Lista de Poemas

TEMPO DE UM ABRAÇO

(Antologia PALAVRAS PARA A HISTÓRIA - Gerábriga - Associação Cultural)

TEMPO DE UM ABRAÇO


O teu olhar será sempre doce,
mesmo quando tapas os olhos
pensando que escondes a alma.

Mas leio-te profundamente
no intenso azul do mar.

E bebo palavras da tua boca,
saciando-me em enredos
de conquista dos teus lábios.

E devolvo-me ao sonho,
numa entrega voluntária,
atado nas cordas dos braços,
num abraço que dilui o tempo.

E permaneço…
Permanecemos,
abraçados
a sentir a leveza do vento.

José António de Carvalho, 17-maio-2021
👁️ 241

LÁGRIMAS

(Antologia POETAS D'HOJE - 2019)

LÁGRIMAS
 
São gotas de água salgada
Que destes meus olhos se evadem
Nem sequer sabem a razão
Verdadeira pelo que o fazem.

São como esferas de metal
Que metal este tão pesado
Se quando chegam ao chão
Furam na terra ao outro lado.

São como diamantes brutos
Com as impurezas da vida
Mas de valores absolutos
Tal como ela, incompreendida.

No meio desta ambivalência
Mais parece que ontem nasci
Subi a palmilhar a prudência
Em gotas salgadas desci!...

José António de Carvalho, 11-setembro-2019
👁️ 1 513

OS FRACOS

(Coletânea MIMOS DE MARÇO - 2020)

OS FRACOS
 
Os fracos são aqueles
em que o amor não lhes entra
nem preenche o âmago.

Aqueles em que as suas árvores
não despontam primaveras.

Aqueles em que as flores
não desabrocham, nem frutificam docemente.

Fracos, são os que se abstêm de ver
de sentirem o Sol entrar-lhes bem dentro
até furar os confins da sua alma
iluminando-os e fecundando-os.

Fracos, são os que se estendem
nas águas do rio e adormecem profundamente
deixando-se levar pela corrente,

E que não olham para os mistérios da vida
que acontecem nas margens,
onde crescem belas flores e árvores frondosas.

Que não são capazes de lutar contra a sua corrente frouxa
e apreciarem a beleza do que acontece no seu leito
onde a vida deve crepitar, definir-se e crescer pujante.


José António de Carvalho, 25-novembro-2019
👁️ 1 485

VELHO OU NOVO

(Coletânea LIVRO ABERTO - RVA - 2021)

VELHO OU NOVO
 
Venceu-me tão completamente 
Um ar negro de letargia,
Por mais um ano que se finda
E p'lo que no ano se passou…
Pergunto: Quantos viverei ainda?...

Só sou quem eu sou, mal ou bem,
Perdi dos olhos a alegria
Vejam bem como é que estou,
Rindo da esp'rança que não vem
No caminho por onde vou.

Peço assim no particular
Pra todos em geral, também,
Que seja um ano especial
Com saúde, um bem singular…
E não falte o amor a ninguém!!!

José António de Carvalho, 28 de dezembro-2020
👁️ 907

FECHA-SE A PORTA, ABRE-SE A JANELA

(Antologia QUARENTENA - CHIADO EDITORA)

FECHA-SE A PORTA, ABRE-SE A JANELA

Abandonados aos nadas da vida
A cumprir esta dura quarentena,
Dura forma de vida, enegrecida,
Que desfaz todo e qualquer preconceito.
E pensar se assim é que vale a pena
Ou se antes é que era bom, com efeito.


O caminho até aqui bem nos mostra
Que o Homem é como um outro ser qualquer…
E se for para viver como uma ostra
Ou pra andar aqui a dormir como um gato,
Qualquer dia desatino de facto,
Ou ainda terei alguém que mo vai dizer.


Mesmo estando nesta guerra escondidos,
Mas que o inimigo nos vê por inteiro,
Segue os nossos passos desprotegidos…
Oh minh’ alma exausta, exposta ó desgaste,
Nem calculas o susto que pregaste
P’la falta da luz do teu candeeiro.


Ainda assim vejo p'la minha janela
Que o sol, o mar e os campos estão aí,
Que sorriem como outrora. Mas ela,
Confinada, oh... que vida torturada!
Triste como leoa acorrentada,
Numa ténue esperança ainda sorri!

José António de Carvalho, 27-abril-2020
👁️ 2 111

SE ELA CHEGAR

(Coletânea HORIZONTES DA POESIA XIII - 2021)

SE ELA CHEGAR


Faz-se tarde, tão tarde para ti,
Mais tarde do que o dia que tarda
Na esperança de cada amanhecer
Na tua chegada na vanguarda…
Na vanguarda do Homem.

Se na natureza foste a primeira,
Uma aurora cintilante, companheira,
Nos dias que a vida consome…
Roubados de forma sorrateira
Em cada ruga do teu luar
Que nasce no teu alto mar
E na brandura da tua força verdadeira.

Salpicas vida e amor
E melodias na brisa calma,
Abraças os filhos, afagas a dor,
E tens ainda o brilho nos olhos
Para te doares toda em amor,
O amor de todos os sonhos,
Dos sonhos arrebatados à alma…

José António de Carvalho, 05-março-2020
👁️ 2 341

SÓ MAIS UM DIA

Coletânea LIVRO ABERTO (RVA) 2021

SÓ MAIS UM DIA

O sol parece que andou
como a ave quando esvoaça
mas se ninguém reparou
é só o dia que passa.

História que alguém narrou
de gente que muito abraça
se o sol parece que andou
mais outro dia que passa.

E se mais alguém pensou
que o caminho não é de ida
é alguém que se enganou
nas contas que fez à vida.

E se quem tanto hesitou
se o tempo é ameaça
é porque jamais amou
em cada dia que passa.

José António de Carvalho, 28-07-2019
👁️ 1 952

POESIA, O QUE TE DOU?

(Coletânea POESIA, O QUE TE DOU? - RVA)

POESIA, O QUE TE DOU?

Ai se eu soubesse o que te enche de vida…
faria caminho em secos desertos,
romperia céus em palavras redondas
para não ferir puros sentimentos.

Soubesse eu o som das tuas melodias,
que as manhãs cantariam radiantes
em cânticos de encantar os meus dias,
beijaria mares de sobressaltos
e calaria as dores das angústias.

Soubesse eu as sílabas que pronuncias
entre lábios, as tónicas do verso,
silêncios das palavras que anuncias
a sorte do poema ainda no berço.

Assim, por mais que queira, diga ou faça,
velha alma sempre cai em graça ou desgraça,
gume de faca com que o vento traça
e corta a meio o sonho, a fantasia,
a asa que te faz voar, poesia… 

José António de Carvalho, 17-março-2021
👁️ 2 025

POEMA À MÃE

(Antologia ALMA LATINA 2021)

POEMA À MÃE – no seu Dia


Enquanto a vida nos mantiver juntos
Com longínquo horizonte por destino
Falaremos de todos os assuntos…
Sorrirei, porque ainda sou o teu menino.

Falaremos do nosso crescimento
E das vicissitudes desta vida,
Do tempo: da chuva, sol e do vento.
Oh mãe!... És sempre a nossa tão querida!

Meus olhos, sempre que olho para ti,
Felizes de não verem a tua idade,
só veem o teu rosto, se sorri,
Na procura da tua claridade.

Dizes-me que te custa, que não podes.
E eu penso que estás apenas cansada
Por tanto trabalhares, e não deves.
Oh mãe! Não me digas… não digas nada!

Fiquemos no silêncio e na alegria
De viver este amor de mãe e de filho,
E quando, Mãe… quando é o teu Dia,
Nasce nos meus olhos um novo brilho…

Mais um dia… e a vida a fugir, lá vai...
Ainda te dedico mais esta quadra,
Se és Mãe, agora, és também o Pai,
Que, de onde está, nos vigia, ama e guarda.

José António de Carvalho
👁️ 2 055

ASSIM MULHER

Dia Internacional da Mulher 2021

ASSIM MULHER

 
Há um bosque, uma selva
uma larga pradaria
nesse rio de alegria
nesse mar revolto
ou nas águas paradas
na mais perfeita harmonia.

Há um nascer de sol
uma brisa na manhã,
um dia a meio do dia
se a tarde é infinita,
ou a noite tão intensa
como subir a montanha
mais íngreme e imensa,
e relativiza qualquer dor
enquanto Mulher e Ser
de qualquer canto e cor.

Há um recuo, uma oscilação,
um pequeno avanço, um pulo,
um sair desfiando do casulo
no frémito de nova geração.

Há um mar sereno
no peito que foi rasgado
no âmago de quem crê
que o tempo é passado,
mas o tempo é presente
um presente com futuro 
que passará a reconhecer
a alma de SER MULHER.

José António de Carvalho, 07-março-2021
👁️ 2 328

Comentários (22)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

Muito obrigado, estimado amigo das letras Ademir Zanotelli! Bom fim de semana! Um grande abraço.

Muito belo , teu texto poético , principalmente cuidaras do amor , pois este jamais morrerá! abraços na tua longa jornada de poetar.

Muito obrigado pela consideração e comentário, estimado amigo poeta Ademir Zanotelli! Um grande abraço.

Meu caro amigo... e grande poeta, muito obrigado por me visitar... e ao mesmo tempo o teu poema está seguro, pois o mesmo é um caminho para a luz de sua vida. parabéns .

Muito obrigado, estimado amigo das letras, Ademir Zanotelli! Deixem-me só esclarecer, que não sou jornalista, apesar de ter escrito para dois jornais locais. Um já não existe o outro mantém-se. Boa noite! Um abraço.