Desamerdei-me

Hoje, o curtir, que era mais usado no Brasil atravessou o atlântico e instalou-se de vez neste jardim a beira-mar plantado, para ficar. Considerado muito útil, porque dispensou o verbo gozar, fruir, desfrutar...  Agora curte-se tudo…as gajas/gajos, as caipiras e caipirinhas, as gordas de dar dó, as discos, os shots, as ganzas…

Surgem, então, pérolas de palavras nadas de uma ignorância em crescendo, porque o que importa é desenrascar-se, desenvencilhar-se…

Fala-se de imbigos, escupir no chão… ou escrevem-se palavras sui generis: desamerdar-se, sequesso, brilhas, nalgas…

Posto isto, eu, que às vezes me considero poeta, vou tentar desamerdar-me e fazer um poema, à minha maneira, com esta treta.


Desamerdei-me

 
Hoje, chavalita, sunhei cuntigo

Deichei d’ólhar pró meu imbigo

Tirei-te o azimute às nalgas

Desfiz-me das fraldas

Fixei tuas brilhas

Imaginei maravilhas

E órfão de nexo

Sonhei com sequesso.


Lucibei@poems

Lúcia Ribeiro

In “Muita Poesia e Pouca Prosa”
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