Lista de Poemas
Falar não tenho,

Falar não tenho,
Sou adiantado em relação às horas,
Acordo ainda não vendo ninguém,
Passam todos por mim aquando deito,
A dor nos outros em mim é delito,
Não sigo caminhos que tenham sido
Pisados, nem peço pra ser ouvido,
Pois ninguém ainda me ouviu hoje,
No fundo não sou semelhante a Deus,
Venho adiantando aos poucos desde
Cedo, como se pertencesse a outro
Universo e até o pensar eu antecipo,
Assim não falo, sonho, falar não tenho,
Assim não me demoro nem me engano
Em relação ao tempo, no falar nem tanto ...
Jorge Santos(07/2107)
http://namastibetpoems.blogspot.com
👁️ 729
Contudo vale a pena …

Contudo vale a pena
Haver amanhã, haver outro dia,
Contudo vale a pena, espécie de
Continuação de mim, perdão dos
Céus, amnistia, caminho de quem
Se perdeu dum outro dia, eu.
Haver amanhã, haver outro dia,
Contudo vale a pena ser feliz
Enquanto ouço em mim dentro,
O pensar suposto ou intuição,
Instinto, combinação de ambos,
Consciência e sonho, vazio
Que faz lembrar ruído e se sente,
Contudo vale a pena quando
Tudo parece estar aquém do que é
E existe, continuação de mim, incenso,
Espécie de música que flutua,
Interlúdio, às vezes balada do terço,
Igreja vazia, contudo vale a pena
Ser hoje, admirável tanto quanto
Um Audi ou um quadro apresentando
Nada em continuação de mim,
Contudo valeu a pena, tudo quanto
Fui e fiz...
Joel Matos (07/2017)
http://joel-matos.blogspot.com
👁️ 770
Sinto saudade do que não sou

Sinto saudade do que não sou,
O que vês é nada, esqueci
O pensar como fosse palha
Ao vento, como vês deixei
De ser outro pra tornar ao nada
Que sempre fui, esqueci por
Momentos que o nada basta
E sempre fui e serei o quanto
Sinto saudade de quem sou
Normalmente, um nada eu todo
Um todo-nada eu, nem mais
Nem menos que um morto-vivo
Sempre, o plural de nada ou
A definição nítida de um vazio qualquer,
Sem expressão, quanto à minha vista
Lei ou justiça, quem dera não ser
Nem formar sombra na rua
Em redor do rosto banal, estúpido
Embrulho de um insatisfeito,
Sinto saudade da realidade
Construída a brincar, do brilhar
Dos pastos lá fora quando há lua,
Para quê pensar se a forma é humana
Que o espelho tem, vulgar
Quanto a justiça e a lei, importância
Nenhuma pois ainda não sou
Ideia absoluta baseada no que creio
Ser, sou a noção que alguém teve d'mim
Outrora e antes e em mim mora rente,
E eu esse sou, sinto.
Jorge Santos (06/2017)
HTTP://namastibetpoems.blogspot.com
👁️ 720
Aos desígnios que inventei só porque sim …

Cheiro de jasmim e cana cortada ou
Os desígnios que inventei só porque sim...
Num tempo em que as paisagens eram florestas
E virgens as videiras, o dom do sonho era comum
Com os demais, tal como os cheiro a jasmim e
Cana cortada, todavia era minha alma incompleta
Sem os desígnios que inventei só porque sim,
Marquês dos sonhos e de tudo o que não tem fim
Em mim próprio, estar perto de ter estrelas no colo,
Em vez de estilhaços e pedaços de cana bamboo,
Não me concedem o direito aos saberes todos
Da Terra, a mim tanto se-me-dá, esqueço e ponho
Os desígnios acima de tudo e da copa das florestas
Pra que o mundo me deixe a sorte certa de ser eu,
Crível quanto as plantas cortadas em viés e delta,
Marquês dos sonhos, catedrais que erigi, só em solo
Do que poderiam ter sido ruínas que ninguém conhece,
Impossível dormir sem a veleidade de ser feito de céu,
Deusas princesas brincando com minha alma
E eu dono dos jardins de "quanto-se-pensa-existe",
Num tempo em que as paisagens eram florestas,
Deus deixou um espaço entre os ramos pra que o luar
Me revelasse o caminho, a vereda que sigo e me levará
Ao que inventei, só porque quis chamar de desígnio
Ao que é natural em mim, sonhar tanto e tudo,
Desde que o mundo me deixe sonhar acordado.
Jorge Santos (03/2017)
http://namastibetpoems.blogspot.com
👁️ 801
Nem no mundo do fim do mundo há o fim dum todo…

O lembrar de facto não existe, nem no fim ...
O exacto tempo não existe pra mim,
É um bocado de terra e escasso,
Exijo na lápide não o ano certo
Em que morri, antes o outro, assim
Quando os astros perecerem
E o lume e o céu se desfizer e a lua,
Quando todas as horas forem mortas,
Espero que a areia dite meu nome,
Qualquer um serve, pois sinto em
Todos um fio e os membros dispersos
Súbditos do espaço e o tempo
Servirão a minha imodesta crença,
Um pedaço de terra é pouco pra mim,
Quero a conivência dos grãos d'areia,
O pó leve, inútil em todos os planetas
E no sub-mundo que há em mim, sinto
Ao ínfimo a consciência que lá vivo desde
Sempre, infinito o tempo, areia fria,
Cento e uma vidas coladas ao que não sei,
Pano de fundo ou o desejo de renascer
Seja no que for pó, flor canteiro ou dor,
O lembrar de facto não existe,
Nem um mundo no fim do mundo há...
Joel Matos (03/2017)
http://joel-matos.blogspot.com
👁️ 769
Cheio de nada ter

Cheio de nada ter
Verdadeiramente vejo
Tanto quanto a um cego
Seja distinto ao tacto o que
Parece um sussurro,
Sendo minh'alma
A murmurar suave
Suave que outras almas
Silenciam e negam tanto,
Ficando secas sem nada,
Assim com'à minha
Cheia de não ter nada,
De facto sussurro e
Mais parece ser brisa
Ou de verdade seja
Cheio eu de nada ter,
Nest'alma levezinha
Cheia do que sinto,
Tanto quanto um cego
Tem tacto e quanto sente
Assim sente esta cega
Alma e minha ...
Joel Matos (07/2017)
http://joel-matos.blogspot.com
👁️ 773
O vento anuncia-se pelo ruído …

O vento anuncia-se pelo ruído,
Do vale até ao monte o caminho é curto
Para o vento norte, o rugido é grosso e penso
No silêncio e o que é não tê-lo face ao ruído
Todo do mundo, ele se reproduz como rato
E peste, inumano, pano de fundo, boca de
Sena, do vale até ao monte foge a razão
Da gente voando, e o trote do vento é a morte
Cavalgando, o meu não ouvido percebe o rugido,
Suspeito ser o suspiro derradeiro do horror
Do vale ao monte desespero e morte,
Luto e guerra, fez-se escuro no meu reino,
Deixei de ser rei e em pedaços voo,
O vento anuncia-se pelo ruído arrancando
Folhas e ramadas, qual juízo final do mundo,
Balouça a minh'alma cadenciada, "a monte" ...
Jorge Santos (05/2017)
HTTP://namastibetpoems.blogspot.com
👁️ 754
Tudo e isto …

Tudo e isto ...
Tenho por costume sentir tanto
Como se nada viesse doutros tinos, o uso
Que tento dar ao sentir como sentisse
Real tectos falsos, estou reduzido
Ao que sinto, sentindo tão pouco
Embora tanto, mas tampouco são
É o pensar que muda fácil, descalço-me
E subo os veios duma figueira-brava,
Não é inteligência nem puro raciocínio
Este jogar de cartas fácil por debaixo
Da mesa, são antes os dados da roleta,
A raiz em números desta ilusão de dizer
Certas coisas que sinto como água benta
Correndo mil vezes mais lenta nas veias
Que chuva de parafina quando cai à vista
Fixa ao pensamento, se é que ele existe
Apenas porque o tento alcançar tanto,
Causa perdida tara breve, mentira,
Embuste, simbiose, ficção que parece
Quase graça mas faz lembrar maldição
Ou a guerra dos sentidos de encontro
Às paredes do enjoo, mais-valia eu ter
Estômago de mar-alto em vez de sentir tudo
E isto ...
Joel Matos (02/2017)
http://joel-matos.blogspot.com
👁️ 695
Às vezes

Às vezes, o que resta na mão nos foge,
Tal e qual como num livro a palavra fim,
Sinto um vidro fosco ente mim e essa luz
Que me foge sem razão, sinto que flui ao
Escrever mas não é certo, é uma imposição
Não o destino, porque pra isso não fui criado,
Escrever e ter as mãos caídas é disparate
De louco, ter tanta coisa à mão e não ter na
Mão nada, nem amor próprio, tanto quanto
Glória, fama ou sorte, quem dera não ser
Quem sou, mãos caídas solicitando ilícito
Parecer a prazo ou o aval de quem passa
Sem sentir passar pla alma dele o meu ser,
O estranho é não me sentir culpado da inércia,
Mesmo quando foge desta mão tudo
E eu sofro por isso, mas apenas um instante,
Assim como não ter uma coisa qualquer
Quando se quer tanto ter sem saber qual querer,
A sombra ou o seu suporte, a branca parede.
Às vezes, o que resta na mão nos foge
E eu sonho que sou o fio de água que flui e une
As sucessivas sensações que minha'alma consente,
Pois que verdadeiramente nada me foge,
Nada me dói, nada me prende,
Pertenço ao caminho e se me ergo é por
Imposição do mesmo ou por castigo
Aos deuses que renego.
Joel Matos (05/2017)
http://joel-matos.blogspot.com
👁️ 821
Pelo sonho vamos

Pelo sonho vamos
Pelo sonho vamos,
Tal é ter alma, não
Cá dentro, adiante
De mim e segui-la
Sem ela e eu saber,
Pelo sonho vamos,
Se não voltarmos
O rosto ao que foi
-Partiu, me deixou,
Não adianta seguir
O que a alma não
Sente ou não sou
Eu desse mundo,
-Passou, sonhar é
O que quero mas
Só consigo parte,
O resto do tempo,
Existo presente,
É o que sou vivo,
Não sei se daqui
Me perdi, não sei
Se quero ter esta
Alma tão cá dentro,
Em silencio, não sei
Se fui eu, ou serei
Meu maior medo
Ao olhar um mundo,
Que não é mesmo
Nem me reconhece,
Tampouco como seu...
Joel Matos (07/2017)
http://joel-matos.blogspot.com
👁️ 755
Comentários (4)
Iniciar sessão
para publicar um comentário.
nilza_azzi
2019-08-22
É bom ler o que escreves; tens ritmo, domínio da línguagem poética e abordas temas intensos.
namastibet
2019-01-09
obrigado a todos que me leram
ricardoc
2018-04-23
Igualmente! Estou me familiarizando com a plataforma. Abraços, RicardoC.
131992
2017-10-26
muito intenso seus poemas, adorei.