O MENINO
Coletânea "ALMA LATINA", Vol 6, 2025
O MENINO
Um menino pequenino
nos seus olhos de criança,
sonhava para o caminho
longas retas de esperança.
Olhava pelo postigo
Para ver a luz do dia,
Sempre fechado no abrigo
À medida que crescia.
O tempo lá foi passando,
O menino foi crescendo,
Nem podia acreditar
Nesse mundo que ia vendo.
Eram cidades inteiras
Em ruínas e desertas,
Alguns trapos de bandeiras.
Um horror de descobertas...
Fumos negros e os odores
A sangue já ressequido,
São agora mais duas cores
Que passam a andar consigo.
E perguntou para si:
Como seria aquele Homem
Que tudo aquilo fazia,
Poderia ser igual
Ao homem que em si crescia?...
José António de Carvalho, 28-agosto-2024
Comentários (2)
Muito obrigado pela leitura e análise, estimado amigo poeta! O menino que espreita ao postigo vê a guerra. Continuou a crescer e, com maior noção da vida, continuou a ver guerra. Por fim, interrogou-se a si próprio, se aqueles homens, quando meninos viam as coisas da mesma forma? Se o trajeto do Homem no seu crescimento é de todo idêntico. As razões podem ser muito diferentes, mas contribuem para um mesmo resultado na vivência humana ao longo da história.
Olá...Grande Poeta...Bom dia para ti, lindo e fervorosos versos.... mas o menino que isto tudo viu, certamente é uma guerra em que depois de adulto , tinha medo do que via e sentia.
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