Lista de Poemas
Perdoa tanto, tampouco …

Perdoa por valorizar o vaso
Não o conteúdo do mesmo
A lua e não o branco luzeiro
Os dedos e não a ânsia
Perdoa valorizar o peso
E não ser o balanço dos teus
Medos e receios, perdoa
O esforço sem alcançar
A beleza que de tu'alma vem
A memória curta e o teu
Vago cheiro em mim,
Quase mineral e mágico
Sim, perdoa a mágoa e os beijos
Que não dei nem a ti
Nem a outrem porque nem tento,
A indecisão do caminho
Que levo e porque não
Posso ser levado pla mão tua
Nem quero, perdoa
Este inverno sem calor profundo
E porque fiz da ceara tua
Meu prado, perdoa por isso
E sobretudo a convicção
Com que digo o que minto,
Perdoa se sou desatento
Pois me doi no rosto teu
O sentimento que tudo é vão
E o fumo é o espelho
Nada resta que não seja
Pedir perdão e desabotoar
Do peito a mágoa de não
O poder ter porque não sinto
Talvez direito a tê-lo cá dentro
Tão tanto, tampouco
É um desejo de mim mesmo
Ou teu...
Joel Matos (03/2017)
http://joel-matos.blogspot.com
Minh’alma não tem uso pra mim

Minh'alma não tem uso pra mim,
Minh'alma não tem pra mim uso,
"Cohabito" um ser sem ser nem alma
No lugar onde eu pensava haver
E ter toda'dor e todo o gozo d'amar,
Como tod'agente e todo'mundo,
Esta minha não tem o devido uso,
Sou o monstro que duvido alguém
Conheça, porque conhecendo-me eu
A mim, sou enganado pelo tacto e vista
Pois da fala, dessa nem falo, ouço
Numa linguagem absurda, o canto,
Que lembra fraco o eco doutra Pessoa ...
Enfim diferente e a mim junta, próprio
Delouco fragmentado, julgo-me inatural,
Perdido na época das masmorras,
Assim é o meu sentir, o estranho é que
A vida flui atrás destes meus olhos vis,
Iguais outros que vi no purgatório
do diabo, inúteis, inútil o choro,
Rio ou rimos em simultâneo, só pra saber
Se sou mesmo eu ou se um outro
Logro igual convive comigo,
Logo eu tenho de conviver com ele
Mais o que sinto sendo universal e uno,
Eu próprio incomum tanto quanto o uso
Que faço à alma que tenho no centro
Do corpo que é o mundo ...
Jorge Santos (03/2017)
http://namastibetpoems.blogspot.com
Eu digo não ...

Eu digo não ...
Eu digo não ao brilho tolo,
Não quero em fatias curtas,
A vontade dum povo todo,
Quando é a vítima e o bobo,
Não quero viver ansiando,
Por migalhas tam-poucas,
Sendo eu Interprete terrestre
E actor das Histórias loucas,
Desta gente com coragem
De dizer - Não ..Não
Quero a minha vontade presa,
Nem a prisão de pensar ser outro
O brilho ou ver o brilhar
Não daquilo que querem
Que eu veja e deseje nas montras
Mas o que me interessa ter,
A fatia do pão e não o bolor do bolo
E a mesa cheia de quem interpreta
A historia louca deste povo,
Que não é idiota nem tolo,
Mas a cereja rubra do topo
E quando "se toma de razões",
Que se cuidem os "Dons"
Todos, senão "Ai Jesus Maria"
Joel Matos (03/2016)
http://joel-matos.blogspot.com
Curtos dedos
Amarro-me eu, pl's beiços
E a mim mesmo, plas cordas que teço,
Não faz mal que sejam pequenas ou finas,
Assim tenho os mesmos lugares
No mundo onde me perder
E o fôlego todo,
Pra tecer coisas mais duráveis,
Qu'estes curtos dedos.
Sei que preciso de Primaveras em meu colar,
E do calor do Verão pra derreter o gelo,
No olhar e no beiços aramados,
Que resistem e me prendem a estas paredes
De cal e gesso, brancas como neve de gelo,
Duras do arame em estuque...
Jorge Santos (01/2014)
Noção de tudo ser menor que nada.
Se eu fosse ladrão roubava
Poeta acerca...
Poeta acerca...
voltam não
Quantos adesivos cobrem o nosso silêncio,
Quantos sóis-postos cabem num coração desocupado,
Quanta violência de minha boca já saiu,
Quantos anéis os dedos retiram em segredo,
Às vezes estremeço, perante os olhos mudos,
Fúteis, de quem parece vivo sem ser,
Ponho-me a acariciar o que me resta de gente,
Nos momentos a sós com os céus,
Conto quantos gestos por doar,
Nos rostos tristes de quem passa sem voltar,
Quantos olhares não se trocam,
Com medo de se dar a noss'alma toda,
Parece às vezes, que Deus me deu a outra face,
Pra habitar, por ter ruído o mundo,
Nas faces mudas em minha roda,
Não tendo outra forma de por mim mostrar desprezo,
Nem sei quantos passos perdi de dar em volta,
No santuário dos pedintes,
Quantos penitentes passos na realidade dei,
Inconsciente do caminho que tomarei de volta,
Às vezes, no escuro, tomo-me por um outro,
Que em minha alma existe, quase extinto,
Do qual esqueci o nome e o resto,
E sonho o sonho que este sonhar me deixa,
Somente…
Eu e o meu coração cheio de coisas esquecidas,
Contamos os dias, os passos e os caminhos feitos,
Que não voltam...voltam não.
Joel Matos (02/2014)
Quando a morte vier

Quando a morte vier dos céus,
(A minha mãe língua, mora no vento forte e só a sorte a amarra... e a morte... )
Bebo o fel do proprio diabo até.
Parece que da minha alma não vem conciliação,
Comentários (4)
É bom ler o que escreves; tens ritmo, domínio da línguagem poética e abordas temas intensos.
obrigado a todos que me leram
Igualmente! Estou me familiarizando com a plataforma. Abraços, RicardoC.
muito intenso seus poemas, adorei.