Lista de Poemas
Do mar m’avisto ...

Do mar m'viste,
Do mar me visto,
O céu não tenho,
Faz frio no meu
Peito em pedra,
Gelo ou icebergue,
Assim outros terra e ar,
Sonhos são mantras,
Onde só ondas antes,
Agora ilusão, Atlantes
Do mar, me visto
Do sonho que me perdi
E do que era em gente
E o céu não tenho,
Nem marés d'horizonte,
Faz frio, serei peixe,
O que há em mim,
E me tapando se veste
De mares Atlantes,
Acaricio um mito,
O ritual sou eu, o manto
E o ceptro pó, em mim
Próprio não mando,
Cansado d'haver mundo,
Oh mar, meu leito ...
Do mar me visto,
O céu não tenho,
Suposto me dar asas
Ou guelras, nada me serve,
Nem onde és meu,
Eu sou teu ente,
Do mar me vês, por quem
Me sonhas, descrente !
Pedra de gelo ou solo
D'gente ...
Jorge Santos (03/2017)
http://namastibetpoems.blogspot.com
👁️ 708
De veneno está meu corpo imune

De veneno está meu corpo imune,
De bagaço quero aquele que arde,
De poesia quero a que me incomoda,
Dos loucos os que me enfrentam
E empurram pro poço sem fundo
Com a corda à garganta, a mesma
Que uso pra me sentir livre o resto
Do tempo e dizer o que me dá-na
-Gana, como que parindo da alma uma coruja,
Como quem rasga e dana o pescoço,
Na suja e maldita corda que não afrouxa,
Nem dá sinal de partir a alta figueira.
De veneno está o meu corpo imune,
O pecado é perder o céu, suponho,
Não o procuro, do veneno quero o mais puro,
Pra beber entre os bruxos de olhos negros,
Com a corda na garganta e nas mãos,
O rosto curvo, cego ...
Da peçonha será meu corpo impune,
De bagaço quero aquele que arde,
De poesia quero a que me incomoda,
Dos loucos os que me enfrentam
E empurram pro poço sem fundo
Com a corda à garganta, a mesma
Que uso pra me sentir livre o resto
Do tempo e dizer o que me dá-na
-Gana, como que parindo da alma cuja
Como quem rasga e dana o pescoço
Na suja e maldita corda que não afrouxa
Nem dá sinal de partir a figueira alta.
De veneno está meu corpo imune
Pensamento e acção são ânsia e dor,
Para mim quando fico gelado do sentir
Para baixo sem conciliação ou paz,
De peçonha será meu corpo imune,
Mas jamais do castigo que carrego
E me faz cantar com ruído e sem
Sossego e corrói tal o ácido clórico
Ou o hálito do medo ...
Joel Matos (07/2017)
http://joel-matos.blogspot.com
👁️ 811
Reis, princesas e infantes

Reis, princesas e infantes
Foge de mim um sonho
Que é ter mando e ser rei
Dos anfíbios e das charcas,
Mas a chuva só cai longe
Os barcos não me levam
Onde há sapais e charcos,
O meu grande desejo é
Escutar de noite e sempre
Infantas que foram agora
Sapas e eu rei das poças
Nem, quanto mais ouvi-los
Coaxar às noivas-infantas
Pedindo beijos nas bochechas
Gordas e verdes, ranhosas
Como sapos as têm, tolos
Anfíbios das poças de lodo
E eu nem rei nem bote
Onde nem sapais há ou charcas,
Foge de mim o sonho,
Que é ter mando ou sorte
De Reis, princesas, infantes...
Jorge Santos (04/2017)
http://namastibetpoems.blogspot.com
👁️ 817
Leve, a emoção

Leve, a emoção
Leve, a emoção não chegará ao peso em
Que tem peso, tendo coração e motivos de peso
Por não ter,embora não saiba se leve, se deixe
Eu mesmo de ter, esse mesmo peso pouco
E essa imensa graça que é a emoção e que fosse
De diferença tal, como o peso que pesa minh'alma,
Tão pesada quanto o chumbo e a cornada
Dum búfalo ferido de morte pela mesma bala.
Leve, a emoção, tão leve que esqueço de sentir
E é curto o tempo em que sou feito apenas dela,
Escrevo-a quando quero é esquecer que até
Da própria mente posso ganhar a noção de ter
Emoção ao-de-leve e ouvir-me pensar baixinho
Do que aquilo é, que peso tem sem agitar o ar,
Tão leve nos despe quanto o que penso e em tom
Que lava a mágoa da dor aguda que simulo
Ter, embora tenha outra que parece ser coberta
Por pele mais boca, extravagante ideia o infinito
Posto num lugar comum, onde ninguém o vê
Por isso lhe chamam de sonho, outros fé, eu não,
Não o farei, quero sentir o coração parar e talvez
Depois me cale, quando nada pese, leve a emoção,
O peso é sentir, não ver o que penso e temer
Não ser o que sinto no peito, nem na mão que
Escreve tão ao-de-leve quanto a mim me minto
Ou não, sinto ...
Joel Matos (03/2017)
http://joel-matos.blogspot.com
👁️ 744
Sem estar, s’tou …

Sem estar estou,
Eis quanto e comum,
Eu sou ao ponto de ser
Peculiar em mim o ridículo,
Sem estar, estou apenas
Cansado de estar cansado,
Sorrindo sem estar contente,
Sem estar s'tou noutro lado
Diferente e igual, sem estar
Me vou sentando entre gente,
Sinto-me pensar sem querer,
Perdido sem me perder, a ideia
De me perder é um desejo,
Um compromisso que assumo,
Tal como sonho o espaço,
Sem o ver sem i'estar, sem o ter,
Como quem conheço desd'início,
Apenas plo sorriso,
Que podia ser d'alegria ou não ser,
Afinal que sorrir'alma tem,
Apenas cansaço eterno,
Minha ilusão terrena,
Nem outra coisa é preciosa
Mais pra mim, qu'esse alguém
Nesta ausência total de gente,
Eis quanto e comum
Eu sou neste triste circo,
Que tão pouco vida ou fera tem,
Procurando o que não encontro,
Sonhando o que não existe,
Sorrindo sem vontade a tud'isto,
E a quem está cerca sem estar
Perto ...
Jorge Santos(08/2017)
http://namastibetpoems.blogspot.com
👁️ 766
Dizei que rio …

Dizei que rio,
Direi que trist'ando,
Dizei que existo,
Direi que me não ouço,
Dizei me perco,
Direi m'encontro,
Que manso me fico
Entre o parecer feliz
E o chorando a fio
A dor que não tenho,
Vivo da tristeza alheia,
Que nada vale "se-calhar",
Dizei que rio,
Sorrirei "até-mais-não",
Mesmo que soe a falso,
Os olhos não têm tacto,
Nem os ouvidos boca,
Escondo as mãos demais,
Não deixando os dedos,
Denunciarem o que penso,
Ou os joelhos saberem,
Que me perdi
No campo,
Direi que existo
Nas flores do mato,
Caso lembre,
Que das dores esqueci já,
A floresta é dentro de mim e ela
P'lo tacto diz-me que sim
Tudo quanto desejo é lá,
Pra isso existo, mas apenas
Do lado de cá...
Jorge Santos (07/2017)
http://namastibetpoems.blogspot.com
👁️ 750
É a poesia parte …

É, de inegável maneira arte, a poesia,
Só por isso existo e esta alma que pensa,
Inconsciente que está sonhando, suave
O sonho, claro qu'é "vida-sentido-único",
Só porqu'isso existe e são meus braços e
Cansaços, sonho sem sentir aquele sonhar
Perfeito que se pode afirmar ser maior arte
Ou apenas consumo de mercearia, detergente,
Mercadoria "a-metro", falo p'los cotovelos,
Ensinei-os a mentir com sentimento qb.
No entanto não canso de prometer a mim
Mesmo um fio de cabelo com o pensar d'prata
Numa ponta, assim oval quanto o imenso
Universo, que é a esperança de ser tud'isso,
Só pra isso existo tod'eu, suposto Rei-Sol,
Deposto quando a serenidade da manhã
Acaba e se torna relento de fim-de-tarde,
Que sentido esta'arte de ser o tempo todo
Eu e não ser minha a fé, que a outros sabe
Tanto a sucesso e o meu falar implora
Essa inigualável maneira e forma d'arte.
Joel Matos (07/2017)
http://joel-matos.blogspot.com
👁️ 716
Doze

Doze
-Doze nós, tem uma figueira
Ao medir-se dentro de nós, em vidas
Que a gente tem e não sabe explicar,
-Doze é a distância do braço ao pego,
Iguais de uma à última cadeira,
De ponta a ponta da imensa mesa.
-Doze, os carvalhos de uma clareira,
Todos leais, à sua maneira monarcas
(Todos iguais, Todos Deuses)
Prodígios nós, os meses den'par
E a esperança dela voltar, a paz
As doze badaladas, a melodia,
-Dentro de nós, temos uma figueira,
Ramo a ramo, cada um mais alto,
Aí eu me deito e penso,
Quão doce o horizonte é, ouso
Ouvir o seu falar e o que há-de
Dizer-me, puder eu contar-lhe,
Senão ao colo desta figueira grande...
Grande.
Joel Matos (07/2017)
http://joel-matos.blogspot.com
👁️ 962
Passado eu, azul triste, translúcido …

Passado eu, azul triste Lúcio.
Cantam suavemente triste/azul
Como quem embala nas ondas
Um filho de mar fardado, serei eu,
Serão sereias sem passado nem futuro
Ou sombras do que é verde
Azul puro ou do que eu lembrar
Embora não possa amar tristes
Sombras e nem do mar ouvir no búzio
O cantar sem morrer d'amor por Lídia
Ou por elas, sereias sem nome dado,
Debruçado adormeço sobre este
Mar antigo, cansado de ser filho ou Lúcio
D'Iemanjás sereias, orixás rainhas
Do mar envoltas... a manhã jaz
triste e azul, sem cor serei eu, serei
Ou serão sereias do mar sem ódio, passando Py,
Passado eu, azul triste, Lúcio anil.
Jorge Santos (02/2017)
http://namastibetpoems.blogspot.com
👁️ 641
Não sei se crer na sombra ou no luar …

Não sei se crer na sombra ou no luar,
Sendo isso verdade e eu Moby Dick
Não sei se crer na sombra ou no luar
Da noite escura, no monstro que
que pertence a outros e a mim mais que todos,
Pois isso são o que são os sonhos,
Dando sobre o mar a impressão
De serem monstros marinhos,
Negros quanto os medonhos rochedos,
Sendo isso verdade e eu Moby Dick
Do género dos demónios que há, e eu penso
Se será verdade o que sinto, Moby Dick eu,
Sombra do luar, segredo obscuro guarda o mar
De mim, marinheiro sem barco, delfim eu,
Não sei se crer na sombra ou no luar,
Cansado de ser espuma, ponho-me a sonhar
Ser isso verdade e eu Moby Dick,
Não sei se crer mais no mistério que no mar
Inteiro, sendo nele que vejo o céu descer
E o horizonte lunar quieto... cedo
Desperto eu, consciente que ele me leva p'la mão,
Não sei se crer na sombra ou no lugar
Onde me acrescento ao medo,
Sendo Moby Dick eu,
Isso são o que distam sonhos meus,
À inquietações de ser, que me dói mais hoje
E que antes nunca .
Jorge Santos(07/2017)
http://namastibetpoems.blogspot.com
👁️ 770
Comentários (4)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
nilza_azzi
2019-08-22
É bom ler o que escreves; tens ritmo, domínio da línguagem poética e abordas temas intensos.
namastibet
2019-01-09
obrigado a todos que me leram
ricardoc
2018-04-23
Igualmente! Estou me familiarizando com a plataforma. Abraços, RicardoC.
131992
2017-10-26
muito intenso seus poemas, adorei.