Escritas

CAMINHOS

José João Murtinheira Branco

Nãoacendas fogueiras nem velas, nesta noite sombria

Porqueessa luz, não ilumina quem se sente sozinho

Napenumbra, sentes o cansaço crescer dia após dia

Etudo te parece louco, na paisagem desse caminho

 

Agorajá nada mais te importa, nem mesmo essas dores

Queperduram no tempo, estrebuchando o sentimento

Fosteum grito altivo de revolta, no tempo dos amores

Queperdeu a força, esvaindo-se no eco do esquecimento

 

Senteso peso do corpo inútil, que teima em não prosseguir

Maisquebrado e desgastado, nesta noite sombria e calma

Nãote deixes sucumbir, remove a esperança e torna a sair

Nessacaminhada cíclica, que persegue a evolução da tua alma

 

Ofegante,sentes arder no peito essa luz turva vezes sem conta

Quese mistura parceira com a noite como uma sombra tua

Longosanos de uma dor tão presente e que te afronta

Aliviadamos colóquios que repartiste com a velha lua

 

Viajantetristonho, curvado, fraco e envelhecido

Descansaaqui as tuas dores por entre o ondular do meu verso

Nestecaminho molhado de verde pinho florido

Semeiaa sombra oscilante ébria e submersa

 

Eo pouco sol dos olhos teus voa no meu verso

Comotrinares de pássaros brancos que ascendem

Sulcaramtrilhos profundos nesse espirito submerso,

Emfendas de luz, nesses pensamentos se estendem

 

Seo tempo voar e não parar, deixa-o ir na ampulheta da vontade

Segueo caminho dos poetas, na fonte dos seus conhecimentos

Bebeso bálsamo dos poemas, de letras sensíveis à bondade

Enas odes ao amor, suaviza a tua dor, sara os teus sentimentos.

 

 João Murty

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