AGUARELA
Nessequadro em que o verde da tinta tem menos cor
Eo tempo se entrelaça no misticismo do anoitecer
Colocasteum rio de águas proféticas onde se afoga a dor
Eas mágoas se espraiam nas cores rugosas do envelhecer.
Nessequadro em que as margens do rio estão cobertas por açucenas
Eo sol do entardecer vai morrendo em clarões de aurora
Colocastesauréolas e asas prematuras nos meus poemas
Detinta húmida e incolor colhida na face de alguém que chora.
Nessequadro de alma pintado em tintas que ninguém consegue ver
Encontram-secaídas palavras de poemas que ninguém pretende ler
Ébriasde cansaço, juntas pelo vento nas paredes de qualquer viela.
Ascores pardas debotadas e amarelecidas que ensombram a aguarela
Éa esperança perdida das coisas que não tive e que no sonho me pintaste
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