Lista de Poemas

Outonei




Eis-me aqui!
Corpo de outono vestido
descontente do estampado:

Da pele seca e baça
caída, dos anos vividos;

Dos sulcos inférteis
preenchendo a anatomia
alterada pelo caminhar do tempo;

Dos olhos órfãos de brilho;

Da alma experiente e serena
estrebuchando de sonho.

Lúcia Ribeiro/Lucibei
👁️ 106

Nudez


Adivinho a nudez
Com que te vestes...
E visto-te de carícias e beijos
Numa languidez acesa
Num querer rápido e aglutinador
Numa paixão desabrida.
👁️ 298

Política

A propósito da citação de Camilo Castelo Branco

A mentira

O que tem feito mal a muita gente não é a mentira; é o invólucro de palavras artificiosas com que se doira a algema que as verdades lançam ao pulso do homem.
                         In " citações" Camilo Castelo Branco

Política

Arco-íris de uma só cor.
Cor da mer...a conveniência.
Cor... de nojo.

Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In “Mensagens, Preces & Reflexões”
 


👁️ 105

Amor antigo

Um amor outonal, arrefecido
Esfomeado de emoções, famélico
Ninho de conflitos roçando o bélico
Resistindo vai, mesmo esmorecido.
 
E desse amor, embora combalido
Nascem momentos com um travo angélico;
Com esse querer, quiçá, psicadélico
Crê-se reconquistar o amor perdido.

Assim vão gastando sua existência  
Em um desamor de amor disfarçado 
Negando assumir tamanha evidência.
 
Resta o amor antigo, desgastado
De emoções fortes feito e paciência
Aceitando o destino, o triste fado.


Lucibei@poems

Lúcia Ribeiro

In “Sonetando” Modocromia, Edições
👁️ 124

Mulher cão


 
 
És a mulher “cão”
                        de um mundo não.
 
Vida atribulada, consumida,
repetidamente humilhada.

Desde que foste parida...
 
                          alguém se encarrega de ti:
de ser teu dono,
de te amar à sua maneira,
de atirar-te ao abandono,
de arranjar-te coleira.
 
 
Mulher!
Larga o “cão” que há em ti,
solta a raiva que te verga,
as amarras que te prendem.
 
Ergue-te! Sorri!
                   “ladra” ao mundo a tua dignidade,
o teu querer…
                  busca a tua liberdade!
Sê dona de ti!


Lucibei@poems
In "Muita Poesia e Pouca Prosa"
👁️ 196

Sanfonar


 
Para ti, serei sempre uma sanfona
Tua meia pera, em curvas e jeito
Palavras música vindas do peito
Gestos ousados…a tua amazona.                                            
 
Tange bem as cordas desta durona
É mester que o faças sem desrespeito
Prime-me as teclas sem qualquer defeito
Faz subir em nós a Testosterona.
 
Não pares, usa a viela de roda
Saibamos achar o prazer a rodos
Aquele prazer que vai sendo moda.
 
Um estar bonito e de ledos modos
Que satisfaz o corpo e não incomoda
Prazer sem limites… o alvo de todos.


Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In “Sonetando“
Modocromia, Edições
👁️ 56

Soneto alegre


 
Vivo cercada de cheiros e cores
Uma vida colorida e cheirosa;
O viver de uma alma mui venturosa
Com muito carinho e poucos amores.
 
Canto a natureza com seus olores
Porque quero uma vida harmoniosa;
Uma vida humilde, mas proveitosa
Cantando da flora, as múltiplas cores.
 
De alma repleta de felicidade
Desfruto as dádivas da natureza
Sem perder o tino e a objetividade.
 
E se faço uso de tanta franqueza
É porque sou ditosa de verdade... 
Sinto-me nobre, sem ser realeza.


Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In “Sonetando"
Modocromia, Edições
👁️ 76

Coração filigrana



Teu coração filigrana
Da alma é a janela 
Onde debruço meus olhos 
Corpo todo em sentinela.  
  
E esta alma profana
De emoções aguarela
Vai pintando com desejo
Teu corpo cor de canela.


Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In “Do Romântico ao Brejeiro”
👁️ 52

Adormeci

Adormeci
 
Adormeci, noite clara
Repleta de sonhos e fantasias.
Adormeci, no branco da tua pele apetitosa.
No colo do desejo.
Nos teus braços, meu amor…
                                          Para acordar, manhã clara
                                          De sol embriagada
                                          Embutida no teu corpo
                                          Peito arquejante
                                          Exausta de bem amada.

Lucibei@poems
Lúcia Ribeiro
In Coletânea ”Palavras sem Fronteiras”
Buenos Aires

👁️ 49

Desejo versus saudade



Se o amor não espevita
a saudade arrefece.
Nada do que resta apetece.
 
Volta não volta
o amor espevita
a saudade esmorece
o desejo arrebita.
 
De vez em quando
o desejo fermenta
a ilusão apascenta as carnes...
                                  Sem chama nem pimenta.


Lucibei@poems

Lúcia Ribeiro

In “Muita Poesia e Pouca Prosa”
👁️ 55

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