Escritas

DIGO-TE…

José António de Carvalho

Coletânea "ALMA LATINA", Vol. VI, - 2025

Encheste o cálice da vida
e eu nasci dentro do tempo,
lançado à ira de um frio janeiro.

Deste-me a mão e eu andei,
e até aprendi a fugir de ti.
Mas… logo, logo, regressava.

Colavas-me os teus olhos,
e sob o teu olhar eu crescia
sem que tu o percebesses.

Revoltava-me comigo e ia,
pensando que tinha crescido
em tudo, e também contigo.

Mas as raízes eram fortes,
agarradas à terra e às tuas mãos
que me continuaram a alimentar.

Por isso, ontem como hoje,
vendo que a vida nos foge,
és tão importante para mim.

Não para me amparares
ou orientares no caminho,
mas para sentir que estás comigo.

Quero que me envolvas no teu olhar
e nunca me sentirei sozinho.
É só assim que há primaveras
e o teu Dia, Mãe…

José António de Carvalho, 18-março-2024