Lista de Poemas
Verdade ou ficção
Se há gente que acha que sou mesmo assim
Há outra que pensa que assim não sou;
Que sou aquela que se ficcionou
Ou, então, a que mais se aproxima de mim.
Faço das palavras meu espadachim
Digo tudo aquilo que sou e não sou
Aquela que em versos se desdobrou…
Laço-as, golpeio-as, dou-lhes fim.
Faço-vos sentir eu, amar ou odiar
Viver versos como se vossos fossem
Valorizando ou não, o meu versejar.
Rimas perfeitas que riem ou tossem
Num esforço enorme de aqui narrar
Emoções minhas, que as dores desossem!
Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In “Sonetando”
MODOCROMIA Edições
👁️ 43
Desamerdei-me
Hoje, o curtir, que era mais usado no Brasil atravessou o atlântico e instalou-se de vez neste jardim a beira-mar plantado, para ficar. Considerado muito útil, porque dispensou o verbo gozar, fruir, desfrutar... Agora curte-se tudo…as gajas/gajos, as caipiras e caipirinhas, as gordas de dar dó, as discos, os shots, as ganzas…
Surgem, então, pérolas de palavras nadas de uma ignorância em crescendo, porque o que importa é desenrascar-se, desenvencilhar-se…
Fala-se de imbigos, escupir no chão… ou escrevem-se palavras sui generis: desamerdar-se, sequesso, brilhas, nalgas…
Posto isto, eu, que às vezes me considero poeta, vou tentar desamerdar-me e fazer um poema, à minha maneira, com esta treta.
Desamerdei-me
Hoje, chavalita, sunhei cuntigo
Deichei d’ólhar pró meu imbigo
Tirei-te o azimute às nalgas
Desfiz-me das fraldas
Fixei tuas brilhas
Imaginei maravilhas
E órfão de nexo
Sonhei com sequesso.
Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In “Muita Poesia e Pouca Prosa”
Surgem, então, pérolas de palavras nadas de uma ignorância em crescendo, porque o que importa é desenrascar-se, desenvencilhar-se…
Fala-se de imbigos, escupir no chão… ou escrevem-se palavras sui generis: desamerdar-se, sequesso, brilhas, nalgas…
Posto isto, eu, que às vezes me considero poeta, vou tentar desamerdar-me e fazer um poema, à minha maneira, com esta treta.
Desamerdei-me
Hoje, chavalita, sunhei cuntigo
Deichei d’ólhar pró meu imbigo
Tirei-te o azimute às nalgas
Desfiz-me das fraldas
Fixei tuas brilhas
Imaginei maravilhas
E órfão de nexo
Sonhei com sequesso.
Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In “Muita Poesia e Pouca Prosa”
👁️ 127
Outono
Outonam-se as carnes
Entre o estio dos sentidos
E o inverno do destino.
E o corpo pede Sol
Um “Sol” esperto…
A formigar desejos
A toldar a vista
A pedir investimento
A retardar o ocaso.
Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In “Muita Poesia e Pouca Prosa”
👁️ 107
Nudez
Adivinho a nudez
Com que te vestes...
E visto-te de carícias e beijos
Numa languidez acesa
Num querer rápido e aglutinador
Numa paixão desabrida.
👁️ 86
Nudez
Adivinho a nudez
Com que te vestes...
E visto-te de carícias e beijos
Numa languidez acesa
Num querer rápido e aglutinador
Numa paixão desabrida.
👁️ 103
Santo António
Santo António, malandreco,
adora moças solteiras.
Aquelas que são casadas…
não gostam de brincadeiras.
No entanto, este santinho,
defensor do casamento,
não brinca com coisas sérias…
é santo de muito tento.
Na noite do dia doze,
toda a gente quer folgar,
entre bailes e comida…
toda a noite sem parar.
Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In ”Muita Poesia e Pouca Prosa”
👁️ 138
Olhares escritos
Olhares escritos
Da rocha vermelha, maravilhosa
Sobressaiu uma vagina perfeita;
Virgem e sem apresentar maleita
Coisas da natureza mui fogosa.
A pintura erótica e cavernosa
Que a tela da terra tão bem enfeita
E o nosso olhar curioso não enjeita…
Uma visão, quiçá maliciosa.
Nesta partilha de formas e cores
Numa atitude deveras marota
Gracejam com a arte estes dois autores...
Desta simbiose quase anedota
Alterando um pouco os vossos humores
Poema e foto geraram risota.
Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In ”Sonetando”
Modocromia Edições
Da rocha vermelha, maravilhosa
Sobressaiu uma vagina perfeita;
Virgem e sem apresentar maleita
Coisas da natureza mui fogosa.
A pintura erótica e cavernosa
Que a tela da terra tão bem enfeita
E o nosso olhar curioso não enjeita…
Uma visão, quiçá maliciosa.
Nesta partilha de formas e cores
Numa atitude deveras marota
Gracejam com a arte estes dois autores...
Desta simbiose quase anedota
Alterando um pouco os vossos humores
Poema e foto geraram risota.
Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In ”Sonetando”
Modocromia Edições
👁️ 166
Até sempre
Muito obrigada Agustina Bessa Luís
por todo o manancial que foste escrevendo
e que muita gente foi comprando e lendo,
por escreveres a prosa que eu sempre quis.
A tua escrita brotou como flor de lis,
um querer de mulher arrojada em crescendo,
mostrando-se ao mundo, seu valor tecendo
em palavras às vezes duras ou subtis.
Dizia-se bem mais conhecida que lida,
escreveu para o teatro e para o cinema,
sempre apoiada pelo homem de sua vida.
Escrever muito e escrever bem, era o seu lema.
Sobre gentes variadas e a sua lida
e recorrendo amiúde ao epifonema.
Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In ”Muita Poesia e Pouca Prosa”
04-06-2019
👁️ 144
Querer insano
Tua boca é fonte onde quero beber
Teu olhar é o lago onde quero navegar
Teu corpo o relevo aonde quero trepar
Teu espírito o remanso onde quero morrer.
Somado todo este puro e insano querer
Correndo o risco de tamanha conta errar;
Partirei, então, desolada, sem desfrutar
Um desejo oculto que esperava viver.
E, vivendo vou, esperançada neste amor
Que às vezes me derruba, outras me completa
Porfiando, neutralizo este desamor.
O fazer poesia também me completa
Com ela consigo afastar a minha dor
Tarefa calma, de todas a mais dileta.
Lúcia Ribeiro
In “Sonetando"
Modocromia Edições
👁️ 145
Hoje, sou outra!
Hoje, acordei enxuta, seca,
mirrada de ideias feitas.
Hoje, recuso a racionalidade idiota.
Quero sonhar,
batizar-me de criatividade,
dar largas à felicidade.
Hoje, quero alhear-me de códigos,
alhear-me de leis,
despojar-me dos anéis…
Quero sentir-te nos dedos.
Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In “ Muita Poesia e Pouca Prosa”
👁️ 153
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Biografia
Lúcia Ribeiro, também conhecida por Lucibei, nasceu na Póvoa de Varzim, corria o ano de 1951. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, Variante de Estudos Portugueses e Franceses. Obteve, ainda, o Diplôme Supérieur d’Études Françaises Modernes, de l’Alliance Française e o Diplôme Supérieur d’Études Françaises (D.S.E.F.) de l’ Institut Français, bem como duas Especializações: uma em Orientação Educativa e outra em Administração Escolar.
Tem trabalhos publicados em alguns jornais e revistas escolares e, ainda, em diversos sítios da Internet. Publicou na página que possui no Recanto das Letras, três E.livros: “Un morceau de moi” em 2011; “Olhares escritos sobre o amor” em 2012; “Erótica MENTE” em 2013 e “Poemas de natal e Ano Novo em 2018. É nesta página, que vai postando tudo quanto escreve. Gere, ainda, as páginas de poesia “Alma Janela” @Lucibeipoems; “Pensée” http://www.luciaribeiro.net/
Participou em 22 coletâneas: 16 em Portugal, 3 no Brasil, 1 em Itália, 1 em Paris e 1 Argentina.
Colaborou na elaboração do “Conto de Natal” a 8 mãos”, um Projeto VianaCriativa e, ainda, na Exposição Fotográfica Solidária “Viana no Feminino”, de apoio ao GAF (Gabinete de Apoio à Família) de Viana do Castelo.
Escreveu o seu primeiro livro “SENSUALidade 1” em 2006; “BorboLetras” da Modocromia Editora, em 2012; “Erótica MENTE” em 2015; “SENSUALidade 2” em 2017, também da Modocromia Editora; “Do Romântico ao Brejeiro” em setembro de 2018 e “Sonetando em dezembro de 2018, da Modocromia Editora.
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