Lista de Poemas
(Vive la France)

Que m'importa a idéia sem o Dólmen ...
Que m'importa o Dólmen sem a aldeia,
Viriato sem o entusiamo e um coração
D'Vate duma nação que nunca foi triste,
Não sei que pense ou se me entristeça,
Ser feliz é desejar sê-lo e a idéia é a ultima
Que morre, não o homem nem a justiça,
À ilusão se chamará esperança, o Homem
Não significa nada sem a voz humana,
Nem Roma se escreve como o nome de Creta,
César sem crença seria Roma sem o recinto,
Viriato sem o entusiamo d'uma nação ou Tito
Sem "Partisans", não teria unido a Jugoslávia,
Poder comparar é um mito, a Torre de Babel
Um pensamento, o novo testamento apenas
Um livro mal escrito se não houver convicção,
Que importa a mim a idéia sem o Homem novo,
Um Dólmen sem povo - o Asterix e o Druída -
Cristo sem Césares não teria nome, seria brisa
Eu talvez nem seja paisagem, mas sou aquele
Que se inquieta e mistura o pau com a bandeira
Na alma pra construír uma idéia da lava
Menos calma, a partir da aldeia em chamas,
Que m'importa o Dólmen, (Vive la France)
Morra a indiferença, (Morra o Dantas, Pim ...)
Pam-Pum ...
Jorge Santos (04/2018)
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Sou pasto de fogo fácil

Sou pasto de fogo fácil e melancolia dessa
Que passa depressa mas acho que sou,
Provavelmente o mais alegre dos homens à Face
Do mundo, não sou um optimista,
Espero que o fogo por mim se propague
Sem que eu o atice, nem protagonista sou
E não conto com a chuva pra que se
Extinga um fogo, um pessimista é alguém
Que não confia na ajuda divina,
Penso que provavelmente faço da
Melhor poesia do mundo na língua que me Deram
A entender e me cumpre engrandecer,
Assim me ajudem os deuses.
Pode ser poesia outra coisa senão
Sensações sensíveis, emoções emocionais,
Intimidades intimas, experiências
N/experimentadas, temperamentos n/
Temperados, frases inesperadas,
Manifestação de descontentes,
Pensamentos como de quem pensa
Valer a pena sem deveras valer,
Sentir arder, sofrer, sangrar sem nada disso
Ter, seja alegrar o doer, depressa o devagar,
Lento dentro dentro dentro ...
Pode ser poesia o luar,
A ciência dos astros, também pode ser
Um eucalipto a arder e o verão no verão;
Dizer é peculiar, Deus é deus,
Pode ser poesia o luar acrescido
E o prazer que tud'isto me dá,
Que outro não há na terra,
Tão imortal como este,
Sem ser dos Deuses e o meu
Mar, pode ser a poesia,
Outra coisa senão sensação
Emocional, manifestação
Do pensamento ou fenómeno externo,
Extremo e inteiro ...
Jorge Santos (05/2018)
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👁️ 408
Je ne dis rien, tu m'écoutes

Somente à poesia é que se aplica
A convenção mnemónica de amar sem volta.
Como qualquer fenómeno meteorológico,
Pra ser compreendido, há que ser estudado,
"Je ne dis rien, tu m'écoutes" é o axioma
De ser poeta e eu não consigo alterá-lo,
Mas isso não me explica, nada se explica
Sem ser tocado, somente me reconheces,
Eu não creio em nada, qualquer coisa amo,
Um relógio é uma mesa, igual a beleza
Dos ramos de uma mesma giesta, tudo
Será esquecido ou apenas eu record'o passado,
Pra ser compreendido há que ser estudado,
Ramos buscam ramos, que seja eu esgalhos
D'abeto gigante, nada indica que sim, nada se
Deve achar, a dúvida é em si mesmo um fim,
Somente à poesia é que se aplica, ao agnostico
O tampo da mesa e ao agiota o tempo
Que se retira a quem se for, mesmo a mim...
Sou conduzido por acidente a um sonho
Sem cura, culpa da memória que divide
Os erros entre mim e eu infiel, infiéis os líricos,
É a maneira de dizerem o que pensam,
Sem largarem das mãos o céu, só meu,
Sou eu ..."Je ne dis rien, tu m'écoutes"
Jorge Santos (05/2018)
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Li berdade ...

Liberdade ...
Lê verdade , depois "vota" ...
Me convenço que sou livre,
Pois voto, sei ler quase tudo,
Vejo mal ao perto,
Li berdade em algum lugar
do "Shopping Center",
De seguida m'iludem
Não sei ao certo se
Com a mentira ou com
O erro grosso e descreio
Que sou livre tendo
Realmente acesso vetado
Às Egrégoras e Concílios,
Apenas vejo vulgares montras
Sendo eu de baixa estatura,
Pouco largo de pensamento,
Receio - minha escura rua, a pele,
Vejo mal ao perto,
Li berdade em lugar de amor,
Não sei onde ao certo,
Se convencem que sei
Ler o que escrevem, mal escrito,
Mas corro risco de ser preso,
Por delito de opinião,
Quando copio o que leio ou tento,
No muro dos menos loucos,
Pois leio de perto e mal
E nada ao longe vejo,
Que esteja certo,
Nem ontem li berdade,
Me gritava de cimo do muro,
Outro mais louco que eu...
Tsé-Tung / Lenin / Brecht/
Mein Kampf ! Pol Pot ...
Jorge Santos (05/2018)
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👁️ 301
Em pó mudo …

Poesia é estaleiro e transmissão de tanque,
Poesia é terra, transfiguração viva e guerra,
Poesia é Insurgência, Rebelião Fractura,
É um respirar que dura pra'lém do que
É vida. Essa inútil e retráctil face do que
Dizemos ficará da gente pra sempre,
Se matéria é processo e transformação,
Poesia é estaleiro, transfiguração e herança,
Dança e chaminé de paquete, pavilhão e
Estandarte, cavalo e galope, Juno e Júpiter,
Poesia é tudo quanto faz doer e dor não tem,
Nem sabe ou sente que provoca ao mundo
Sofrimento e desejo, solidão e demência q.b,
Poesia é tudo isto a que me dou de corpo inteiro,
A embalagem, a vasilha, a cela e as grades,
O fulano cuja realidade se incinera sem pena
Nem piedade, em pó mudo, peste e adubo ...
Joel Matos (11/2017)
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👁️ 712
Te vejo a duas vozes …

Te vejo com duas nozes castanhas
Entre mim e os cabelos e nem mudaria na face
O ciúme que sinto d'entre o nariz e os pelos,
Dizer o contrário não será ou seria sincero,
Te vejo como duas nozes e coro ao dizê-lo,
Mesmo que fique entre mim e o cabelo,
Te beijo eu, sincero te vejo como duas nozes
Entre cento e uma, a outra sou eu, belo
Quanto a figura de Euclides, gloriosa
Que nem o Restelo à partida das caravelas
Em Janeiro, assim eu penetre no que
Penso ser meu íntimo profundo,
Te vejo como duas nozes, oxalá pudessem ser em
Veludo quente, tanto o que sinto e sonho
Sentir ou tento, te revejo a duas vozes,
Oro que seja verdadeiro esse místico sentido
De ver e ao mesmo tempo ouvir, vinda
De outras dimensões a magia espiritual
Que me guia como que por encanto,
Mesmo que fique entre mim e o cabelo pouco,
Te vejo com duas nozes castanhas.
Joel Matos (06/2017)
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👁️ 820
click folk flop flux…

click folk flop ...
A magia é um click imperfeito
Que de quando em vez me falta
Umas vezes se dá de facto nest'alma
Outras à flor da pele e me arrepia
Tal qual escama de peixe-lua
E me dá frio a ironia é não fazer
Click's e crer na ilusão feita
De ter vara e ser mago d'folk
Assim tolo sou o mágico
Perfeito, ilusão o meu delito
Que funciona ou não tão bem
Quanto a outros d'ofício,click
E chapéu de bico agudo, flop-flux...
Joel Matos (02/2017
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👁️ 714
Cicatrizes hão-de encher-me de poderes …

Há de tudo, pessoas feridas, pessoas cicatrizes,
Pessoas marcantes, mas há e haverá sempre
Pessoas gerando luz, como candeeiros de rua
De foco claro no escuro são elas que nos fazem
Partir muros esventrar estrelas inventar a própria
Voz de Cristos e dar vida a naturezas mortas, há-
De tudo e basta o simples esperar e escutar para
Aparecerem de embrulhos distintos, essas pessoas
Que a gente perde por não andarmos devagar
Escutando o vento, o mar e as cicatrizes, que nus
Temos todos, gémeas da alma, marcadas
Pra serem sempre candeias nos caminhos da-gente
Há de tudo, pessoas lindas de morrer, pessoas fatais
Pessoas malmequer e pessoas verdade,pessoas
Deitadas, Pessoas d'en'pé ... pessoas marcantes
São poucas, mas há-as e hão-de encher-me os dias
Pobres.
Jorge Santos (03/2017)
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👁️ 663
Sem estar, s’tou …

Sem es'tar es'tou,
Eis quanto e comum
Eu sou, ao ponto de ser
Peculiar em mim o ridículo,
Sem estar estou, apenas
Cansado de estar cansado,
Sorrindo sem estar contente,
Sem estar s'tou noutro lado,
Diferente e igual, sem estar
Me vou sentando entre gente,
Sinto-me pensar sem querer,
Perdido sem me perder, a ideia
De me perder é um desejo,
Um compromisso que assumo,
Tal como sonho o espaço
Sem o ver, sem í'star, sem o ter
Como quem conheço desd'início,
Apenas plo sorriso
Que podia ser d'alegria ou não ser,
Afinal que sorrir'alma tem,
Apenas cansaço eterno,
Minha ilusão terrena, efémera,
Nem outra coisa é preciosa
Mais pra mim qu'esse alguém,
Nesta ausência total de gente,
Eis quanto e comum
Eu sou neste triste circo,
Que tão pouco vida ou fera tem,
Procurando o que não encontro
Sonhando o que não existe,
Sorrindo sem vontade a tud'isto
E a quem está cerca, sem estar,
Apenas um esquivo e disto, pretenso,
Ridículo, "snob".
Eis quanto e comum
Eu sou, tal qual o ar tíbio
Em que, pra sempre me vou ...
Jorge Santos (07/2017)
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👁️ 692
Duvido de tudo que dos olhos vem …

Duvido de tudo que dos olhos vem,
Não sei escrever poemas de amor,
Duvido da matéria que compõe
O universo, das flores o cheiro
Mas não da natureza e deliro
Quando escrevo estando muda
Esta, mas das flores não duvido,
Duvido se os poemas de amor
Existem mesmo ou onde moram
Na ciência dos sonhos que descrevo
P'los perfumes que não sinto, d'lírios
Em flor, não sei mais fazer poemas,
Seja de amor ou sobre-o-que-for,
Duvido de tudo que dos olhos vem,
Ou nos braços repouse, da existência
E das romãs, apesar da cor a sangue,
Apenas num algoritmo acredito,
Que é ser viva a natureza e pródiga
A substancia que habita o universo
E em mim mesmo, não sei escrever
Poemas de amor, duvido crendo ...
Joel Matos (03/2017)
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👁️ 829
Comentários (4)
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nilza_azzi
2019-08-22
É bom ler o que escreves; tens ritmo, domínio da línguagem poética e abordas temas intensos.
namastibet
2019-01-09
obrigado a todos que me leram
ricardoc
2018-04-23
Igualmente! Estou me familiarizando com a plataforma. Abraços, RicardoC.
131992
2017-10-26
muito intenso seus poemas, adorei.