Escritas

SILÊNCIO E VOZES

José João Murtinheira Branco

Nesteabismo de silêncio.

Deixa-mesepultar os nossos medos

Deixa-mesonhar junto de ti

Deixa-mesentir a doçura dos teus dedos.

 

Emesmo que despertes este meu pranto

Nestegesto de chorar que me enruga o rosto

Enche-mede calor com o teu corpo

Enxuga-meas lágrimas com o teu manto.


  Nestesilêncio que percorro incógnito

Nestavida em que riem as visões

Deixa-mesuperar as vozes fatídicas

Feitasde olhos claros de azuis tentações

Quetomam o corpo e fazem o coração refém

Asfixiadona prepotência e no cruel desdém

Quese alimenta como um proscrito

Deangústias e temores, de quem está aflito.

 

Deixa-meser alquimista e combater o silêncio do teu mal

Deixa-mesentir a mística e o pulsar do cálice da vida

Mescladode água, terra, fogo, ar e condimentado com a magia

Perdidanos rituais ancestrais da pedra filosofal.

 

Deixao sonho nos braços do Morfeu e procura outra via

Rompendoesse silêncio de tons escuros e profanos.

Encontraa alegria no meu peito e o conforto para tantos danos

Emesmo que não seja verdade, e, mesmo que eu esteja errado

Escutao som do coração de quem ama, e, a razão de quem é amado.

 

Nesteabismo de silêncio de campânulas negras retorcidas

Escutoas vozes do pensamento, soltas sórdidas e vencidas

Emsussurros sonolentos umas às outras vão contando

Queas lágrimas no teu manto são os sais da harmonia

Eque o sentimento do meu pranto é querer, é vida, fantasia

Éo sol da minha pena, é a força do meu poema, é um toque de magia.

 

Éo calor da minha mão e o doce afago dos teus dedos

Quetocaram as nossas almas e afugentaram os medos

Enum brusco movimento, filhas de um ego descontente

As vozes fundiram-se no silêncio e partiram parasempre

João Murty
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