Lista de Poemas

ISOLAMENTO DE NATAL

(Poema ISOLAMENTO DE NATAL (E-book de Natal 2020 do Solar de Poetas)


ISOLAMENTO DE NATAL

Vou sonhar com uma linda estrela
Que de longe virá visitar-me,
Será entre as outras a mais bela,
Por eu estar só, virá consolar-me.

Este Natal sem nada, vazio,
A lembrar a árvore despida.
Sem amor, fugiu, esse vadio,
Com os elos que ligam a vida.

A lareira matará o frio,
Na entrada pelo postigo aberto,
Comendo da noite esse ar sombrio
Que a alma carrega pelo deserto.

A estrela prosseguirá no céu,
Luz num mundo desafortunado,
Mostrando o caminho que é seu
Pra quem sofre um Natal confinado.

José António de Carvalho, 30-novembro-2020


Primeiro de três poemas da participação no e-book de Natal 2020 do Solar de Poetas e Poetas Poveiros e Amigos da Póvoa.

Agradeço aos amigos das letras Rosa Maria Santos e José Sepúlveda a oportunidade concedida pelo terceiro ano consecutivo.
👁️ 2 060

ABRAÇO-TE

(Do Livro SENTE, LOGO VIVES E SONHAS)

ABRAÇO-TE

Hoje sinto-me muito vago
Parado bem lá no alto mar
Pois saudades comigo trago
De mais uma vez abraçar.


Um abraço nascido da alma
Preso em laço imaterial
Que transborde paz para o mundo
Expugnando-o de algum mal.


Não vejo além daquele monte
Mas trago a vontade comigo
De rasgar este meu horizonte
P'ra te dar um abraço: AMIGO.


José António de Carvalho
in “Sente, logo Vives e Sonhas” (Versão: 20-Julho-2019)
👁️ 2 111

DIA A DIA

(Pensamento DIA A DIA)


DIA A DIA

 
Todos os dias aprendo mais uma coisa nova,
e quando não aprendo lembro algo
que tenha aprendido no dia anterior.

Não importa quem ensinou.
Apenas lhe fico agradecido.

Faz bem recordar o que fomos ontem
para não colidir com o nosso hoje.

São tantos os momentos em que não sei
o que sou, e, por isso, procuro-me…
talvez por me ignorar completamente.

José António de Carvalho, 15-abril-2021
👁️ 1 296

VOOS IMPOSSÍVEIS

(Antologia LIBERDADE - CHIADO EDITORA, 2021)


VOOS IMPOSSÍVEIS

Ela morre nua dentro das coisas
em sonhos que nunca se desenvolvem,
fica presa na retina dos olhos
onde se geram as asas que morrem,
encolhe-se em abraços imaginados
atormentados na pobreza contida
dos pratos de fome em que é servida.

Ela cresce e extingue-se em mãos de luz
no feito do ideal que se desfaz,
no retrato do homem que se reduz
e nas cinzas dum tratado de Paz.

Ela baila no colo da ciência,
rodopia no pé da fantasia,
falece e cai em funda letargia,
veste-se deusa em primavera florida
guardando o arco-íris em corpo febril,
na linha do sonho e tão só do sonho
de viver a liberdade contida
nos rubros dias nascidos de Abril.

José António de Carvalho, 13-março-2021
👁️ 1 285

OUTONO POETA

Coletânea "ENTRE O SONO E O SONHO", Chiado Books, ed. XVII, 2025


OUTONO
POETA

O poeta vive a natureza.
Naturalmente, se apaixona
por toda a sua beleza.
Paixão que não abandona.

Vive a viajar nos astros
sem o pé sair da terra,
a gastar sapatos gastos
num sonho que não encerra.

No Inverno canta a neve
na ânsia que o frio passe,
e nos versos sempre pede
que a primavera o abrace.

Esse amor à primavera
é sentimento tão forte
que o leva pela quimera
sempre fugindo da morte.

Tem o seu  auge no verão,
mas em si já tudo chora
p'la vinda doutra estação,
a que no próprio mora.

Ventos leves vão soprando
na alma, de si, entristecida,
e o outono vai chegando
empurrando-o mais na vida.

José António de Carvalho, 24-setembro-2025

👁️ 129

O MENINO

Coletânea "ALMA LATINA", Vol 6, 2025

O MENINO

Um menino pequenino
nos seus olhos de criança,
sonhava para o caminho
longas retas de esperança.

Olhava pelo postigo
Para ver a luz do dia,
Sempre fechado no abrigo
À medida que crescia.

O tempo lá foi passando,
O menino foi crescendo,
Nem podia acreditar
Nesse mundo que ia vendo.

Eram cidades inteiras
Em ruínas e desertas,
Alguns trapos de bandeiras.
Um horror de descobertas...

Fumos negros e os odores
A sangue já ressequido,
São agora mais duas cores
Que passam a andar consigo.

E perguntou para si:

Como seria aquele Homem
Que tudo aquilo fazia,
Poderia ser igual
Ao homem que em si crescia?...

José António de Carvalho, 28-agosto-2024

👁️ 186

PROCURA

Coletânea "SOMOS HORIZONTES DA POESIA II" - 2025

PROCURA

Procuro-te nos barcos
de velas içadas ao vento,
nas proas levantadas
a rasgarem mares
de dores e desalento.

Nos travos de alegria
bebidos dum sonho
pintado a branco.
Mas depois aponho
que são apenas fantasia.

Procuro-te assim
sem rumo, sem norte,
a poucas páginas do fim…
Páginas gastas, amareladas,
que dizem tudo de mim
e também da minha sorte.

José António de Carvalho, 28-dezembro-2024

👁️ 260

DIGO-TE…

Coletânea "ALMA LATINA", Vol. VI, - 2025

Encheste o cálice da vida
e eu nasci dentro do tempo,
lançado à ira de um frio janeiro.

Deste-me a mão e eu andei,
e até aprendi a fugir de ti.
Mas… logo, logo, regressava.

Colavas-me os teus olhos,
e sob o teu olhar eu crescia
sem que tu o percebesses.

Revoltava-me comigo e ia,
pensando que tinha crescido
em tudo, e também contigo.

Mas as raízes eram fortes,
agarradas à terra e às tuas mãos
que me continuaram a alimentar.

Por isso, ontem como hoje,
vendo que a vida nos foge,
és tão importante para mim.

Não para me amparares
ou orientares no caminho,
mas para sentir que estás comigo.

Quero que me envolvas no teu olhar
e nunca me sentirei sozinho.
É só assim que há primaveras
e o teu Dia, Mãe…

José António de Carvalho, 18-março-2024

👁️ 135

SEGURO PELO POEMA

Este poema foi inspirado em Joaquim Pessoa, e em jeito de resposta ao seu poema "AGARRA-TE AO POEMA", que vi e ouvi declamado pelo amigo e poeta António Soares Ferreira.

Publicado na COLETÂNEA "SOMOS HORIZONTES DA POESIA II"


SEGURO PELO POEMA

Quando abro os olhos no meio da escuridão, eu vejo luz no poema.
Quando a solidão me lança no chão, levanto-me na força do poema.
Quando a mentira me mergulha no pântano, emerjo na limpidez do poema.
Quando a dureza da realidade me sufoca, eu grito pela boca do poema.
Quando o medo me impede de avançar, eu sinto a mão do poema.
Quando luto com a minha insegurança, sigo no leito do poema.
Quando a tristeza é tão forte como eu, deixo-me voar no sonho do poema.
Quando a dor me faz cambalear, eu bebo a cura no poema.
Quando não tenho o amor, eu abraço e beijo o poema.
Porque cada poema escrito é um caminho de luz para a vida.

José António de Carvalho, 09-novembro-2024

👁️ 238

CARTA AOS AMIGOS

"Coletânea - AMANTES DAS POESIA E DAS ARTES"

CARTA AOS AMIGOS

Amigos,
Sei que aos vossos olhos
posso parecer um pouco louco.
Sim. Apenas um pouco, 
daquilo que é a loucura total
do mundo em que vivemos.
Uma normal loucura mundial.

Razões para dizer isto
todos temos, todos têm.
No entanto,
são sinais que vão e vêm
por esse mundo infernal fora,
que perde o futuro no agora.

O pior disso tudo
é que não consigo ficar mudo…

E se isto pode parecer pranto,
sabendo que não sou santo,
peço-vos com a maior mesura
que, antes de selarem a minha,
saibam o que é a verdadeira loucura.

José António de Carvalho, 19-novembro-2024

👁️ 185

Comentários (22)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

Muito obrigado, estimado amigo das letras Ademir Zanotelli! Bom fim de semana! Um grande abraço.

Muito belo , teu texto poético , principalmente cuidaras do amor , pois este jamais morrerá! abraços na tua longa jornada de poetar.

Muito obrigado pela consideração e comentário, estimado amigo poeta Ademir Zanotelli! Um grande abraço.

Meu caro amigo... e grande poeta, muito obrigado por me visitar... e ao mesmo tempo o teu poema está seguro, pois o mesmo é um caminho para a luz de sua vida. parabéns .

Muito obrigado, estimado amigo das letras, Ademir Zanotelli! Deixem-me só esclarecer, que não sou jornalista, apesar de ter escrito para dois jornais locais. Um já não existe o outro mantém-se. Boa noite! Um abraço.