão entrar em foco. Mas se o problema for o espelho?
O chão onde piso é tão torto, balança, leva e trás, caí. Eu continuo no mesmo lugar, tudo se move. Esse meu olhar perplexo diante da existência. Eu que vejo o mundo ou o mundo que me vê? O sentido existe pra quem se surda da realidade.
Como um pêndulo na ventania, no olho do furacão. Movo-me, sacudo-me, sem direção. Porém preso a algo invisível que me impede de chegar a lugares nunca explorados. Tento me soltar. Mas o que me prende, chama-se VIDA.
Um texto de duas mãos.
Nota pessoal:
Pano de prato
Algo desastroso estava por trás das bordas sujas de batom rosa.
Me pergunto, que tipo de mulher usaria cor tão alegre num domingo chuvoso? Definitivamente
incompreensível. Talvez uma otimista sorridente passara pelos arredores. Mas não, não é possível.
Indignada me punha a pensar. O café esfriava, meu cabelo parecia estar mais bagunçado a cada hipótese. Me dei conta que ainda estava com a blusa do pijama.
Cheguei a pensar que talvez fosse inveja a minha indagação, pois aquela cor nunca estaria em meus lábios, o otimismo nunca viria a ser parte de mim, e eu nunca, nunca, nunca sairia de casa num domingo chuvoso.
Levantei e fui escovar os dentes.
O copo ainda guardava meus resquícios de felicidade.
Translúcida
Sem ideias compiladas
Como vou prosear?
Se minha rima não te afaga
Nada vale de amar
(Assinado: Ladrão de criatividade)
Adeus de Boas Vindas
Eu digo
Vá
Mas deixe
Sem cores
Rumores
Amores
Averba a Ação
Noites ecoam na ausência da alma, em análise de memórias ressaltadas que atingem a plenitude necessária para causar o caos.
Tudo em transferência simultânea, acolhendo as dores de estatísticas retóricas. Os dias não lembrados serão sempre assim?
Os meses trazem o ar gelado na ausência de prosa nos movimentos.
O verde daqueles olhos acomodaria qualquer incêndio que por desventura repousasse nas horas por vir, declarando imenso o anseio distorcido pelo anos seguintes.
Nada se faz tão presente quanto a dor disfarçada nos sussurros ao relento da alma. Pura concepção de ''outra-suficiência'' distanciada pela desordem.
A bela presença que se encobre na névoa, permanecendo nas simulações de felicidade.
Os encontros sem despedidas escracham as prováveis certezas de saturações em lágrimas.
Nuvens que englobam um só foco. Suor frio com partículas ociosas.
Tudo. Tão pouco. Tudo. Tão sempre. Nada.
Comentários (1)
É você que passa pela vida ou são as coisas da vida que passam por você ?
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