Lista de Poemas

AO PÉ DE TI…

(Coletânea LIVRO ABERTO - RVA - 2023)

AO PÉ DE TI…


Ao pé de ti, bem sei,
que o sangue ferve,
que a alma se alonga,
e o desejo transborda.

Ao pé de ti, bem sei,
que o sorriso se atreve,
que o destino se escreve
sem perceber a lei;

Que o calor é arrepio
com o sangue num corrupio
para saltar do coração…

Que dos olhos faíscam estrelas.
Não se veem, mas lê-se nelas
o caminho a seguir.

E as estrelas e o coração
são para serem seguidos,
e se houver outra razão
mais vale morrer, mas saber,
do que fingir não perceber,
quanto o amor que nos dão. 

 José António de Carvalho, 07-janeiro-2023
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OLHARES A CORES

(Coletânea INVISÍVEIS OLHARES - RVA)

OLHARES A CORES

 
Imagino a vida a cores
Pintada suavemente
Pelos dedos voadores
Que percebem fielmente
A razão dos pormenores.

Olho longe, sempre em frente,  
Abraço as nuvens, e a luz
Que o Sol dá a toda a gente,
A quem me guia e conduz
No respeito mais silente.

Ouço o romance das flores,
Vejo a mudez das nações,
Mordo a fome, calo horrores,
Surdas notas das canções.

Vejo tudo. E do que vejo,
Sendo pouco mais que nada,
É bem mais do que o desejo
De nascer na madrugada.

O poema será um livro;
Um livro livre de medos,
Um coração livre e vivo,
Frágil barco destemido
Guiado pelos meus dedos.

 José António de Carvalho, 30-junho-2022


In, Coletânea "Invísiveis Olhares - 2022", organizada por Ana Coelho, com o apoio da RVA. Os lucros reverteram a favor da Associação Cabra Cega (Associação de apoio aos invisuais).
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REVELAÇÃO MAIOR

(Coletânea - HORIZONTES DA POESIA - 2023)

REVELAÇÃO MAIOR


Na aproximação ao teu corpo
sinto o calor da estrada,
longa e sossegada,
sob um sol abrasador.

Nas bermas os lírios
erguendo os olhos ao sol,
extasiados e em delírios,
da seiva a subir o caule.

Qualquer flor quererá
abrir-se ante o calor
que a aproximação trará
a um coração pleno de amor.

Grito-te agora calado
p’las despensas dos dedos
ágeis, voando pelo teclado
ao revelar meus segredos.

 José António de Carvalho, 09-fevereiro-2023
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A RAZÃO

Poema A RAZÃO (E-book de Natal 2022 do Grupo Solar de Poetas)

A RAZÃO


Abre-se o céu a nascente
com o sol a clarear o dia,
é aurora resplandecente:
nasceu Deus, Filho de Maria.

Baixem as armas por Ele,
baixem-nas pelo Homem,
que este é pele da Sua Pele
e tantas vidas consomem.

Façam caminhos no deserto,
façam-se ao mar calmo,
façam apenas o que é certo,
meçam atitudes a palmo.

Deem conforto ao pobre,
abracem o desafortunado,
fazê-lo é tão, tão nobre,
e o Natal será festejado.

José António de Carvalho, 11-dezembro-2022
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ASA DE ABRIL

(Coletânea SOMOS LIBERDADE - 2022 - RVA)

ASA DE ABRIL 


Pega numa flor, num cravo, ou rosa;
vê o filme do mundo, lê a prosa,
desse sonho a esvoaçar de verdade. 
Ergue-te bem alto ó Liberdade!

Desenrola-te e perde o medo.
Deixa de ser um ideal, um segredo,
que nos flameja só por dentro.
Atinge-nos com o teu olhar atento!

Passeia-te neste mundo distraído
que explora e mata, sem ser punido,
como se fosse uma lúgubre savana,
em que o mais forte o fraco engana.
Isso é o terror vestido de modernidade…
Ergue-te bem alto ó Liberdade!

E não há maior traição que nos sirvam
do que a fome que a tantos obrigam,
e o roubo do suor a outros tantos
por aqueles que passam por “santos”.

E desse Abril só ficou a quimera,
e a beleza de cada nova Primavera,
que sempre nos traz brilho e cor,
que nos permite gritar com fervor:
- Ergue-te bem alto, ó Liberdade!!!

 José António de Carvalho, 10-abril-2022
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A NOSSA ACRÓPOLE

(Antologia ÉVORA POESIA - ICE)


A NOSSA ACRÓPOLE
 
Sonho-te em bravos verões
Com aura celestial
Abrindo em par os portões.
Dos sinos dos carrilhões
Soam hinos a Portugal.

 Património mundial,
História por ter nascido
Bem antes de Portugal,
E de forma bem plural
Nele tanto ter crescido.

Tão grande é a nobreza,
Um vulto da nossa história,
Tal é a sua riqueza
Onde passou a realeza,
E nós cantámo-la em glória.

 José António de Carvalho, maio 2021 

(Poema da minha participação na Coletânea "Évora Poesia" (agosto, 2021), numa iniciativa do Instituto Cultural de Évora)
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O MAR DAS LÁGRIMAS

(Antologia ALMA DE MAR - CHIADO EDITORA, 2021)


O MAR DAS LÁGRIMAS

Duas lágrimas caem dos olhos, uma e depois outra.
Assim… breves no espaço, mas com resistência de rocha intemporal,
Com um mar de distância na sua génese,
E apesar de tão longínquas lá se uniram pela lembrança…

São como imagens de rios e rios, a juntarem-se
Numa transgressão permanente de regras das linhas e dos leitos.
Corpos empertigados, de poros fechados e mãos cerradas aos afetos
Descem pelas correntes desesperadas de céus sem futuro.

Pedras e mais pedras arrastadas brutalmente pelas águas,
Caindo na lama da alma, uma a uma, pedra sobre pedra,
Rebentando todas as linhas, todos os laços,
Matando risos, comendo esperanças, mutilando sonhos.

Uma descomunal guerrilha suicida de vã conquista.
O sangue derramado mancha as águas de todos os mares,
Tornando-as quase impenetráveis à frágil luz da razão,
Desenhando corpos lapidados e amarrados sem qualquer horizonte.

José António de Carvalho
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O PEITO

(Coletânea LIVRO ABERTO - RVA - 2022)

O PEITO

 
É onde cai a formosura
das pétalas das flores
que subtilmente
vão descendo das árvores.

É onde se sossega o sussurro
e se cala o soluço
por entre o calor do afago
dum paraíso campestre
que adormece os deuses.

É onde se faz voar o sonho
que alimenta todo o corpo,
para crescerem asas de outro voo.

É onde repousa o decote
na dormência da alma,
e se ancora o espírito
na impetuosidade dos lábios
de subirem os degraus 
para uma outra dimensão:

É a morada do coração!...


José António de Carvalho, 28-fevereiro-2022
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TU, MULHER…

(Coletânea -  HORIZONTES DA POESIA XIV)

TU, MULHER…
 
És margem direita,
rio e foz,
estuário com voz,
corrente afoita.
 
És delírio e proeza,
corpo cinzelado
p’los dedos moldado,
princípio da natureza.

És fogo e estio,
balada inocente,
Sol brando poente,
vela de navio.

És noite e dia,
também, sol nascente,
ângulo de diamante
a refletir alegria.

Parabéns!…
É sempre teu dia!!!!

José António de Carvalho, 08-março-2022
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QUANTAS VEZES

(Antologia PALAVRAS PARA A HISTÓRIA - Gerábriga - Associação Cultural)

QUANTAS VEZES


Quantas vezes te disse,
vamos falar de nós.

Como se desconhecêssemos
porque é que a terra
tem de ser lavrada,

porque é que a rede do pescador
tem de ser remendada,

e as pontas dos fios
que se partem no tear
têm de ser unidas e atadas.

E nós sabemos que a casas,
que se fragilizam no tempo,
são reféns de nova visão 
e de mãos sábias e recuperadoras.

E nós sabemos do desespero
de uma planta no seco verão,

é como se tivesse ferida aberta
a esvair-se de sangue
no seu depauperado coração.

José António de Carvalho, 13-setembro-2020
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Comentários (22)

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Muito obrigado, estimado amigo das letras Ademir Zanotelli! Bom fim de semana! Um grande abraço.

Muito belo , teu texto poético , principalmente cuidaras do amor , pois este jamais morrerá! abraços na tua longa jornada de poetar.

Muito obrigado pela consideração e comentário, estimado amigo poeta Ademir Zanotelli! Um grande abraço.

Meu caro amigo... e grande poeta, muito obrigado por me visitar... e ao mesmo tempo o teu poema está seguro, pois o mesmo é um caminho para a luz de sua vida. parabéns .

Muito obrigado, estimado amigo das letras, Ademir Zanotelli! Deixem-me só esclarecer, que não sou jornalista, apesar de ter escrito para dois jornais locais. Um já não existe o outro mantém-se. Boa noite! Um abraço.