Querer insano


 
Tua boca é fonte onde quero beber 
Teu olhar é o lago onde quero navegar 
Teu corpo o relevo aonde quero trepar  
Teu espírito o remanso onde quero morrer.  
 
Somado todo este puro e insano querer 
Correndo o risco de tamanha conta errar;
Partirei, então, desolada, sem desfrutar 
Um desejo oculto que esperava viver.
 
E, vivendo vou, esperançada neste amor   
Que às vezes me derruba, outras me completa
Porfiando, neutralizo este desamor. 
 
O fazer poesia também me completa     
Com ela consigo afastar a minha dor         
Tarefa calma, de todas a mais dileta. 


Lúcia Ribeiro
In “Sonetando"
Modocromia Edições
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